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A Viagem Por Detrás da Foto

A Viagem Por Detrás da Foto

Desde a época das polaroides instantâneas que se materializavam como mágica, registrando a imagem no mesmo momento do acontecimento, o ser humano passou a ter essa fixação por fotos. Agora o que está por detrás de uma foto nos dias de hoje?

Polaroid

Muito antes do aparecimento das tecnologias instantâneas, existia a necessidade de registrar o cotidiano, as pessoas, as paisagens. Tudo para deixar esse “registro para a posteridade” ou estampar um retrato na sua biblioteca.

Com a chegada dos smatphones, cada pessoa passou a ter o poder de fazer seu registro de qualquer coisa que aparecesse pela frente. Desde um prato de comida até situações inusitadas capturadas ao redor do mundo.

Leia também: A Geração Que Não Sabe Esperar

Hoje ninguém pode fazer mais nada que não corra o risco de ser devidamente gravado por qualquer um que esteja próximo ao fato.

Desde então as fotos continuam tendo o poder de recortar a realidade e mostrar somente o que o detentor da câmera ou smartphone quer, com algumas exceções, recorrentes de erros que são constatados só depois que as fotografias já foram espalhadas pelas redes.

E todo mundo sabe que uma vez na rede, é impossível resgatar o que foi compartilhado sem que os cliques já tenham sido visualizados por dezenas, milhares de expectadores vorazes pela novidade.

Isso muitas vezes acaba gerando fofoca ou frenesi, por mais insignificante que seja a questão. Se teve foto tem motivo para falar sobre a situação registrada. Claro, cada um da sua própria perspectiva.

 

Capturar o Momento

Viajar é a forma de consumo que já vem de tempos remotos, onde aquele que tivesse cruzado o oceano era quem podia mais. Para as madames viajar para a França para comprar seus vestidos era o ápice do poder econômico. Mas, ainda hoje se dar ao luxo de uma viagem internacional ainda não é para todos. 

Acredito que ainda vamos demorar para chegar nesse patamar, se é que o vamos alcançar. Mas, hoje em dia, já é muito mais democrático poder viajar para todos os cantos do mundo independente do quão gorda é sua conta bancária.

Nesse mesmo caminho, viajar se tornou a nova forma de ostentação. Pessoas se endividando horrores para pagar por viagens em que o único objetivo é tirar fotos para postar nas redes sociais.

Carpe Diem já não tem o mesmo significado de outrora. As pessoas não aproveitam o dia da forma como faziam. Agora o importante é o resultado da foto para postar e descobrir quantos likes e followers seu post vai alcançar.

Follow

LIKES E FOLLOWERS

Marc Zuckerberg deu uma declaração que pode mudar o rumo do compartilhamento de imagens. Você pode pensar que eu estou exagerando, mas vamos em frente.

Surgiu um boato, que agora já foi comprovado, de que o Instagram está testando ferramentas para esconder o número de likes que aparecem nas fotos em forma de coração abaixo de cada foto. Foi o suficiente para deixar os usuários afoitos com a notícia.

Seria isto bom para frear essa necessidade desesperada por atenção em forma de likes e followers ou faria com que a plataforma perdesse o interesse dos que diariamente vivem para alimentá-la?

Like

Houve quem aplaudisse a ideia, alegando que finalmente o Instagram se mostrou preocupado com a saúde mental dos seus usuários e que uma atitude assim já era esperada há bastante tempo.

Obviamente, pessoas com um grande engajamento, número de curtidas e de seguidores, começaram a se preocupar se todo o esforço empreendido até então não seria jogado no lixo ante a medida.

Outra questão seriam as empresas que fazem seus negócios pela plataforma e não teriam mais este modo de promover seus produtos cheio de likes, sejam eles coisas, lugares ou até mesmo pessoas. 

CANDID x PLANDID

Em uma época em que o preço de um filme usado nas antigas câmeras para revelar as fotos era contado por poses, podemos dizer que era realmente uma revelação quando você descobria como tinham ficado suas fotos. 

Isso quando todas elas não eram queimadas e você ficava sem nenhuma lembrança daquele momento que você desejava registrar.

Com a chegada das supercâmeras esse problema não existe mais. E um novo comportamento surgiu de maneira mais contundente no mundo virtual.

Dezenas, centenas de fotos de uma mesma coisa podem ser tiradas sem esperar para ver o resultado que sai na hora na tela. E elas podem ser deletadas e refeitas a todo o momento.

Hoje, as reuniões com os amigos na sala de casa para mostrar as fotos de infância, praticamente acabaram. Raras são as vezes que as pessoas apreciam mostrar fotos tão reais como poderiam ser.

Não é preciso mais economizar nas poses e existe uma quantidade infinita de opções de filtros para deixar sua foto ainda mais perfeita. Tudo pode estar a mostra para todos.

Dois termos estão cunhados para definir o tipo de foto que está sendo apresentada nos feeds da vida:

Candid é um termo em inglês utilizado para definir fotografias que não foram planejadas, não foram “posadas” e não houve nenhuma preparação para obtenção do resultado final. Essas fotos são espontâneas.

Candid Cat

Normalmente, para capturar um clique espontâneo, uma tentativa é mais do que suficiente. E está no instante a capacidade de registrar a realidade da maneira mais fidedigna possível.

Plandid, em contrapartida, é a definição onde o que aparece na foto não é o retrato fiel do acontecimento em si, mas apenas uma possibilidade artificial de algo que se deseja mostrar. Ou seja, algo posado, pensado para parecer ser o que se demonstra.

Plandid seria a união de Planned e Candid, e apesar de ter um planejamento, a intenção é parecer autêntico, natural, cândido mesmo. Às vezes funciona, às vezes não.

Plandid

Com isso, não é incomum que hajam na maioria das vezes diversas tentativas na busca do clique perfeito. E não incomum, treinos e ensaios para a realização dessa foto. 

FOMO

Diante de tantas neologias que acompanham o desenvolvimento da tecnologia, “Fear of missing out” é o termo da vez. As pessoas tem abstinência de redes sociais. É o tal medo de não pertencer, de não estar por dentro de tudo.

Existe uma dedicação extrema para o “bafão” do momento, esquecendo que tudo isso é efêmero, amanhã ninguém mais se lembra de nada. Mas, se amanhã pode ser tarde, ninguém quer perder nenhuma oportunidade.

Likes e Followers

Vivemos a era das experiências únicas. Todos querem ser os primeiros a publicar algo, experimentar algo, ou criar algo.

Todo mundo também sabe do que está falando com a propriedade de um estudioso que passou meses, anos enclausurado em um laboratório implementando uma metodologia a fim de constituir um resultado honesto e embasado em fundamentos notórios.

As pessoas não querem abrir mão de expressarem sua opinião já que agora podem se transvestir de uma tela de computador e evitar a retaliação direta, ainda que mais recentemente já existam consequências e nem sempre ficam imputáveis ante suas manifestações.

Não estou dizendo que o excesso de informações que nos é disponibilizado hoje é prejudicial. Pelo contrário, é riquíssimo, mas se não soubermos filtrar e ordenar essas informações seremos mais um “alguém” que só está cheio de vazio.

Cheio de Vazio

Consequências

Que muitas pessoas já morreram – isso mesmo, MORRERAM – em busca de uma foto perfeita e continuam morrendo já é sabido de todos. A questão é porque elas continuam se arriscando para manter uma audiência.

Isso tudo é muito novo, os efeitos mais profundos dessas atitudes só serão sentidos daqui a algum tempo. Mas, as consequências de uma geração que decide fazer o que for preciso para ser aceito já está às portas.

Algumas vezes as pessoas colocam suas próprias vidas em risco, na busca da foto mais interessante, mais ousada, capaz de chamar a atenção daquele que está correndo o feed à procura de novidades e conseguir o cobiçado like.

Topos de prédios, trilhos de trem, carros em movimento. Vale tudo para se sobressair no mundo dos influencers, que como o nome já diz, influenciam as pessoas a seguirem seus passos.

Perigo no trilho do trem.jpg

Seria uma busca para encontrar seu lugar ao sol, no mundo das celebridades instantâneas que desfrutam de glamour e fama, sem muito esforço. Mas o custo pode ser alto e causar arrependimentos.

Essa necessidade de estar sempre um passo à frente está gerando pessoas ansiosas e por demais angustiadas, que vivem a vida pessoal como se fosse mais um dia de trabalho para se apresentar impecável diante do mundo.

Não obstante, pessoas que quebram esses paradigmas e são corajosas e ousadas o suficiente para “dar a cara a tapa” e mostrar a vida como ela é, também alcançam seu público.

Aquele que está cansado das máscaras e anseia por uma vida simples e sem maquiagem, no sentido mais amplo possível da palavra.

Resumo da Ópera

No fim das contas está tudo bem não gostar do lugar para o qual você guardou tanto dinheiro para viajar. Esquecer de tirar aquela foto de um lugar incrível também não é pecado. O que vale é desfrutar do momento e prezar pela sua própria felicidade.

Não podemos esquecer a viagem que existe por detrás da foto. Ela pode ser muito mais interessante que um simples clique ou absolutamente sem graça. Mas, esta é a realidade: a vida nem sempre é tão incrível ou miserável quanto uma captura pode mostrar. 

E você, o que tem determinado seus cliques? Já parou para pensar nisso?

Bom, por hoje é isso!

Até o próximo post!

KS.

 

 

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O que é Turismo Sustentável?

O que é Turismo Sustentável?

Existem tantas palavras novas que quando usadas juntas tem um significado completamente diferente. Mas, o que as palavras Turismo Sustentável combinadas, tem a ver? É o que eu vou te contar nesse post.

Turismo Sustentável

Deve surgir em sua mente nesse momento que Turismo Sustentável, pode ter alguma coisa a ver com sustentabilidade, portanto tem a ver com preservação do meio ambiente. Mas não é simplesmente isso, ele vai muito mais além.

Tanto o ambiente, a economia e a cultura local devem ser preservados em todos os sentidos o máximo que pudermos. Assim, além de preservar a estrutura física e incentivar a economia, garantimos que a posteridade tenha o que desfrutar.

Sendo assim, uma dica é parar de pensar individualmente e investirmos enquanto coletivo, para garantir que haja um futuro tão bom quanto para os que ainda virão depois da gente.  

Uma regra que deve absolutamente ser estabelecida e cumprida por todos nós é: devemos parar imediatamente de deteriorar os lugares que visitamos. É tão ruim quando ouço um guia dizendo que uma coisa era assim e não é mais porque alguém destruiu.

E eu ousaria ir mais longe ainda. Que tal pararmos de invadir a cultura alheia impondo nossas ficções? Isso mesmo, ficções. Por exemplo, a quantidade de pontes ao redor do mundo infestadas de cadeados não dá para mensurar.

Aqui mesmo no lago do meu bairro que é artificial e foi construído recentemente para dar mais qualidade de vida para os moradores tem algumas pontes que cortam as margens. E já tenho vislumbrado uma porção desses cadeados por lá.

O que essas pessoas não sabem é que fazendo isso elas iniciam um processo que só acaba quando o estado de alguma forma precisa intervir porque a ponte está preste a ruir. Isso mesmo, desabar.

Uma parte da Pont Des Arts, em Paris, desmoronou Rio Sena abaixo em 2014. Acredite, mas, 40 mil toneladas de “cadeados do amor” foram retirados das grades. Tiveram que colocar grades de vidro para impedir que novos cadeados fossem colocados.

pont-des-arts-paris

Isso tudo porque as pessoas, apesar do ocorrido, insistem em acreditar que o amor só durará para sempre caso algum cadeado preso em alguma ponte da vida dê a elas essa garantia.

É tudo muito romântico e bonitinho na teoria e eu não estou aqui para julgar nem desacreditar de ninguém. Mas faz isso no seu portão meu amigo. Se cada um fizer no seu está tudo certo.

Porque, além de deteriorar o patrimônio público, esse gesto, aparentemente romântico e simbólico, pode colocar em risco a vida das pessoas que circulam por essas pontes.

Apoiar o Desenvolvimento Local

Sabe aquela pousada super aconchegante que você encontrou na internet ou um amigo seu que já esteve no mesmo destino recomendou? Então, não acha que seria uma boa ideia?

Reservar essas pequenas pousadas, deixando de favorecer somente as blockbusters internacionais, até comprar coisas da “vendinha do seu João” e apoiar o artesanato local comprando o souvenir direto das mãos dos artesãos, são formas de contribuir para o Turismo Sustentável.

Isso não quer dizer que agora você vai boicotar as grandes redes, de forma alguma. Mas, não custa nada encontrar sua própria forma de exercer mais sustentabilidade enquanto viaja. E que legal deixar sua contribuição para o lugar que visitou.

Não deixa de ser uma troca, uma forma de agradecimento por ter passado momentos tão agradáveis que o lugar te proporcionou. Sempre saímos mais ricos quando conhecemos uma nova cultura, novos hábitos, por que não retribuir?

Pequenos Gestos

Sabe aquele recadinho nos banheiros dos hotéis pedindo que se deseja reutilizar a toalha você deve pendurá-la e se não deseja, deve deixar no chão ou em lugar indicado pelo hotel?

Então, já ouvi gente dizendo que porque está pagando o hotel quer toalhas frescas todo dia. E está tudo certo, isso vai de cada um mesmo. Eu tinha esse hábito de querer toalhas novas todo dia.

reutilizar Toalhas

Mas, com o tempo a gente percebe que ser tão exigente pode impedir que a gente contribua de alguma forma para o nosso planeta.

Estudos mostram que as toalhas devem ser trocadas entre 3 e 7 dias de uso dependendo do clima. Mais frequentemente quando está quente e úmido e menos quando estiver frio e seco.

Se cada um tiver sua própria toalha não há problemas, lembrando sempre de deixar longe do vaso sanitário. Aliás, amo aqueles banheiros que tem o vaso separado, mas sei que não é muito comum em alguns lugares.

Portanto, usar sua toalha de banho uma segunda ou terceira vez, pode de grande ajuda. E não digo para o hotel, mas pela água que vai ser economizada no reúso de sua toalha.

Ainda neste quesito, evite descartáveis! Quando sair para caminhar e desbravar os lugares, sempre leve uma garrafinha reutilizável com você. Além de preservar o meio ambiente, você economiza. Porque vou te falar, como água é cara!

Garrafa reutilizável

Verificar a descarga que deve ser puxada também ajuda a economizar água. Nos banheiros mais novos as descargas normalmente possuem mais de um dispositivo que determina a quantidade de água que será liberada. Isso economiza também.

Nem preciso falar que jogar lixo fora do lixo é inaceitável. Como boa curitibana, me dá calafrios quando vejo pessoas jogando lixo até aqui na Suíça mesmo. Em casos mais sérios já cheguei a chamar a atenção do cidadão.

Outra coisa que você pode fazer para contribuir é trocar o ônibus, metrô ou carro por bicicleta ou uma caminhada. Eu sou um desastre de bicicleta, mas gosto de caminhar. E no fim, não tem nada melhor para realmente conhecer o lugar visitado.

Andar a pé ou de bicicleta

Não dá para esquecer dos animais nesse caso. Gente, esquece aquilo de tirar foto com tigre dopado, andar nas costas dos elefantes que são maltratados e alimentar animais que você nem sabe sobre a dieta.

Já falei sobre isso no post da minha viagem para o Camboja, mas sempre tem que lembrar, porque as pessoas normalmente só se importam com o próprio nariz, mas passou da hora de começarmos a nos importar mais com o outro, inclusive os animais.

O que torna o Turismo Sustentável tão inovador, é que ele precisa da ação direta do turista para acontecer. O resultado disso depende de como você, que está visitando o local age e reage às circunstâncias.

Se o turista não chamar a responsabilidade para si e ser um agente efetivo dessa transformação esse tipo de turismo não vai acontecer, o que é ruim para todo mundo.

Portanto, está mais do que na hora te respeitarmos a comunidade em que vamos nos inserir no período de nossa viagem e trazer isso para a nossa vida no dia a dia. Afinal, nunca é demais cuidar da nossa sociedade.

Até o próximo post!

KS.

 

 

 

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5 Erros Comuns em Viagens

5 Erros Comuns em Viagens

10 erros em viagens

Achar que tudo é como no seu lugar de origem é algo comum para quem sai pela primeira vez do país em busca do desconhecido. Hoje, após inúmeras viagens, eu te conto 5 erros comuns que vi muitas pessoas cometendo, inclusive eu.

A questão é que muitas vezes as pessoas saem despreparadas e acabam passando por situações, no mínimo, inusitadas. É claro que todo mundo comete erros, eu mesma cometi alguns deles, mas sempre procuro não cometê-los uma segunda vez.

A lista aqui é curta por falta de espaço, pois teria que escrever um livro para caber tudo o que já vi. Quando as pessoas atravessam culturas e não abrem a mente a fim de respeitar o território alheio, o prejuízo na viagem vai ser sentido em alguma proporção. Mas vamos à lista:

1. Não Estudar o Destino

Achar que tudo é exatamente como está na sua cabeça só serve no conto de fadas. Na vida real precisamos ter responsabilidade e respeito. Muitas vezes as pessoas nem sabem que estão desrespeitando a cultura alheia. Neste caso, a culpa é só dela mesmo.

Às vezes a ânsia de fazer a viagem dos sonhos e a vontade de chegar logo no tão sonhado destino, fazem com que a única coisa que as pessoas se preocupem seja a mala de viagem.

Procurar se informar sobre o lugar para o qual está viajando nem passa pela cabeça do viajante sonhador, mas deveria. Pesquisar sobre o lugar leva alguns minutos e não vai matar ninguém.

Estudar o destino

Minha recomendação para as pessoas que estão indo pela primeira vez viajar para outro país é estudá-lo ao máximo. Desde hábitos, leis e costumes até lugares diferentes para visitar.

Além de você aproveitar ao máximo a viagem de quebra evita outros problemas mais sérios, como quebrar uma lei que não faz o menor sentido para você.

Está indo para Cingapura? 10 leis que você não vai querer quebrar

2. Vestimentas

Vejo brasileiros que batem no peito e querem fazer valer a regra do faço e visto o que quero. Mas, nem todos os países são tão tolerantes como o Brasil, ainda que você alegue que não viva em uma democracia, o que eu concordo em alguns aspectos, mas esse não é um deles.

Se você insistir em se vestir como está acostumado no Brasil, vai se dar conta de que deverá abrir mão de visitar alguns países.

Após esse conselho, se você ainda assim decidir que vai de qualquer forma para alguns desses países, vai ter que passar longe de muitos locais que seriam a razão principal da visita a eles.

Por exemplo, se quiser visitar os incríveis templos sagrados é imprescindível que você cubra os ombros e os joelhos, ou você não vai pisar dentro deles. Em alguns outros a cabeça também deverá ser coberta pelas mulheres. Nessas culturas, a noção do que é sensual é completamente diferente do que é para os brasileiros.

Vestimentas
Roupas confortáveis, que cubram os ombros e os joelhos são obrigatórias nos passeios por templos sagrados ao redor do mundo.

Por isso, é importante pesquisar a respeito das vestimentas que deverá levar para cada país que viajar.

Quando você contrata um guia, normalmente ele já te avisa se sua roupa é “aceita” ou não. Me lembro de quando fui ao Angkor Wat no Camboja, não pude subir em uma parte do templo que precisa de supervisão.

Apesar de estar devidamente trajada para entrar no templo, minha camiseta era de manga curta e por isso não passei pela “triagem”.  Eles alegaram que como precisaria fazer uma pequena escalada, o lenço poderia cair e assim os ombros ficariam à mostra. Deu para perceber que eles levam isso bem a sério!

3. Questões Práticas

Já avisou seu banco que vai viajar? Sim, você tem que avisar com antecedência para poder usar o cartão fora do território brasileiro, mas muita gente esquece disso. Essa medida tomada pelos bancos é uma forma de evitar fraudes.

Quando fui para a Ásia e fiquei 3 meses viajando, apesar de ter avisado ao banco de que viajaria por 3 continentes em um espaço relativamente curto de tempo, tive meu cartão bloqueado

conta-bloqueada

Na verdade todo o acesso a minha conta foi bloqueado pelo banco, que eu usava por meio de um aplicativo. No momento do bloqueio eu estava em uma ilha do tamanho de uma ervilha no Golfo da Tailândia.

Um problema que me tirou noites de sono, afinal o fuso-horário era de 10 horas. Isso me fez gastar com telefone, e me gerou contratempos bem desagradáveis. Tudo isso com eles alegando que era para a minha própria segurança.

Apesar de eu ligar do telefone que estava registrado no sistema do banco e mandar e-mails da minha conta pessoal que também está registrada nele a resposta era sempre negativa.

Nem minha gerente do banco, que estava ciente do episódio, tinha autonomia para liberar o meu aplicativo, ainda que minha mãe tenha ido pessoalmente solicitar ajuda. 

No fim das contas, após mandar um e-mail bem contundente prometendo um pequeno processo para o cara que realmente mandava, afinal, nunca ninguém é responsável por nada nos bancos brasileiros, ele pediu desculpas e liberou meu acesso.

Eu tomando todos os cuidados anteriores ainda tive problemas, imagina se não tivesse comunicado ao banco que viajaria.

Portanto, NUNCA esqueça de fazer a notificação de viagem. Eu recomendo fazer pelo internet banking, mas se tiver qualquer dúvida, vale a pena ir pessoalmente informar o seu gerente sobre o seu roteiro.

Para evitar surpresas, sempre leve uma quantidade de dinheiro reserva para arcar com pequenas despesas nesse período. Nunca se sabe!

4. Achar Que Coisa Ruim Só Acontece No Brasil

Gente, que o Brasil tem índices alarmantes de violência, todo mundo sabe. Mas, acredite, nós não somos os campeões de tudo de ruim que acontece no mundo não. Gente ruim, safada e sem moral tem em todo o lugar.

Por isso, precisamos saber identificar a postura que devemos tomar em cada lugar que visitamos. Por exemplo, Paris é um lugar que você tem que ficar bem esperto. Principalmente em metrôs, estações de trem e lugares mais afastados.

Ano passado peguei um trem (TGV) de Dijon até Paris, e assim que chegamos na estação Gare de Lyon, fomos abordados por um casal que estava em frente a um caixa eletrônico. A mulher perguntou se falávamos inglês e pediu para que a ajudássemos a sacar dinheiro. 

Meus amigos escolados em Paris, me puxaram pelo braço e me alertaram sobre ser um golpe super comum. Eles te pedem ajuda, conquistam sua confiança e te assaltam. Quando retornamos à estação, lá estava o mesmo casal tentando aplicar o tal golpe.

Por lá é muito comum os chamados pickpockets, os famosos batedores de carteira. Não foram nem 2 e nem 3 amigos que já foram roubados por lá. Acredite, todo cuidado é pouco, ainda que você esteja na maravilhosa Paris.

Pickpocket
Importante estar atento aos chamados pickpockets que aproveitam sua distração para furtar carteiras e itens de valor.

Quando estiver de turista tirando fotos e babando nas paisagens, tome cuidado com bolsas, câmeras, óculos e demais acessórios. Uma vez bobeei e perdi um óculos novinho em uma piscada.

Geralmente em países mais ricos a possibilidade de ser assaltado é sim pequena, mas eles agem na sua distração. Não esqueça que onde tem muitos turistas, também tem gente esperta tentando se dar bem. Algumas vezes pode ser até mesmo outro turista.

Outra coisa que é importante tomar cuidado: cofre de hotel. Nunca esqueça de trocar a senha. E se você tiver mala com cadeado, acho preferível deixar documentos e coisas de valor dentro dela. 

Já tive problemas com vários cofres, apesar de nunca ter sido furtada. Mas, eles não são garantia de segurança total. Então fique atento e avise o gerente do hotel caso note alguma coisa estranha, como cofre aberto e coisas remexidas, nunca se sabe!

5. Parceria

Em algumas viagens estive com pessoas que não tinham exatamente nada a ver comigo. Sabe quando você gosta de aproveitar o momento e curtir o visual sem badalação e necessidade de falar com cada estranho que passa na sua frente? Essa sou eu.

Amo museus e gosto de ficar horas apreciando as obras expostas. Gosto de ir a restaurantes para experimentar comidas diferentes ou me aventurar nas comidas de rua. E não acho ruim tirar um dia para aproveitar o spa do hotel ou mesmo um filme na TV estrangeira.

Sou mais na minha mesmo e não vejo problemas nisso. O que não quer dizer que eu não faça amigos quando viajo. Já fiz muitas amizades que permanecem até hoje. Outras pessoas passaram pela minha vida e não permaneceram. Isso é a lei natural das coisas.

Mas a realidade é que cada um aproveita a sua vida de uma maneira única. Ao meu modo me divirto muito, mas se tenho que me adaptar a uma pessoa completamente diferente, a viagem pode ser bem estressante.

Parceria

Claro que cada um tem que ceder um pouco. Mas imagine que você gosta de sentar a beira da praia e curtir o barulho do mar enquanto toma sol e a outra pessoa está dormindo porque planeja ir para aquela balada durante a noite e beber todas?

Já passei por isso e o resultado: mal nos vimos durante a viagem. O pior é quando éramos forçados a ficar juntas e isso acabava sendo bem chato. Não sabia nada do que a pessoa estava falando e nem ela de mim.

Por isso é bacana trocar figurinhas sobre o que vão fazer antes da viagem e se estiver tudo bem cada um ir para um canto diferente, ok. Afinal, o combinado nunca sai caro!

E você já teve alguma experiência que se arrependeu, mas era tarde demais? Conta para a gente nos comentários.

Até a próxima viagem!

KS.

 

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A Geração Que Não Sabe Esperar

A Geração Que Não Sabe Esperar

Telefone nas mãos em qualquer cidade ou país que já estive. Essa é a imagem que me vem a mente agora. Até mesmo nos lugares mais rústicos e nas mais bucólicas paisagens, em algum canto que se olhasse o smartphone despontaria em algum momento, supremo. Mas, afinal, o que isso tem a ver com ser, de fato, a geração que não sabe esperar?

Quando eu me refiro a geração, incluo todos os que vivem nesta Era da Tecnologia. Pois, essa “síndrome” não afeta só os mais jovens não. Há aficionados pela tecnologia de todas as idades.

A questão é tentar entender o porquê de todo mundo precisar ter um aparelho nas mãos. Por que as pessoas escolhem ver o mundo por meio de um telefone celular, ao invés de olhar direto para a paisagem em sua frente e desfrutar sua beleza real e pura?

O mundo visto pela lente do celular

O tempo hoje passa que a gente nem vê. Por que antes a sensação era de que ele não passava nunca? Será porque tínhamos que inventar coisas para passar o tempo e hoje já não sobra tempo para tudo o que temos para fazer?

Aposto que você já foi ao banheiro com o celular na mão, ou já ficou usando o celular durante um jantar com os amigos. Ou ainda quase tropeçou por não tirar os olhos da tela.

Hoje temos a necessidade de sermos onipresentes. Estamos em todos os cantos do mundo sem sair do lugar. Mas isso também cansa.

Para isso vamos tentar fazer uma breve linha do tempo de como nossos ancestrais não tão distantes faziam para se divertir ou fazer de seu tempo algo produtivo. Assim vamos tentar entender o porquê as pessoas de hoje não sabem esperar.

Passatempo

Quando você lê livros mais antigos sobre romances da época de nossos avós e bisavós você consegue ter uma noção clara de como as pessoas de outrora usavam o seu tempo e o que costumavam ter como passatempo.

Uma palavra que se você notar bem caiu em desuso. Hoje em dia não precisamos mais de algo para passar o tempo, mas sim para desacelerar. Nunca se ouviu falar tanto em meditação, mindfulness e minimalismo como hoje em dia.

Mas antes era basicamente assim: as mulheres tricotavam, tomavam chá com as amigas, saíam às compras quando sua situação financeira permitia.

Outras iam dar uma volta para ver o movimento da rua, de repente paravam em uma confeitaria pelo caminho. Outras mais ousadas, se voluntariavam para ajudar a cuidar dos enfermos e crianças nos hospitais pelo mundo.

Já os homens, se reuniam em suas casas ou clubes para fumar seus charutos, jogar cartas ou outros jogos, andar a cavalo, fazer apostas ou coisas do tipo.

Para viajar para algum lugar, os animais eram os meios de transporte, portanto dependia do passo do animal para saber quando chegaria ao seu destino, até a chegada dos primeiros veículos automotores.

Não era possível saber das notícias que aconteciam nem na cidade vizinha em tempo real, quanto mais em outro país ou continente. Quando os primeiros jornais apareceram, falavam sobre coisas irrelevantes em termos de comunicação global.

Quando essa comunicação de fato começou a se estabelecer, o jornal demorava meses para atravessar o oceano e chegar em cantos mais remotos. Afinal, não tinha como postar online, ou mandar via e-mail. Já que a internet ainda era algo que não era palpável, por assim dizer.

Televisão

Com a chegada dos anos 60, ela se tornou a babá, a melhor amiga, a companheira, pois possuía todos os atributos que os passatempos anteriores tinham e muito mais. Por isso ela passou a fazer parte integral da vida das pessoas. Era a nova protagonista da casa. Sim, estou falando da televisão.

Essa foi a primeira grande tecnologia depois do rádio que teve realmente impacto na questão do entretenimento na vida das pessoas. As vozes gravadas nos rádios, se transformavam em telenovelas e depois em outros programas. Assim a audiência foi crescendo conforme o aparelho foi se popularizando.

Por vezes, ela era compartilhada por amigos, vizinhos e desconhecidos, a fim de desfrutarem do entretenimento no seu mais elevado grau de fixação e de ficção até o momento. A sala virava um cinema.

Afinal, as primeiras televisões eram privilégio somente dos mais abastados, como aconteceu depois com os primeiros celulares, até a sua vigente democratização.

Hoje aquela antiga TV foi descartada. As que sobraram viraram peça de decoração ou foram substituídas pelas SMARTV’s, capazes de desempenhar as funções mais impressionantes possíveis.

Televisão antiga

Mais do que as potentes e modernas televisões, hoje em dia, reinam absolutos os aparelhos individuais de smartphones. Foi-se a época de brigar pelo controle da TV. Ou dividir a sala com o restante da família.

Cada um agora vai para seu quarto e não precisa dividir mais nada. Cada um faz o que quer no seu próprio telefone que é só dele e de mais ninguém. A senha, que é a primeira coisa a ser inserida no celular após a compra, não me deixa mentir.

Com a multiplicação da tecnologia, as opções de entretenimento se tornaram inúmeras e tudo ficou ao alcance de um clique. Quase como se o telefone fosse a continuação do braço, como bem previu Marshall McLuhan, quando escreveu “Os meios de comumicação como extensão do homem”.

Celular ou Acompanhante?

As paisagens são delimitadas pela lente da câmera. Ninguém aproveita mais o momento sem a necessidade de registrá-lo, para o quanto antes compartilhar com o mundo virtual. O que importa naquele momento é o recorte feito pela tela do celular que dá a sua versão da realidade.

Recorte Momento Foto

Aqui aquela máxima de que a tecnologia aproxima quem tá longe, mas afasta quem está perto se torna realidade constante.

O ciclo se torna sem fim. Você posta e analisa o que foi postado pelos outros. E então, o medo da solidão ou talvez de perder a última foto ou “bafo” do momento, faz com que as pessoas deslizem seu feed à exaustão em busca da próxima foto.

Temos até nome para isso agora: FOMO, “fear of missing out”, que significa ter medo de perder algo, de ficar de fora, sabe como?! Claro que você sabe.

O imediatismo, a ânsia de alcançar o objeto de desejo, seja ele algo ou alguém, nos torna a geração dos apressados. Esse alto nível de stress e ansiedade não poderia ter um resultado diferente.

Crianças inseguras, diante de expectativas inatingíveis e sem domínio próprio, tornam-se serem humanos distraídos e incapazes de viverem, ou quem dirá, apreciarem o momento.

O medo da solidão é tão constante que pensar em ir ao banheiro sem o celular causa a sensação de que está faltando alguma coisa. o tal de FOMO novamente.

Sem contar que esse aparelho tão pequeno, tem todas as respostas do mundo em uma rápida pequisa nos mecanismos de buscas, mas elas são muito mais do que um indivíduo é capaz de processar.

Por volta de 3 anos atrás, mandei meu celular para o conserto e decidi aproveitar para ficar desconectada por um período maior, algo em torno de uns 20 dias. Sendo assim, excluí o acesso às redes sociais pelo computador também.

Foi uma experiência curiosa. Nos primeiros dias, tive o que posso chamar de abstinência. Ficava inquieta, incomodada. Tinha a todo o momento que procurar algo para me distrair e a televisão voltou a ser minha companheira no fim do dia e em momentos mais solitários.

Era como se eu estivesse por fora do que estava acontecendo. A ausência nas redes sociais fez com que eu deixasse de pertencer ao círculo de amizades distantes ao qual as redes sociais me garantiam a adesão.

Midia Social

Fiquei me perguntando se houvesse uma pane mundial, como essas que deixam as pessoas alvoraçadas, enfurecidas e revoltadas com um possível bloqueio do WhatsApp ou uma instabilidade no Facebook ou Instagram.

Acredito que as pessoas enlouqueceriam, o que me faz pensar que a tecnologia é um caminho sem volta.

Bom, depois desse tempo voltei a usar o telefone e as redes sociais, acredito que de maneira mais consciente. Não pude evitar de me sentir novamente “parte do jogo”, mas também não posso negar o quanto me fez bem escolher estar ou não nele.

Saber que posso viver sem essa extensão do meu corpo me fez ter um maior auto conhecimento. É inevitável não me lembrar de Zygmunt Bauman. Um sociólogo que brilhantemente nos anos 90 descreveu com impressionante lucidez o mundo moderno – ou pós-moderno, se assim o desejar:

em uma vida moderna líquida não há laços permanentes, e qualquer coisa que seguramos por um tempo deve ser amarrada vagamente para que os laços possam ser desatados novamente, tão rápido e tão facilmente quanto possível, quando as circunstâncias mudarem”

Se Não Teve Foto Não Aconteceu

Quantas pessoas atravessam as ruas sem tirar os olhos da tela dos telefones, correndo o risco de serem literalmente atropeladas. Outras estão diante de uma paisagem de tirar o fôlego, mas o que importa é mostrar para outra pessoa, porque se eles não virem não vão acreditar que é verdade.

Quem nunca ouviu algum espertinho dizendo que “se não teve foto não aconteceu”? Afinal, vivemos uma época em que tudo que fazemos deve ser corroborado com uma foto nas redes sociais. Nem namorado você pode afirmar que tem se não tiver uma foto estampada do “mozão” no Instagram.

Um dia eu estava falando sobre um lugar em que estive que era realmente maravilhoso, mas não tive oportunidade de tirar nenhuma foto e ouvi que era muito estranho eu ter estado naquele lugar e não ter feito fotos.

Se isso tivesse ocorrido anos atrás, provavelmente eu não seria inquirida quanto às fotos que não tirei ou tirei e não eram exatamente como vi. Simplesmente porque antes não havia a facilidade de obter um click como há hoje.

A minha vontade ou capacidade de registrar não é mais levada em conta. É quase que mandatório que você o faça.

Outro dia tirei uma foto de um céu absurdamente rosa, pensa na minha decepção quando me dei conta que meu celular não era fiel ao que eu realmente estava vendo. Como eu poderia ser crível se a foto em si não era?

Céu rosa

Sem contar que em algum ponto vou estar tão absorta ao momento e ao cenário que posso me esquecer de registrar ou não ter meios de fazê-lo e preciso estar bem quanto a isso. Gosto muito de compartilhar as minhas experiências, mas jamais terei isso como obrigação.

O grande problema é que vivemos em uma sociedade que tem que provar tudo o tempo todo para todos e a si mesmo. Talvez seja a hora de tentar levar a vida mais leve, curtir aquela viagem dos sonhos sem ter a obrigação de mostrar que você chegou lá.

Fazer uma paralelo da sua vida com as redes sociais incessantemente não pode ser saudável. Ainda que nosso trabalho seja “online” precisamos nos desconectar dessa realidade virtual em algum momento e desfrutarmos do que a vida tem para nos oferecer de forma real.

Autoconfiança é uma coisa escassa atualmente e quando você se vale dela, você passa a desfrutar de coisas surpreendentes, pois agora você é testemunha ocular de sua própria vida. Com isso, você passa a ter o controle dela, mas isso talvez demande mais esforço. E mais uma vez citando Bauman:

Não parece haver esforço na parte virtual de nossos vidas. Para mudar o mundo, os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.”

Às vezes é mais cômodo o atalho, não é mesmo?

E você, o que pensa dessa ânsia em que vivemos o tempo todo, esperando por algo que nem sabemos o que é ou se vai acontecer?

Deixe seu comentário e conte para a gente como é sua relação com a vida virtual.

Até o próximo post!

KS.

 

Publicado em Cultura, Dicas, Viagem

O Que Você Precisa Saber Antes de Viajar Para o Exterior

O Que Você Precisa Saber Antes de Viajar Para o Exterior

As coisas podem ser difíceis se você decide mudar para o exterior em diversos aspectos e cada um tem que saber lidar com isso à sua maneira. Existem algumas coisas que você precisa saber antes de viajar para o exterior ou mudar definitivamente.

Dicas Práticas Para Viajar Para o Exterior
Quando você viaja um mundo novo se abre para você

Seja uma viagem de férias ou uma mudança “definitiva”, existem fatores que devem ser levados em consideração quando você decide deixar o país. Desde situações práticas, até medidas que vão lhe ajudar a ter uma viagem tranquila ou lidar com a mudança e se adaptar à nova cultura.

Leia também Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

Um clichê de que vou me valer nesse post  é “o seguro morreu de velho”. Afinal, usando mais um, “é melhor pecar pelo excesso”! Então preste atenção nos detalhes para não se deparar com armadilhas que você poderá perceber somente quando já for tarde demais.

Investindo No Lado Emocional

Nem só de razão vive o ser humano. O lado emocional pode ser um fator decisivo na hora de decidir passar um tempo a mais sob os ares de outra cultura e ele não deve ser deixado para escanteio de forma alguma.

Lado Emocional
Não dar atenção ao lado emocional pode ter consequências inesperadas

Procurar se adaptar à sua nova situação pode ser crucial, até para que você decida se vai ficar ou não no lugar escolhido. Criar expectativas muito fantasiosas pode causar um tombo do qual talvez você não consiga se recuperar tão rápido.

Neste momento você já tem uma cultura diferente inteirinha para se adaptar, essa NÃO é a hora de inventar moda e piorar as coisas para o seu lado. Por isso, é importante tomar cuidado com isso.

Mas, o que você quer dizer com isso Kacau? Eu quero dizer o seguinte: se você mora sozinho durante muito tempo no Brasil, venha morar sozinha (difícil à beça também).

Ainda que você tenha um (a) namorado (a) sensacional, e queiram viver juntos eternamente, ou aquela amiga que é quase uma irmã, nem pense em dividir o mesmo teto que eles sob novos ares.

Isso mesmo que você leu! Ah, mais com alguém é sempre mais fácil. Se for seu marido ou alguém com quem você já more junto no Brasil, está tudo certo. Mas, essa não é a hora de testar se o amor e a amizade de vocês são fortes e verdadeiros o suficiente.

Ainda que seja, não há amor que resista a tanta mudança e adaptação. Gente, morar fora não é brincadeira não. Pergunta para pessoas que tiveram que mudar suas vidas completamente de uma hora para a outra a quantidade de perrengue e sentimentos pelos quais passaram.

Imagine viver 24 HORAS por dia ao lado de alguém que você não convivia antes, portanto não sabe nada sobre seus costumes, hábitos e principalmente DEFEITOS, que neste caso vão pesar muito mais.

Debaixo de uma pressão que já não é pequena, esses defeitos podem tomar uma proporção astronômica. E o que era conto de fadas pode virar um thriller bem pesado.

Morando junto Briga

Na minha época de faculdade, após tentar por uns longos dois meses morar com uma moça, decidi que nunca mais dividiria apartamento com um estranho. Nada contra ela, que tinha seu próprio modo de viver.

O problema é que já no Brasil o choque cultural que existe entre as regiões foi, para mim, pior do que quando mudei de país. E também, não tem nada melhor do que seu canto, suas coisas, sua maneira de agir ou lidar elas.

Ser obrigado a se adaptar e ainda mudar seus hábitos, pode significar muito stress e desencadear problemas mais sérios sem que você perceba. Portanto, minha dica nesse caso é para que você tenha cautela e tente mudar o menos possível a forma como vivia antes.

Eu aconselho você a NÃO SE ISOLAR. Criar conexões vai te ajudar a manter uma rede de apoio que pode significar a indicação para um emprego, tirar dúvidas, te ajudar a se acomodar e a entender melhor o estilo de vida local.

Se achar que está sobrecarregado talvez seja a hora de falar com um terapeuta. A terapia pode te ajudar a lidar melhor com suas emoções e canalizá-la para outras coisas mais produtivas. Praticar esportes e ter uma rotina ativa, vai fazer toda a diferença na sua qualidade de vida.

Faça caminhadas ou corridas diárias. Isso vai te ajudar a se familiarizar com a região que você mora e de quebra, deixar as doenças e o stress bem longe. Yoga e meditação são técnicas sensacionais se você prefere ficar em casa, sem deixar de cuidar do seu corpo.

Aprenda o idioma local. Eu mesma, já perdi oportunidades ótimas assim que cheguei na Suíça, porque moro no cantão alemão. Tive uma imensa dificuldade de aprender o idioma porque apesar de eu aprender alemão na escola, nas ruas você pratica o suíço-alemão.

Mas, ainda assim acho válido aprender o alemão aqui, já que nas escolas, empresas, o alemão é mais usado, ainda mais porque vai ter gente de todos os cantos do globo. O inglês me salvou e me salva todos os dias quando não entendo o que está sendo falado, mas, é sem dúvida muito importante não se limitar a ele, caso não seja o idioma do país escolhido.

Enfim, não é tão fácil assim mudar de cidade, quanto mais de país. Mas, te garanto que tem sim seu lado positivo. Nesse post Morar Fora é Bom?, eu falo mais sobre como é mudar de país, corre lá e aproveite para saber mais sobre esse novo mundo que se abre para você.

Usando a Tecnologia a Seu Favor

Lembra daquela máxima “a tecnologia separa quem está perto e une quem está longe”? Pois é, essa é a hora de se valer dela. Com tantas ferramentas disponíveis para entrar em contato com aqueles a quem amamos, neste momento ela será de extrema valia.

Usando a tecnologia a seu favor

Portanto, se joga! Skype, WhatsApp, Telegram, FaceTime, Facebook, Instagram, não importa o nome da ferramenta que você vai usar para falar com familiares e amigos, apenas fale!

Lembro quando eu e minhas duas irmãs éramos pequenas e meu pai morava do outro lado do globo. As ligações tinham que ser muito rápidas, porque eram de um valor absurdo.

Para podermos falarmos mais, nos comunicávamos por meio de cartas. Sim, CARTAS! Como sinto saudade delas. Além de escrever, desenhávamos nas cartas, ou investíamos em saudosos papeis de carta, a fim de demonstrar todo o nosso amor ao papis.

O mais engraçado, é que naquela época, o preço do envio era determinado por peso, mas não como hoje que o peso é medido por níveis. Antes era o peso específico daquela carta e o valor era calculado baseado nisso.

Sendo assim, a carta tinha que ser o mais leve possível para ficar mais barata e para isso escrevíamos à lápis. Exatamente! A tinta da caneta pesa mais… 🙂

Carta escrita a lápis.jpg

E também tinha o lance da espera. Não existia Sedex 10 ou Sedex Hoje. Eram dias e mais dias de espera até receber ou ter sua carta recebida no destino. Às vezes, a gente até esquecia que tinha mandado e só lembrava porque chegava a carta-resposta.

Hoje em dia, se você dispõe de ferramentas modernas e, principalmente, com custo baixíssimo ou até zero, não economize. Escolher pelo isolamento, nesse primeiro momento, pode ser muito doloroso e isso pode fazer toda a diferença em como você vai seguir em frente (ou não).

Se Sua Viagem é de Férias ou a Trabalho Não Esqueça de:

1. A esta altura o visto já deve estar pronto. Mas, se você por acaso ainda está planejando a viagem, leia este post sobre os Países Que Precisamos ou Não de Visto de turismo. Essa é sem dúvidas a primeira medida a ser tomada quando você decide o destino que quer viajar.

2. Desbloquear o cartão de crédito para uso fora do território brasileiro é indispensável se você pretende usar seu cartão no exterior. Você pode fazer isso direto na sua agência ou pelo aplicativo. É super simples e, acredite, pode salvar sua vida. No post Aplicativos Úteis Na Sua Viagem, eu dou dicas de outros aplicativos que podem te ajudar muito.

3. Trocar dinheiro pela moeda local. Em toda a viagem você precisará levar uma quantia de dinheiro local. As ATM’s (Automated Teller Machine), o mesmo que os nossos caixas eletrônicos para saques, geralmente tem uma taxa ruim, então o ideal é levar dólar para trocar pela moeda que vai precisar em casas de câmbio que você pode pesquisar previamente. Normalmente as do aeroporto não tem boas taxas . O Real é muito difícil de trocar e geralmente quando você encontra um lugar que o faça, a taxa de câmbio nunca é favorável.

4. Levar remédios para o período todo que ficará fora. Por conta das leis de cada país, um remédio que no Brasil é comprado sem receita pode ser de uso controlado fora do território nacional. Portanto, leve com você a prescrição do seu médico caso seu remédio exija e leve a quantidade para o período inteiro. Acredito que ninguém quer ficar sem um remédio que precise durante uma viagem. E vai ser bem difícil conseguir em uma farmácia mesmo os remédios que no Brasil são vendidos sem receita.

Primeiros socorros para viagem

5. Vacinas. Alguns países solicitam dos brasileiros vacina contra a Febre Amarela. Mas, não adianta aquele comprovante de vacinação do postinho. Você precisa ter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP). Confira como tirar o seu neste postVacinas – Vai Viajar? Veja o Passo a Passo a Seguir. A antecedência aqui deve ser de no mínimo 10 dias, mas eu recomendo uns 15 para garantir que você esteja bem caso tenha reação à vacina.

6. Sabia que no Brasil é possível solicitar o desligamento de serviços básicos UMA VEZ AO ANO, sem taxas extras por isso? Por isso, recomendo progamar o tempo de desligamento destes serviços com antecedencia, pelo período que ficará fora. Assim, você não paga por um serviço que não vai usar. Isso vale para a TV a cabo, internet e telefone também. Caso opte por não desligar, não esqueça de remover os plugs das tomadas. Além de economizar energia, evita danos em caso de pane elétrica e raios.

7. Esvaziar a geladeira e as lixeiras. Viajar é uma delícia, mas voltar para casa é sempre bom. A não ser que você tenha esquecido desta dica. Imagine chegar em casa com um cheiro horrível de lixo e ainda se surpreender com a comida que estragou na geladeira em caso de queda de energia ou coisa parecida? Melhor garantir, esvaziar tudo e deixar tudo desligado.

8. Pagamento das contas. Nunca é demais lembrar que as contas devem ser pagas com antecedência ou programadas em débito automático a fim de evitar surpresas  desagradáveis na volta, assim como pagamento de juros por atraso. Caso não possa deixar a conta em débito automático, não esqueça de pedir para alguém de confiança fazer os pagamentos.

9. Cópia dos documentos solicitados na imigração, como reserva do hotel, passagem aérea e seguro saúde. Isso vai garatir que seu passaporte e outros documentos originais estejam seguros no cofre do hotel. Com exceção da carteira de motorista, caso queira dirigir no exterior, que deverá ser a original.

10. Não esqueça de pedir àquele vizinho maneiro colocar água nas suas plantas e alimentar aves, peixinhos ou outros animaizinhos que você tiver. À essa altura eu espero que você já tenha providenciado um lugar para seu pet que não pode ser deixado sozinho.

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Se Sua Viagem é Para Morar Fora

1. A primeira coisa que eu aconselho se você vai morar fora é deixar uma procuração pública delegando amplos poderes para alguém em quem você realmente confie. Isso vai te ajudar a resolver problemas no Brasil por meio de um representante e não precisará voltar ao Brasil sempre que tiver algum assunto urgente para resolver.

2. Defina o lugar que vai morar com antecedência. Você economiza muito mais alugando um apartamento e pagando por mês, do que ficando no pior hostel da cidade pagando por dia. Sendo assim, minha recomendação é pesquisar o lugar, se informar sobre o bairro e a vizinhança e já fechar o contrato antes da viagem, tomando as medidas e garantias necessárias neste caso, é claro. Golpe existe em todo o globo, acredite em mim.

Home Sweet Home

3. Diferente de viagem de turismo, acredito que todos os países do globo exigem visto de residência. E como já falei lá em cima, a essa altura o visto já deverá estar estampado no seu passaporte. Portanto, se é visto de trabalho, de estudante, de investidor ou seja lá qual a modalidade que você está optando, recomendo tirar no Brasil diretamente na embaixada do país de destino. As coisas se complicam bastante quando você diz no momento da imigração que vai passear quando na verdade está indo para morar. Tenha em mente que os agentes fazem isso todo dia o tempo todo e sabem exatamente como te fazer cair em contradição. Leia mais sobre isso no post Missão Aeroporto – Como Não Ser Barrado na Imigração.

4. Depois de você decidir que realmente vai ficar no país escolhido, tenha em mente de que a sua ambientação no país não será tão fácil como parece e qualquer situação pequena que aconteça vai fazer você pensar imediatamente em voltar para casa. Muita calma nessa hora. Se você chegou até esse ponto é porque já passou por muita coisa. Então siga em frente e não se desespere. Em algum momento as coisas vão melhorar. Leia esse post “Não Me Toque” que você vai entender melhor o que se passa na cabeça dos estrangeiros e assim conseguir lidar melhor com essa situação.

5. Pesquise sobre o destino. Leia tudo que puder e o que não puder sobre ele. Os hábitos, costumes, maneiras de agir. Tudo deve ser analisado para evitar situações embaraçosas ou até problemas maiores. As leis do país devem estar na ponta da língua. Afinal, você não vai querer quebrar nenhuma, certo?!

viajar faz bem

Eu sei que é muita coisa para pensar, mas com planejamento feito com certa antecedência as coisas fluem e acaba nem sendo tão difícil assim. Na minha primeira viagem longa em que passei 3 meses na Ásia, quase desisti.

Mas quando você foca, as coisas desenrolam e você percebe que todas estas questões são práticas e relativamente simples de serem executadas.

Sendo assim, desejo uma excelente viagem e muito sucesso em seu futuro, caso a mudança seja definitiva.

Vejo você no próximo post!

Bjokas.

KS.

Publicado em Dicas, Viagem

Países Que Precisamos ou Não de Visto

Países Que Precisamos ou Não de Visto

Quando o assunto é visto de entrada em outros países o Brasil está no topo da lista dos países que tem acesso garantido para turismo. São mais de 100 países que autorizam a entrada dos brasileiros sem a necessidade do visto.

Visto

Alguns detalhes precisam ser analisados com uma certa antecedência para que não encontre problemas no momento da viagem. Como, por exemplo, a validade do passaporte.

Cada país cobra uma data de validade do passaporte diferente. Alguns pedem que o passaporte tenha validade de 6 meses desde o início da viagem, outros desde o fim da viagem. Outros países cobram menos e outros mais.

Veja aqui o Passo a Passo de Como Tirar o Passaporte.

Esse pequeno detalhe já fez muita gente ser mandado de volta para o Brasil, portanto não incorra neste erro e confira a validade do passaporte. Em caso de seu documento estar prestes a vencer, solicite outro o quanto antes.

Já falei aqui a respeito do Acordo do MERCOSUL que permite que os países signatários circulem livremente pela região somente com o documento de identidade. Portanto, certifique-se de que esteja portando o Registro Geral (RG) com menos de 10 ANOS de emissão e com uma foto sua atualizada.

Eu ainda acho que a melhor maneira de deixar o país é sempre com o passaporte. Mas cada um decide o que é melhor e mais viável no momento.


Uma dica importante que cabe aqui para os brasileiros que pretendem viajar pela América Latina, é que se você viajar com seu passaporte e pegar o carimbo do respectivo país, isso vai te ajudar a tirar vistos mais complicados exigidos por outros países, como Canadá, EUA e Japão.


Então se você está planejando sua próxima viagem, escolha o país que quer conhecer e se joga!

Vistos para Viagens ao redor do mundo

Países Que NÃO Precisamos de Visto

Américas

  • Argentina
  • Bolívia
  • Chile
  • Colômbia
  • Equador
  • Guiana
  • Paraguai
  • Peru
  • Suriname
  • Uruguai
  • Venezuela
  • México
  • Antígua e Barbuda
  • Bahamas
  • Barbados
  • Belize
  • Costa Rica
  • Dominica
  • El Salvador
  • Granada
  • Guatemala
  • Haiti
  • Honduras
  • Jamaica
  • Nicarágua
  • Panamá
  • República Dominicana
  • Santa Lúcia
  • São Cristóvão e Névis
  • São Vicente e Granadinas
  • Trinidad e Tobago

Europa

  • Albânia
  • Bielorússia
  • Bósnia e Herzegovina
  • Bulgária
  • Croácia
  • Eslováquia
  • Hungria
  • Macedônia/FYROM
  • Montenegro
  • Polônia
  • República Tcheca
  • Romênia
  • Rússia
  • Sérvia
  • Ucrânia
  • Estônia
  • Letônia
  • Lituânia
  • Alemanha
  • Áustria
  • Liechtenstein
  • Suíça
  • Andorra
  • Chipre
  • Espanha
  • Geórgia
  • Grécia
  • Itália
  • Malta
  • Portugal
  • Turquia
  • Vaticano
  • Dinamarca
  • Finlândia
  • Islândia
  • Noruega
  • Suécia
  • Bélgica
  • Holanda
  • Luxemburgo
  • Reino Unido (180 dias)
  • França
  • Irlanda
  • Mônaco

Os países pertencentes a União Europeia e os signatários do Acordo de Schengen, dispensam os brasileiros de visto de turista por normalmente 90 dias. Com algumas exceções.

O Reino Unido, por exemplo, é o país europeu que mais tempo concede aos brasileiros para turistar. São 180 dias sem necessidade de visto. Lembrando que para cada 180 dias no país há a necessidade de deixar o país pelo mesmo prazo antes de poder retornar.

Ásia

  • Armênia
  • Cazaquistão
  • Cingapura
  • Coréia do Sul
  • Filipinas
  • Hong Kong
  • Indonésia
  • Israel
  • Macau
  • Malásia
  • Ilhas Maldivas
  • Mongólia
  • Palestina
  • Tailândia

Leia também: 10 Dicas Para Você Que Vai Viajar Para a Ásia

África

  • África do Sul
  • Botsuana
  • Marrocos
  • Namíbia
  • Ilhas Seychelles
  • Tunísia

Oceania

  • Ilhas Fiji
  • Micronésia
  • Nauru
  • Nova Zelândia
  • República do Palau
  • Samoa
  • Tonga
  • Tuvalu

Países que PRECISAMOS de Visto

Apesar do passaporte brasileiro ser considerado privilegiado por abranger tantos países sem a necessidade de visto, alguns países importantes como Estados Unidos, Canadá, e Japão, ainda exigem uma rigorosa entrevista para emissão do visto e ainda assim não há garantias de que entraremos no respectivo destino.

Por isso é necessário cumprir todas as condições de entrada e levar toda a documentação exigida para não correr NENHUM risco de voltar para casa antes de aproveitar as férias.

Leia também: Missão Aeroporto – Como Não Ser Barrado na Imigração.

Alguns países exigem a forma eletrônica de emissão do visto e o trâmite normalmente é bem rápido. Foi o meu caso quando visitei o Myanmar. Outros países emitem o chamado “visa on arrival” que é o visto que te dão no momento em que você chega ao país, como é o caso do Camboja.

Fique de olho na lista de países que exigem visto e veja quais as exigências para cada um, pois dependendo do país o visto é na chegada, eletrônico ou ainda o presencial que vai demandar entrevista.

Os vistos via de regra são pagos. Alguns muito baratos e outros bem mais caros. Por isso, a necessidade de se programar com uma certa antecedência. E lembre-se: não compre as passagens antes de ter a entrada garantida.

O visto para o país que você deseja visitar deve ser sempre a primeira medida a ser tomada antes da viagem. Por isso, coloque ele na sua lista de prioridades e só depois de aprovado dê sequência aos demais planos.

Entrada aprovada

Se o país que você pretende visitar não está na lista acima, ele estará na lista abaixo e você deverá consultar o tipo de visto que ele requer.

Américas

  • Canadá
  • Cuba
  • Estados Unidos
  • Guiana Francesa

Europa

  • Moldova

Segundo o Itamaraty precisamos de visto, mas brasileiros que visitam o país alegam que não é necessário. Por via das dúvidas, mantenho o país na lista.

Ásia

  • Afeganistão
  • Arábia Saudita
  • Azerbaijão
  • Bangladesh
  • Bareine
  • Brunei
  • Butão
  • Camboja
  • Catar
  • China
  • Coréia do Norte
  • Iêmen
  • Índia
  • Irã
  • Iraque
  • Japão
  • Jordânia
  • Kuaite
  • Laos
  • Líbano
  • Myanmar/Birmânia
  • Nepal
  • Omã
  • Paquistão
  • Quirguistão
  • Síria
  • Sri Lanka
  • Tadjiquistão
  • Taiwan
  • Turcomenistão
  • Uzbequistão

África

  • Angola
  • Argélia
  • Benin
  • Burkina Faso
  • Burundi
  • Cabo Verde
  • Camarões
  • Chade
  • Comores
  • Congo, República Democrática (ex-Zaire)
  • Costa do Marfim
  • Djibuti
  • Egito
  • Eritréia
  • Etiópia
  • Gabão
  • Gâmbia
  • Gana
  • Guiné
  • Guiné-Bissau
  • Guiné-Equatorial
  • Lesoto
  • Libéria
  • Líbia
  • Madagascar
  • Malaui
  • Mali
  • Ilhas Maurício
  • Mauritânia
  • Moçambique
  • Níger
  • Nigéria
  • Quênia
  • República Centro Africana
  • Ruanda
  • São Tomé e Príncipe
  • Serra Leoa
  • Somália
  • Suazilândia
  • Sudão
  • Sudão do Sul
  • Tanzânia
  • Timor Leste
  • Togo
  • Uganda

Oceania

  • Austrália
  • Ilhas Cook
  • Ilhas Kiribati
  • Ilhas Marianas
  • Ilhas Marshall
  • Papua Nova Guiné
  • Ilhas Salomão
  • Vanuatu

Esses são os países que exigem visto dos brasileiros. A grande maioria requer somente o e-visa que é o visto eletrônico, normalmente emitido mediante ao envio de alguns documentos, preenchimento de um formulário e pagamento de uma taxa.

Outros já são mais complicados e além de exigirem vários documentos, a taxa costuma ser um pouco salgada, como é o caso do visto americano, velho conhecido dos brasileiros.

Ficou com dúvidas, deixe sua pergunta no comentário.

Até a próxima viagem!

Bjokas

KS.

Publicado em Curiosidades, Dicas

Viajando com a Síndrome do Pânico

Viajando com a Síndrome do Pânico

É indiscutível que muita coisa ainda precisa ser esclarecida e falada sobre o assunto em todas as esferas, mas hoje vou falar um pouco sobre a minha experiência em viajar sozinha lidando com a Síndrome do Pânico.

Quero deixar bem claro que esta é a minha experiência particular e o meu ponto de vista para enfrentar o problema. Cada pessoa que passa por essa situação vai descobrindo com o tempo como lidar com isso (ou não).

Síndrome do Pânico Viagem

Esse tema ainda é tabu e sofri bastante quando expus sobre ele quando ainda estava na faculdade. Aquela história que “de médico e louco todo mundo tem um pouco” cabe bem aqui.

Tive que tirar uma licença na faculdade para poder me cuidar já que morava sozinha em outro estado. A incompreensão por parte de alguns professores que achavam ser só uma frescura foi surpreendente.

A capacidade que as pessoas tem de julgar um tema sobre o qual não tem nenhum domínio, assim como questionar o laudo de um médico que estudou e lida com isso diariamente durante toda a sua carreira pode ser impressionante e, muitas vezes, impiedosa.

Apesar de tudo, com muito esforço e dedicação, consegui concluir a faculdade dentro do prazo mínimo e isso não impediu que me formasse com honras. Mas, poderia ter sido mais fácil se quem se prontificou a julgar tivesse procurado se informar com maior diligência sobre o tema.

Gostaria de deixar claro que desenvolvi a síndrome durante a faculdade e que sem nenhuma ajuda e conhecimento sobre ela, tive que me “virar nos trinta” para poder dar conta da avalanche de emoções e crises que vivi durante esse período.

A Síndrome do Pânico não é nenhum passeio no parque. Dar de frente com ela pode te esgotar de todas as formas possíveis. E como um belo clichê é sempre bem vindo, não desejaria isso nem para o meu pior inimigo.

Viagem x Crises

Pensa você lidar com uma síndrome, que leva esse nome por não haver nenhuma causa específica, portanto não é considerada uma doença. Isso acaba impedindo um diagnóstico preciso, o que leva cada caso a ser tratado de forma muito particular e de maneira temporária.

Isso acaba também tornando bem difícil saber como lidar com isso. Não é só remédio que resolve, você precisa descobrir outras formar de enfrentar o problema, o que pode ser ainda mais complicado quando você está sozinho.

Síndrome do Pânico

Me lembro de uma vez, indo para a Tailândia, comecei a ter uma crise já na porta do avião. Não está escrito na sua testa “síndrome do pânico em curso” e com uma fila de trocentas pessoas na sua frente se organizando para achar seus assentos, bateu o desespero para conseguir “segurar” o ataque.

Por opção, algo que realmente não recomendo, escolhi parar com a medicação de uso contínuo, que me deixava muito apática, já que minhas crises já não eram mais tão constantes e já sabia melhor lidar com os ataques.

Devido ao fato de os remédios serem altamente viciantes, o que me aterroriza até hoje, optei por ficar somente com os “remédios de emergência”. São pílulas para colocar em baixo da língua quando você pressente um ataque se instalando.

Com o tempo você vai aprendendo a identificar alguns gatilhos e a iminência de uma crise. Sendo assim, quanto antes você usar as pílulas, maior a possibilidade de você não estendê-la e conseguir se controlar.

É o que venho fazendo e tem funcionado. Lógico que algumas vezes quando você vê já está no olho do furacão, aí o jeito é esperar passar.

Se você enfrenta essa situação ou conhece alguém que está passando por isso, vou te contar como EU lido com isso e acredito que essas dicas podem ajudar VOCÊ A DESCOBRIR O QUE FUNCIONA MELHOR para você. Afinal, ninguém conhece a gente melhor do que a gente mesmo.

Técnicas Para Superar o Ataque de Pânico

Infelizmente não existe uma fórmula secreta ou um botão do pânico em que ao apertar a ajuda estará a caminho, ou ainda, que você pode simplesmente deletar com um toque. Quando o assunto é uma síndrome que os próprios médicos não conhecem a causa, tudo é um mistério a ser desvendado dia após dia.

Botão de Pânico

As técnicas que conto aqui são as que EU uso e que tem funcionado COMIGO. Não é nenhuma receita de bolo, que seguindo o passo a passo, você chega a um resultado similar. Você precisa descobrir o que funciona ou não para você. Aí, só testando!

Já avisados, podem conferir o que eu tenho feito para reagir aos ataques de pânico imediatamente quando vejo que algo está errado:

  • Assim que percebo que estou entrando em crise, minha primeira atitude é tomar minha pílula de emergência, já que cortei a medicação contínua e rapidamente vou para o próximo passo: a respiração.
  • A respiração ainda é um mistério. Alguns médicos dizem que você deve respirar profundamente, já outros dizem que isso é um erro que pode piorar o quadro e aconselham respirações curtas, mas não aceleradas. Esta última é a que funciona para mim e não chama a atenção de pessoas desconhecidas ao meu redor, o que tende a me deixar pior.
  • Procuro sempre me sentar ou, pelo menos, encontrar um lugar mais calmo e afastado da muvuca para me recuperar. Em último caso, vou ao banheiro. Mas, não recomendo entrar sozinho no reservado, caso a sua crise seja rapidamente escalada.
  • Me focar em um objeto próximo ajuda a me distrair dos efeitos que sinto sobre meu corpo. Por isso, penso em todos os detalhes dele, tipo, cor, textura, tamanho, cheiro e até sabor, independente de ser algo para comer ou não.
  • Especialmente dentro de aviões, se percebo que estou tendo uma crise mais grave, aviso um atendente de voo e normalmente eles ajudam a controlar o ataque. Sempre chame o que você achou mais amistoso. Um profissional sem tato pode piorar tudo. Se estou em público, procuro identificar alguém que possa me auxiliar e aviso que estou tendo um ataque de pânico e preciso de ajuda.
  • Sempre após os ataques tento pensar rapidamente sobre o que causou o gatilho. Assim que me dou conta, afasto o pensamento, porque às vezes se demorar muito nele, outro ataque pode ser desencadeado.
  • Quem sofre com a Síndrome do Pânico sabe que o medo de um ataque faz parte do seu cotidiano. Nesses momentos de maior aflição, tento me distrair com coisas que me fazem bem e pratico a meditação, que tem me ajudado muito a diminuir a incidência de novos ataques.

Síndrome do Pânico e Esportes Radicais

A primeira vez que fui mergulhar na Tailândia, tive que informar que tenho Síndrome do Pânico em um formulário. Isso levou a escola de mergulho a solicitar que eu consultasse um médico. Eu nem sabia que mergulho era um ESPORTE RADICAL.

Mergulho Dive

Uma das vezes em que fui ao meu médico e estava tendo uma crise muito forte, ele me aconselhou a parar com as corridas que fazia frequentemente e com qualquer atividade que demandasse muito esforço. Aquilo me fez mais mal do que bem, porque era uma coisa que amava e me deixava melhor.

Ele disse que ao acelerar meus batimentos poderia engatilhar um ataque. Fiz o que ele mandou. Novamente NÃO RECOMENDO desobedecer seu médico, mas tinha a consciência de que eu, melhor do que ninguém, sabia o que era bom ou não para mim.

Não queria deixar que essa síndrome me dominasse e me impedisse de viver e desfrutar de coisas que queria muito fazer. Tenho aprendido a conhecer meus limites e me policio para nunca ultrapassá-los.

Foi quando fui surpreendida com esse fato que aconteceu na ilha de Koh Tao, na Tailândia. Acho importante avisar aqueles que buscam aventuras mais radicais a prestarem muita atenção em si mesmos e nos sinais e respostas que seu corpo dá para você.

Quando exigiram que eu visse o tal médico, a primeira coisa que me perguntei foi: no que ver um médico antes de mergulhar ajudaria a controlar uma crise em curso? Acho impossível em vinte minutos um médico te diagnosticar e te dizer o que você já sabe há anos só para deixar a escola de mergulho com a consciência leve caso algo ocorra.

E é claro que eu teria que pagar a mais para ver esse tal médico. Os custos da consulta nem eram tão caros, mas achei tão absurdo tratarem uma síndrome como uma doença que você tem um causa clara e, por consequência, um tratamento mais específico e eficaz, que desisti em um primeiro momento.

Para mim, isso é mais um fruto da falta de informação sobre a Síndrome do Pânico, pois os instrutores sabem exatamente o que fazer em caso de QUALQUER tipo de problema nas profundezas: te levar para a superfície e buscar ajuda.

Dias depois, procurei outra escola de mergulho e finalmente consegui mergulhar com uma profissional da Argentina; Além de super competente e simpática, me deixou calma durante todo o tempo, o que resultou em uma aventura incrível e inesquecível.

Se Pânico

Acho que na “Era da Tecnologia”, já passou da hora das pessoas fingirem que sabem lidar com um problema que não entendem, por descargo de consciência, e procurarem se informar o máximo possível a respeito. Isso evita passar vergonha ou causar um dano ainda maior para quem já tem um abacaxi bem grande para descascar.

Mas, infelizmente, essa não é a realidade que tenho encontrado em todos os cantos para os quais viajo. Por isso, acho importante colocarmos as cartas na mesa, e mesmo contrariados, descobrirmos formas de dialogar sobre o assunto, a fim de buscarmos respostas coerentes e que realmente possam ajudar a todas as pessoas nessa condição.

E você? Conhece alguém que já passou por um caso parecido? Conta para a gente. O melhor remédio ainda é o CONHECIMENTO.

Bjo, bjo!

KS.

 

 

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Você Sabe o que é Cidadania?

Você Sabe o que é Cidadania?

Capacidade crítica sempre será uma coisa boa. Mas, talvez o senso do seu vizinho seja mais apurado que o seu, ou esteja cem anos luz atrasado. Quem está certo e quem está errado? Ninguém. Todos tem os mesmos direitos e deveres, portanto merecem ser respeitados. O nome disso é CIDADANIA.

Cidadania

Não existe possibilidade de escolher a quem respeitar, ainda que você não concorde. Você também não tem obrigação em relação à decisões alheias. No entanto, o respeito é devido em qualquer área da vida.

Seja na área profissional, respeitando os seus chefes e os seus subordinados. Seja na religião, respeitando os líderes, os fiéis ou a fé alheia. Ou mesmo na falta de uma religião, respeitando o fato de que não acreditar em nada já é uma crença por si só.

Seja nos restaurantes, tratando a pessoa que vai te servir com a maior cortesia possível. Afinal, ela está em posse da sua refeição e pode fazer o que quiser com ela. Mas, ainda se não pudesse, o respeito é devido de qualquer forma. Entende?

Gente, vocês devem estar se perguntando porque estou falando isso. Não tenho a intenção de dar lição de moral em ninguém. Até porque eu mesma cometo erros diariamente. Ainda mais vivendo em um país completamente diferente do Brasil.

Aqui na Europa, você descobre finalmente a cidadania. Segundo o site Wikipédia, cidadania é a prática dos DIREITOS e DEVERES de um(a) indivíduo (pessoa) em um ESTADO. Os direitos e deveres de um cidadão devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica necessariamente numa obrigação de outro cidadão.

O mesmo para todos

Portanto, fica fácil entender porque nós brasileiros temos a dificuldade de exercer a cidadania em nosso próprio país, já que não temos os direitos garantidos na prática e ficamos com uma carga enorme de deveres.

Apesar de esbarrar na política, meu objetivo com esse post não é esse. Mas sim, mostrar como seguir as normas e cumprir com seus deveres como cidadão, pode trazer benefícios visíveis em sociedades onde a EDUCAÇÃO é um dos principais pilares.

Desligar o telefone no cinema, por exemplo: gente não é só o barulho do telefone que incomoda, ler mensagens e acender aquela luz na cara dos coleguinhas toda hora, também não é nada legal.

Atravessar na faixa e sempre esperar o sinal abrir para você seguir seu caminho lindo, leve, solto e VIVO. Sempre fico impressionada quando visito países que levam isso a sério.

Aqui na Suíça e em Cingapura vi isso claramente. Ainda que não venha nenhum carro lá no horizonte, todos esperam até o homenzinho verde acender para cruzar a faixa. Isso quando tem semáforo.

Normalmente o pedestre se dirige a faixa e atravessa sem se preocupar já que tem certeza de que o carro vai parar e esperar ele passar.

O contrário acontece muito no Brasil e em outros países mais pobres da Ásia, onde o trânsito é uma loucura e atravessar a rua, uma aventura.

Tudo bem que na Inglaterra também tive esse “probleminha”, já que com os sentidos invertidos, tinha que prestar muita atenção para que lado olhar e só depois atravessar em segurança. 🙂

Sempre aprendendo

Esses deveres e uma porção de outras coisas que uma boa dose de bom senso é capaz de dar conta, trazem enormes benefícios para a sociedade e o cidadão tem retorno de forma imediata.

Como é bom ver as coisas funcionando em seu favor. Um exemplo disso na Suíça são as estradas. Os impostos aqui são definitivamente carérrimos, mas eu nunca vi um buraco nas estradas por aqui. São verdadeiros tapetes e se aparecer um buraco e causar dano ao seu carro, o Estado te indeniza.

As multas para quem cruza a faixa contínua na Suíça, podem custar caro e até a sua licença para dirigir por um longo tempo. E, apesar de SIM, terem pessoas que quebram as normas, a comparação seria absurda em relação ao Brasil e outros países chamados de “terceiro mundo”.

No bairro aonde moro em Zurique, você paga até para descartar o lixo que acumula. Você tem a opção de não pagar, mas tem que ir bem mais longe e algumas vezes fica inviável.

Da última vez meu descarte custou CHF 0,28 centavos. Você pode pagar com o cartão de crédito e depois de aceitar seu pagamento a lixeira abre, acredita nisso?

Os supermercados são obrigados a recolher garrafas PET e copos plásticos em geral. Vidro na Suíça se separa por cores: verdes, marrons e transparentes. Papel e papelão são descartados em dias e locais diferentes. Percebe aonde entra o dever do cidadão?

Tudo parece muito complicado e dispendioso. Mas, com todo o retorno que temos aqui, você liga a cidadania no automático e tudo fica mais fácil. Tanto para o outro quanto para mim.

Justiça Social

Justiça

Quando você vê a cidadania acontecendo, as diferenças entre as pessoas ficam muito menores. E não estou falando da extinção do preconceito ou afins, porque isso existe e muito aqui na Europa em geral.

Estou falando da desigualdade social, mas em seu sentido mais amplo. Não me refiro ao lugar em que nos encontramos na pirâmide social no sentido financeiro. Mas, enquanto membro de uma sociedade e o quanto o Estado colabora para dar o mesmo tratamento a todos os cidadãos.

Digo que o tratamento justo é ofertado a todos de forma homogênea. As condições são pensadas justamente com base nas diferenças. E digo isso maravilhada mesmo, quando vejo a quantidade de pessoas com deficiências que circulam pelas ruas o tempo todo sem nenhuma dificuldade.

Mulheres com carrinhos de bebê por todo canto. Idosos indo ao supermercado e pegando ônibus, metrô. E quando digo idosos, me refiro a pessoas de 80, 90 anos. Até os cachorros aqui tem acesso livre aos metrôs e ônibus. E se bobear se comportam melhor que muitos humanos por aí.

Mas, para isso você paga imposto para ter um animal e deverá ir a um curso para ensinar seu cão a se comportar. O resultado é que você não vê cães abandonados nas ruas. Ter animal de estimação aqui é coisa séria.

Leia mais curiosidades no post 20 Coisas Incríveis Sobre a Suíça.

Salão de beleza aqui é para quem pode. E na verdade a maioria esmagadora pode, só que alguns têm prioridades diferentes. É muito caro fazer as unhas aqui, por exemplo. Porque a manicure é bem paga pelo trabalho que oferece. E a diferença salarial entre homens e mulheres é inexistente.

Homem igual a mulher

As diferenças salariais aqui são muito menores que no Brasil e não existe “supersalários” para políticos. Tanto a manicure, quanto o vendedor da loja, o jornalista e o médico, tiveram que fazer escola para exercer sua profissão.

Em um país em que a maioria pode comprar uma BMW, mas preferem usar a bicicleta, a palavra cidadania ganha significados mais amplos. A consciência da sua obrigação, você aprende desde o jardim de infância e fica mais fácil entender seu papel na sociedade.

Percebo aqui que a pressão sobre qual profissão seguir é menor, já que isso não definirá se você será muito rico ou muito pobre.

Isso significa que acho horrível morar no Brasil? Sinceramente? A resposta é NÃO. Eu amo meu país, especialmente minha cidade natal, Curitiba. Mas, pelo menos por enquanto, estou meio mimada com a palavra CIDADANIA. Quem não estaria?

E você? O que acha de praticarmos a cidadania desde as pequenas coisas. Nós somos fator determinante na transformação do espaço em que vivemos.

Luta e liberdade

 

Se cada um fizer um pouquinho, no final das contas temos um montão. É aquela velha máxima de que “uma andorinha só não faz verão”!

Até o próximo post!

Bjokas

KS.

 

 

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Morar Fora é Bom?

Morar Fora é Bom?

Muita gente tem o sonho de morar fora, acha que tudo vai ser a maravilha que viu nos filmes e que a vida será de cinema. Não digo que não é bom, mas o mar de rosas pode se tornar um lago bem gelado.

Eu planejava morar em outro país quando fosse um pouco mais velha, mas aconteceu antes do esperado. Acho que isso te muda como pessoa, te torna melhor, mas toda mudança exige um certo empenho.

Você vai precisar abrir mão de muitas coisas que aprendeu e praticou a vida inteira. Em alguns momentos o estranhamento será tão intenso, que a vontade de voltar para casa vai ficar te rodeando durante longos períodos.

Morar fora preconceito

Quando o assunto é se adaptar a outro país existem choques que você tem que enfrentar. Alguns você vai tirar de letra, outros nem tanto. Se você tem alguém para te guiar com paciência tudo será mais fácil, mas se não tem, acredito que será bem mais sofrido.

Em primeiro lugar quero lembrar que essa é a MINHA experiência morando fora. E que pode ser completamente diferente com você. Quero lembrar também que passar uma temporada fora do país nada tem a ver com se estabelecer de fato em outras terras.

Já morei em outro estado quando cursava a faculdade de Jornalismo, e apesar de sofrer com vários problemas de choque cultural na região onde me estabeleci por quatro anos e meio.

Ainda assim, lá não tive que abrir mão do meu idioma, da minha maneira de agir, apesar de também ser julgada por isso e muitas outras coisas. No fim das contas, as férias eram meus melhores dias.

Quando você realmente mora fora, as férias continuam sendo maravilhosas, mas aí vem outros problemas como vou contar mais adiante: o não pertencimento.

Como você pode ser afetado

Morar fora comportamento

  • Descobrir como separar o lixo e como descartá-lo no lugar certo pode ser um desafio e tanto. Papel, papelão vidro (separado por cores), e orgânico podem ter dias e lugares diferentes de descarte. E, muitas vezes, você passa por isso.
  • Saber como lidar com as pessoas é um dilema. Às vezes você acha que está fazendo tudo certo, mas na verdade está tudo errado.
  • Limpar a casa na Europa e EUA é completamente diferente da forma que fazemos no Brasil. Nesses lugares água é a última coisa que você vai precisar.
  • Você não vai encontrar facilmente nos supermercados as mesmas coisas que estamos acostumados a ter no Brasil. Desde comidas, até produtos de limpeza e higiene pessoal.
  • O mesmo acontece nos restaurantes. Pode ser que você ame o que eles servem, pode ser que você odeie.
  • Apesar de eventualmente você se acostumar com a paisagem, com a arquitetura e com o modo de vida, sempre algo vai te saltar os olhos e te surpreender.
  • Coisas que você achava que ia amar, você vai descobrir que não é tão bom assim. Afinal, nem tudo são só flores.
  • A solidão vai bater pesado, mesmo que esteja rodeado de pessoas. E vai ser difícil descobrir em quem confiar ou quem só quer te taxar de “gringo” ou “estrangeiro”. Experimenta não dançar como a banda toca para você ver.
  • Você provavelmente vai ter dificuldades de se sentir em casa, mesmo que volte para o seu país. Você vai ter sempre a sensação de que algo está faltando, do não pertencimento.
  • Os brasileiros que moram fora, também vão estar mudados, então se você não tiver a sorte que eu tive de encontrar “bons brasileiros”, você vai acabar se isolando deles por completo. E tem outra, se você decidir se relacionar somente com a comunidade brasileira do país em que vive, você não vai evoluir e provavelmente retornará para o Brasil mais cedo do que imagina.
  • Você vai sofrer preconceito mesmo que não perceba. Até provar o seu valor, você é só mais um estrangeiro tentando tirar o lugar de um nativo. Isto é, um estranho no ninho. O jeito é entender que você é o “patinho feio” agora, mas em breve você será Cisne, pense nisso.

Esses foram somente alguns pontos que me recordei, mas no dia a dia muita coisa pode aparecer.

Morar fora Cisne

Eu tenho batido muito nesse ponto, porque, especialmente nós brasileiros, temos o hábito de romantizar tudo. E, muitas vezes, isso pode fazer a gente cair em uma cilada violenta.

Então se você sonha em morar fora, planeje tudo com muito cuidado, leia muito a respeito, se prepare financeiramente e psicologicamente, pesquise sobre o lugar, as curiosidades, as particularidades da cultura.

Se você fizer isso, as chances de dar errado serão muito menores e você poderá sim descobrir a felicidade em outro país. Longe de mim desencorajar alguém a correr atrás dos seus sonhos. Mas, cautela nunca é demais.

Leia mais sobre Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer.

Muitas pessoas perguntam se tenho vontade de voltar ao Brasil. Eu te digo que tenho pelo menos três vezes ao dia. Mas quando você se descobre cidadão, ainda que não tenha de fato a cidadania definitiva, fica mais difícil voltar e você acaba aprendendo a valorizar seu novo lar e conquistar seu espaço.

Morar Fora Conquitando seu espaço

O Perigo da Falta de Planejamento

Outro dia li em um post qualquer, que uma cidade italiana estava pagando vários Euros para as pessoas se mudarem para lá. Nos comentários uma porção de gente escrevendo que quer saber como faz, que já está fazendo as malas.

Essa ânsia de morar fora pode sim ser  prejudicial. Tem maluco que larga tudo sem pesquisar nada antes e “bora lá”! Se fosse fácil assim e ainda sendo pago para isso eu seria a primeira da fila.

Só esquecem de dizer que você precisa ter passaporte italiano ou europeu em geral e trazer algum benefício para a cidade. Seja fazendo algum investimento ou coisa parecida.

Mas, enfim, existem muitas formas de imigrar, se você quiser fazer da forma certa, vai com calma. É sim possível, mas pé no chão e muita pesquisa. Nesses termos, ainda mais se você tiver família por perto, vai ser uma experiência e tanto.

E você, tá pensando em imigrar? Qual país está nos planos? Conta para a gente!

Até o próximo post!

Bjos

KS.

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“Não Me Toque”

“Não Me Toque”

Você já ouviu a expressão “não me toque”? Normalmente, quando você diz: aquela menina é cheia de “não me toques”, queremos nos referir a uma pessoa que se ofende facilmente, e você tem que pensar mil vezes antes de falar alguma coisa para pessoas assim.

Nas minhas andanças pelo mundo, tenho ouvido muitos brasileiros dizendo que os europeus são rudes, mas ouço os europeus dizendo que o brasileiro é basicamente cheio de rodeios. Resumindo, nós não seríamos diretos, ou seja, seríamos “cheios de dedos”.

Cheio de dedos

Ah, hoje é o dia das expressões! E essa atitude de tentar não magoar o outro e não dizer que “o gato morreu, mas subiu no telhado e foi fatal” pode soar como escorregadio e até mesmo falso para pessoas acostumadas a serem diretas. Já os europeus seriam rudes, insensíveis e não sabem falar “com jeito”.

O Que é Frontalidade?

Frontalidade é a palavra para designar a forma de se falar diretamente. Característica conhecida dos europeus, que não fazem rodeios, nem nada de delongas e que muitos brasileiros veem como rude e indelicado.

Esta é mais uma questão cultural de que quem tem que viver longe de casa, tem que enfrentar. Para nós brasileiros essa frontalidade assusta, mas eu, particularmente, acho que é bem positivo.

Às vezes pode parecer uma voadora no estômago, mas com o tempo as coisas vão se ajeitando e você passa a se acostumar melhor com a ideia. Outras vezes o golpe é fatal.

Golpe Fatal

Conheço gente que jura de pés juntos que nunca mais volta para o país em que experimentou uma situação ruim e totalmente contra a nossa cultura.

Você chega cheio de sonhos e expectativas e é normal que seja surpreendido com as novidades do novo país e principalmente das pessoas que nele habitam.

Se você vai morar nesse país com a sua família, acredito que seja bem mais fácil lidar com isso, porque você sempre volta para o aconchego do lar, mesmo estando a milhares de quilômetros de casa.

A coisa pega quando você é obrigado a lidar somente com pessoas inicialmente estranhas e aí não tem para onde correr.

Na minha humilde opinião, acho que a maior dificuldade sobre a frontalidade está em relacionamentos interculturais, pois muitas vezes, essa forma direta de se falar acaba levando uma das partes, que não está acostumada com isso, a pensar que o outro não respeita e não entende essa pessoa.

Leia mais dicas em 10 Dicas Para Você Que Vai Viajar Para a Ásia.

Essa linguagem direta pode causar ruídos na comunicação e se não houver completo empenho de ambas as partes, pode culminar no fim desse relacionamento. Afinal, elas acabam tomando um banho de água fria e logo desistem.

Banho de água fria

Onde cada um tinha que ceder um pouquinho para chegarem a um denominador comum, aqui, abrir mão de muitos hábitos e comportamentos, é um ato constante.

E, veja bem, aqui estou falando de QUALQUER tipo de relacionamento intercultural. Seja em um namoro, casamento, relacionamento profissional, amizade e assim por diante.

Neste caso todos tem que ceder, sem exceções. Isso se quiserem levar adiante suas vidas com pessoas de diferentes culturas nela.

Leia esse post que eu escrevi que fala sobre Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer.

Assertividade

Para que todo esse empenho resulte em assertividade, um estudo anterior sobre a cultura em que se está inserindo é imprescindível. Lembra de tudo o que falavam sobre o lugar para o qual está indo? É tudo verdade.

Alvo assertividade

Para ser mais precisa, é uma espécie de caricatura do nativo daquele lugar. Onde você acentua certos pontos mais marcantes da cultura para demonstrar seu propósito. No fim das contas, o retrato não é fiel, mas diz bastante a respeito do caricaturado.

Ouso dizer que algumas caricaturas são mais leves do que deveriam. Conheço pessoas que são mais exageradas do que a “fofoca” sobre certas culturas.

Um dos povos que mais admiro,os japoneses são conhecidos por serem disciplinados e trabalhadores ferrenhos. Alguns são tanto, que não tem vida fora do trabalho. São completamente workaholics inveterados.

Os russos, falam alto e são conhecidos por uma certa agressividade. Não aceitam nada que não seja da cultura deles e a impõe com a mesma força com que os nipônicos trabalham.

Os suíços são bem preconceituosos ainda que achem essa palavra horrível e nunca admitam. Ainda assim, costumam se referir aos outros pela nacionalidade que é entregue pelas características étnicas e genéticas que carregam, mesmo que o passaporte desse indivíduo aponte para a mesma nacionalidade que a deles.

Leia mais sobre a Suíça em 20 Coisas Incríveis Sobre a Suíça.

Os portugueses são mais amistosos, ainda assim, possuem a frontalidade comum aos europeus, o que pode dar a eles a estigma de grosseiros e quando se trata de brasileiros, existe a fama de rivalidade e chacota constantes.

E assim sucessivamente. As caricaturas independem de onde você é. As pessoas costumam ter uma opinião formada medida pelas experiências ruins que tiveram em contato com outras culturas.

Mas não podemos esquecer que tudo tem dois lados. Sempre tente enxergar o lado bom que a outra cultura pode te oferecer, sua estadia em outro país será bem mais fácil.

Minha Dica Para Lidar Com o Problema

Não existe fórmula mágica para lidar com essas diferenças culturais. Se você escolheu morar em outro país, como eu, tem que aprender a lidar com as situações da melhor maneira possível.

Sem pânico

Como já disse antes, leia sobre tudo o que diz respeito a cultura a qual pretende se inserir. Mas tudo mesmo que achar. Às vezes, uma coisa que aos nossos olhos pode parecer tosca, para eles pode ser o fim do mundo e criar um grande atrito.

Tente se colocar no lugar do estrangeiro com quem se relaciona. Na verdade, ele não está fazendo nada a que não esteja acostumado. O problema está no receptor.

Essa frontalidade, inicialmente assustadora, não tem como objetivo magoar ou ser rude com ninguém. É simplesmente assim que eles veem a vida e não é a sua chegada no círculo social deles que vai mudar a perspectiva de sempre.

Muita conversa também pode ser um excelente motor para os relacionamentos. Diga como se sente, peça paciência e mostre o seu ponto de vista.

Se não funcionar vale repensar se vale a pena estar em uma relação em que a pessoa não se importa com o que você está sentindo.

Afinal, se a pessoa também escolheu se relacionar com uma pessoa de uma cultura diferente, ela também precisa reaprender a lidar com a situação.

Se achar que vale a pena, insista. Essa relação só tem a enriquecer os dois lados. O respeito à cultura alheia tem que ser permanente. Não importa se você é turista ou expatriado, RESPEITO é a palavra de ordem.

Se esse respeito for usado com frequência, garanto que não há nada que não seja superado e melhorado.

E, no final das contas, você vai se pegar fazendo as mesmas coisas que eles. Contando que sejam somente as coisas boas, você vai crescer muito como pessoa, como cidadão e vai passar a se conhecer muito melhor.

Sem contar que a frontalidade vai lhe ensinar com o tempo que você vai poupar muita energia e ser uma pessoa mais objetiva e focada.

Leia também Viajante ou Turista? – Dicas Para Viajar Tranquilo.

E aí? Já passou por uma situação de frontalidade em que se magoou e preferiu abrir mão do contato com a pessoa ou reagiu de outra maneira? Conta para a gente aqui nos comentários.

Até o próximo post!

KS.