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Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

Você já escutou essa expressão “Choque Cultural”? Então, vou tentar te explicar de uma forma bem didática e depois vou me aprofundar para você entender melhor o termo e, o mais importante, o sentimento em si.

Quando você ouve essa palavra você pensa em algo muito chocante e extremamente diferente de tudo o que você já viu. Mas não é só isso não.

choque cultural

O Choque Cultural, na verdade, nada mais é do que a estranheza, o desconforto, causados por qualquer situação à qual você se vê obrigado a enfrentar, quando viaja para um local com uma cultura diferente da qual você foi criado e está acostumado e confortável com ela.

Eu senti choque cultural em todos os países pelos quais viajei, mas pasmem, em alguns países, senti menos o choque do que em outros estados do próprio Brasil.

Calma, eu te explico. Por exemplo, quando você vai para outro país, ainda que o idioma seja o português, você vai sentir esse desconforto quando não entender alguma palavra ou, por vezes, a sentença inteira em uma conversa qualquer. Pior ainda se não souber falar o idioma local.

É certo que, ainda que o país fale português, como é o caso de Portugal, muitas coisas se perdem em uma conversa ou precisam ser bem explicadas, causando às vezes até desavenças entre interlocutores menos tolerantes.

Vai chamar alguém de “rapariga” aqui no Brasil ao se dirigir à alguém mais velho para você ver. Com exceção de algumas poucas regiões onde ainda se usa o termo, a palavra pode soar bem pesada e até ofensiva. O próprio dicionário é obrigado a trazer significados completamente opostos à palavra por causa do choque cultural entre as regiões do Brasil.

Já em Portugal, a palavra se refere a menina, moça do campo, etc. Da mesma forma em Curitiba, minha terra natal, a gente chama todas as “raparigas” de “guria” e os meninos de “piá”, o que não é muito bem visto em alguns outros locais do Brasil. Mas, para nós é super comum. Essas questões regionais, também são consideradas choque cultural.

É Macaxeira, Mandioca ou Aipim?

O Brasil tem como o idioma oficial o Português-Brasileiro. Sempre quando eu me identificava como falante do idioma português em outras culturas, algumas pessoas me perguntavam se era Português-Europeu ou Português-Brasileiro.

Quando eu me apresentava como brasileira eles sempre pediam para eu falar algo em português. O português-brasileiro é considerado um idioma bem agradável aos ouvidos estrangeiros.

Mas, o que a maioria das pessoas não sabem, é que  dentro do próprio Brasil, temos dezenas de outras línguas.

Quem dentro do próprio Brasil não ouviu alguma palavra diferente que se referia à mesma coisa, mas que você não tinha ideia do que queria dizer? Afinal, é macaxeira, mandioca ou aipim? A resposta é: todas estão corretas. É tudo a mesma coisa com nome diferente. Tipo, mimosa, mexerica, tangerina, tanto faz. Como dizia Louis Armstrong: “Potato, potahto. Tomato, tomahto

Lembro de uma querida amiga potiguar com o sotaque bem característico da cidade de Natal no Rio Grande do Norte, que sempre despertava muitas risadas por seu acento assim que chegou em Curitiba e que dizia que estávamos “mangando” dela.

Demorei algumas semanas para ter coragem de perguntar o que aquilo queria dizer até descobrir que queria dizer que estávamos “tirando sarro” dela.

Os Quatro Estágios do Choque Cultural

Parece bobeira, mas o negócio é tão sério que é há muito tempo estudado a fundo por cientistas da área. Mary Ann Santoro Bellini, Ph.D. no assunto, é especialista em aconselhar pessoas que deixam seus países para viver, trabalhar ou morar fora.

Em suas publicações, Mary Ann fala sobre os Quatro Estágios do Choque Cultural. Você pode ler o artigo original em inglês “The Four Stages of Culture Shock“, mas eu vou colocar aqui os pontos que eu acho bem relevantes para quem vai somente viajar por períodos mais curtos.

Período de Lua de Mel

Esse período é aquele inicial quando você chega no país e é tudo novidade. Para Mary Ann isso pode durar semanas. Você tem fascínio por tudo. As casas, as roupas, as ruas, são impressionantes (para o bem ou para o mal), tudo é estranhamente encantador, e você precisa se beliscar para não deixar se seduzir pela música como uma cobra se encantado pelo som da flauta.

Afinal, o que está por trás desse conto de fadas pode ser perigoso. Para mim, tudo durava algumas horas e eu já caía na real sobre o que me esperava. Era hora de enfrentar a segunda fase.

Rejeição

A segunda fase da Síndrome do Choque Cultural, é a de rejeição, que Mary descreve como cheia de crítica, ressentimento e raiva. Para mim durava alguns minutos. Vejam que me refiro a quando viajava a lazer, turismo. Quando fui morar fora, as fases vieram na íntegra, como ela descreve originalmente.

Nesta fase todas as dificuldades geram a frustração. A idiossincrasia do local visitado te deixa confuso e muitas vezes, você se pergunta como deve agir e não obtém uma resposta coerente de nenhum lado. O que te leva a terceira fase.

Regressão e Isolamento

Depois de tantas sensações, essa fase é a que eu manjo melhor, mesmo na minha vida cotidiana. Algo que ainda preciso trabalhar muito. Tudo que me desaponta e frustra, faz com que eu me feche como uma concha.

Nessa fase, é impossível não comparar tudo com a terra natal. É quando você passa a entender e a valorizar seu próprio lugar de origem. Acho que é daí que vem a expressão: “Não há nada melhor do que a casa da gente”. Você passa a odiar tudo e todos.

danger choque cultural

Na fase original de Mary Ann, ela dura entre 6 e 8 semanas. Comigo, alguns minutos, e aí chacoalho a cabeça, dou uma respirada fundo e sigo em frente. Lembrando que isso aconteceu depois de muito treino. 🙂 Finalmente a última chega, cedo ou tarde.

Ajuste e Adaptação

Para quem viaja muito essa fase tem que acontecer logo, ou você vai sofrer muito. Em menos de um ano, viajei para países que nunca imaginaria conhecer antes, e isso me fez entrar no modo ajuste rápido. Apesar de já ser mestre em choque cultural, tive que me forçar a absorver tudo mais rápido.

choque cultural carrinho bate bate

Quando o choque acontece com mais frequência isso se torna mais natural. Isto é, quanto mais diferente e estranha à você é a cultura, mais rápido você se adapta à próxima. Sabe aquela Lei do tal de Murphy, que diz que nada é tão ruim que não possa piorar? Vai piorar, acredite! Mas, você estando preparado, fica bem mais fácil, concorda?

Oriente – Meu Mundo Particular

Quando fui para a Ásia, tinha sempre que descalçar ao entrar em templos, casas, às vezes até em lojas, o que eu achava bem nojento. Pois, com exceção das casas, os lugares públicos por vezes não estavam muito limpos e eu tinha que pisar naquele lugar.

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Mas, para eles seria absurdamente ofensivo alguém entrar de sapatos nesses lugares. Eu, particularmente, não gosto que entrem de sapatos na minha casa, mas não forço visitas à descalçarem antes de entrar. Ainda assim, senti o choque.

Eu tive muita sorte de sentir esses efeitos de forma mais amena, mesmo quando resolvi me mudar para a Suíça. Dizem que nós curitibanos somos bem parecidos e ao me mudar, concordei em muitos aspectos.

Ambos somos reservados, demoramos para fazer amizade, mas quando fazemos é para a vida. Mas, isso é só um traço de uma cultura toda, e uma hora, o choque inevitavelmente bate forte. Mas, isso eu conto outra hora.

viajar faz bem

Nada mesmo te prepara para o choque de conhecer uma cultura fora do circuito Eurotrip, que muitos brasileiros acabam optando pela maior facilidade, já que a cultura é mais próxima, os preços são mais em conta (depende), a distância é menor e normalmente em todo lugar você se vira só com o inglês.

Bem que me disseram que ir para alguns países seria realmente uma aventura, e foi, e sempre será. Depois que você começa a viajar tanto, duvido que consiga parar. É quase uma fome louca pelo próximo país, pela próxima descoberta, pelo próximo choque.

Eu nunca me foquei na quantidade de países para contar para os outros o quanto sou viajada, vejo tanto gente preocupada em postar sua foto no Instagram em um lugar novo, afinal, ostentar é a palavra de ordem.

Mas, para mim é sobre abrir a cabeça e aprender tanta coisa nova em cada cultura. É legal dividir isso com os outros, mas pense em como é legal você sair desse circuito turístico e mergulhar no que a cultura local tem para te oferecer.

Eu gosto de bons hotéis sim, às vezes tenho preguiça de andar demais, especialmente se estiver quente, fico com nojo de algumas coisas. Mas, isso não me impede de tentar, de observar e de querer entender a outra cultura, de apreciar as sensações que ela causa em mim, mesmo que às vezes, sejam ruins.

É só inverter o papel. Tem tanta coisa que as pessoas dessa cultura acham esquisito e até repugnante na nossa cultura. Já parou para pensar nisso?

A única coisa à qual me considero absolutamente intolerante, é à falta de respeito. Se esse cenário aparece, me recolho e não consigo mais me abrir. Mas, preciso me lembrar o tempo todo, do que significa respeito para mim e para o outro. Existem as coisas óbvias, mas outras são paradoxais.

don't panic choque cultural

Por exemplo, tocar a cabeça de uma criança na maioria dos países asiáticos é uma ofensa enorme. Aqui no Brasil, isso é super normal. Mas por lá, a maioria é budista ou de religiões com uma crença similar.

Para essas pessoas a cabeça é a parte mais sagrada do corpo, então porque um estranho poderia tocá-la, ainda que com boas intenções!? Assim como tirar os sapatos é importante, sei que é desrespeitoso tocar a cabeça do outro.

Cabe a mim respeitar a cultura do outro e não à ele me ensinar, afinal eu sou a estranha, a, invasora, de certa forma. Por isso, sempre antes de visitar algum país me informo sobre coisas que devo saber o máximo possível, para não enfrentar nenhum tipo de constrangimento e diminuir ao máximo o choque cultural.

choque cultural wow

Os artigos que escrevo aqui no blog são exatamente com o intuito de ajudar você a não passar pelo que eu passei, ou pelo que eu deixei de passar por estudar sobre o lugar antes.

Cada vez que deixo minha hometown, vou preparada para voltar uma nova pessoa. E, confesso, sempre voltei diferente. E é tão incrível quando você enxerga o mundo de uma forma diferente, tão única, só você vê ele daquele jeito, porque só você sabe o que tem na sua bagagem. E isso faz com que você crie seu próprio mundo particular.

E você? Já passou por alguma situação inesperada e que causou um enorme choque? Conta aqui para a gente! É sempre bom aprender com a experiência dos outros e evitar transtornos, não é?!

Até o próximo post!

KS.

 

 

Autor:

Jornalista curitibana, apaixonada por viagens e outras culturas, compartilhando a própria perspectiva sobre lugares, pessoas e costumes.

5 comentários em “Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

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