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Bangkok – A Selva de Pedra

Bangkok – A Selva de Pedra

Quando me falavam da Tailândia, sempre pensava em mares turquesa e florestas para todo lado. Nunca imaginei que por lá encontraria uma “Selva de Pedra”. É o que Bangkok, a capital da Tailândia se tornou para mim.

Sem nunca deixar o estilo tailandês de recepcionar, com um enorme sorriso e mãos juntas em posição de prece. Melhor não tem!

Bangkok Recepção

A cidade, que hoje comporta mais de oito milhões de habitantes é uma dessas que cresceram demais e sem muito planejamento, o que, às vezes, faz com que a cidade pareça um caos completo.

O trânsito é uma loucura, e ainda que tenham proibido motocicletas de circularem na cidade, o problema já está enraizado. Atravessar a rua na Ásia é sempre uma aventura, não sei o problema que eles tem com trânsito, seja de carros ou de pessoas, é sempre um tumulto só.

Então, claro que não seria diferente em Bangkok. Quando você olha é uma confusão completa. Mas, ainda assim, tem um fascínio característico dos congestionamentos cheios de tuk-tuk e motoristas ouriçados.

Bangkok mercado e trânsito

Se você leu meu post A Real Sobre Londres, sabe que tive reação à vacina contra febre amarela, o que me derrubou por alguns dias, tudo porque decidi, finalmente, conhecer a Tailândia. E tudo começa, é claro em Bangkok.

A longa viagem de Londres até Bangkok foi um pouco penosa já que ainda estava convalescendo e me sentindo um pouco fraca, apesar de não ter mais os sintomas da reação à vacina.

A primeira vez que passei por lá, foi só para pegar um outro voo rumo a Chiang Mai, norte da Tailândia. Falo sobre essa viagem no meu post Do Outro Lado da Tailândia – Chiang Mai e Chiang Rai.

O Aeroporto Internacional de Bangkok – Suvarnabhumi, foi uma surpresa para lá de agradável. Extremamente moderno, organizado e decorado conforme a cultura tailandesa. Não deixou a desejar a nenhum super aeroporto do mundo. Fiquei muito impressionada, o lugar é realmente imenso.

Bangkok tem sete aeroportos, mas dois são mais importantes, o Suvarnabhumi e o Aeroporto Internacional Mueang (opera os voos low cost). Fiquei conhecendo bem esse último na hora de ir embora, já que fui parar no aeroporto errado.

Sério, não sei como não perdi meu voo de volta para Londres, que seria meu destino novamente depois da Tailândia. Um dia eu conto essa história, mas até hoje acho que foi milagre de Deus.

Porque eu já estava atrasada para o meu voo quando cheguei em Mueang, só aí descobri que não havia lugar para fazer o Check-in por lá, já que a Thai Airways só opera no Suvarnabhumi.

Ainda tive que esperar outro taxi que demorou uns vinte minutos porque o cara não falava inglês e não sabia aonde estávamos. Detalhe, cada aeroporto fica a quase 30km de distância da cidade em direções diferentes.

Uma coisa a se comentar, é que se você está atrasado o motorista vai te dar a opção de ir pela Highway. Mas, para isso alguns Bahts (moeda thai) serão acrescentados ao valor da sua corrida. Estranho pensar que o lugar mais rápido é mais caro. Mas, isso é porque tem pedágio nessa estrada. E ele tem que pagar a taxa.

Nada demais se comparado ao valor das passagens perdidas caso não chegasse a tempo ao aeroporto. Precisei usar a Highway algumas vezes e os preços foram diferentes. Então acredito que dependa da distância e dos horários.

Quando cheguei no Suvarnabhumi (o aeroporto certo), havia uma equipe pronta para nos fazer atravessar o aeroporto e chegar a tempo até o portão de embarque. Passei por um lugar alternativo que pelo que percebi cortava caminho. Me senti em um filme de aventura misturado com suspense, beirando ao terror.

Pensa em uma pessoa correndo que nem uma louca por aquelas esteiras do aeroporto e meu portão não chegava nunca. Quando achei que meu coração ia parar de bater subtamente ou pular pela boca, eis que avisto meu portão. Ufa!

Bangkok correndo aeroporto

Foi quando ouvi um funcionário da companhia dizer docemente para eu desacelerar que ainda não estavam embarcando. Será que eu queria matar as meninas do balcão de check-in?!

Do Luxo ao Lixo

Sempre que ouvia o nome Bangkok na infância lembrava de um ator chamado Van Dame, que gravou filmes na cidade. Eu adorava seus filmes de luta, achava incríveis. Mal sabia eu que seus golpes de luta eram inspirados por, nada menos, que passos de ballet.

A partir daí comecei a ter ideia sobre a cidade tailandesa. Sempre cheia de gente andando pelos mercados noturnos, ou feiras montadas nas ruas mesmo. Tuk-tuks por todos os lados e algumas coisa bem estranhas sendo expostas nas barracas.

Bangkok Feira

Quando cheguei em Bangkok me deparei com tudo isso, só que muito mais. Eu imaginava uma cidade no meio do nada, quase que na selva e tudo muito rudimentar. O mesmo pensamento que muitas pessoas de fora tem em relação ao Brasil.

Acredite, tem gente que acha que andamos fantasiados todos os dias, que as mulheres andam nuas e dançando pelas calçadas, além de acharem que vivemos todos em ocas e que não sabemos o que significa a palavra tecnologia.

Um dia, eu começava outro nível de alemão com uma turma diferente. E estudar em outro país como a Suíça, normalmente inclui você dividir a sala de aula com pessoas de diversos países.

Foi quando uma moça ficou curiosa sobre a cidade em que eu  morava, e ficou ainda mais surpresa com o que o Google mostrou para ela. Eu basicamente vivia em uma cidade com indices de educação e qualidade de vida tão bons quanto os do país dela.

O fato de o Brasil ser de dimensões continentais nos proporciona condições diferentes em casa região, seja com relação ao clima, seja com relação ao Indice de Desenvolvimento Humano (IDH), seja com relação a vários fatores sócio-econômicos e culturais.

Mas, para quem não conhece, o Brasil é uma selva. Não posso nem achar ruim. Porque eu, como muitas pessoas que conheço, tem esse desconhecimento vivendo dentro do próprio país.

Eu achava que no Norte do Brasil só tinha, basicamente, árvore e/ou desmatamento. Até conhecer e descobrir a riqueza cultural que o “Brasil lá de cima” tem.

Bom, voltando à Bangkok, foi a mesma surpresa que tive. Assim que comecei a sobrevoar a cidade antes da aterrissagem já entendi que minha visão sobre a cidade era de fato extremamente simplória e limitada.

Em muitos momentos me senti em São Paulo. Foi quando a Selva virou Pedra. Arranha-céus por todos os lados, carros e mais carros. Restaurantes estrelados de chefes renomados. Lojas de luxo, shoppings com várias marcas internacionais famosas.

Bangkok Glamour

Por outro lado, a poluição visual chega a níveis alarmantes quando você circula pelas ruas mais movimentadas. Não sei como os carros conseguem dirigir. Percebi isso também em outras cidades asiáticas como Yangon no Myanmar. Leia também Yangon – A Nova Iorque do Myanmar!

Painéis gigantes em uma esquina com semáforo. Sério, ficava até meio zonza porque tenho fotofobia, mas acho que também não deve ser agradável para uma pessoa com visão normal.

Você vai do luxo ao lixo e ao luxo de volta a todo o momento. Quando você se afasta um pouco mais da parte mais central da cidade você vai tendo mais contato com a cultura “raiz” da tailândia. Lá você vive paradoxos o tempo todo.

Desde um restaurante chiquérrimo super internacional à uma simples barraca de rua que vende comida estranha. De uma super máquina até a um aventureiro tuk-tuk. De uma loja Prada até uma barraquinha de roupas baratíssimas. De arranha-céus ultra modernos até um barraco.

Aliás, uma grande parte da Ásia me traz essa sensação de opostos convivendo entre si o frequentemente.

Bangkok contraste

O Que Fazer Em Bangkok

Esssa pergunta é muito fácil e muito difícil de ser respondida, simplesmente porque em Bangkok tem opções para absolutamente todos os gostos. A cidade é um dos lugares mais visitados do mundo e recebe turistas de todos os tipos o tempo todo. Mesmo assim vou dar umas dicas do que você deveria experimentar.

  • Compras nos mercados noturnos – Bangkok é famosa pelas falsificações de “boa qualidade”. Então fique esperto, o barato pode sair caro. Mas no geral, pode comprar sem medo. As coisas que comprei por lá são elogiadas sempre e paguei quase nada por elas. Desde artesanato, até roupas e alguns eletrônicos mais básicos.
  • Experimentar comidas diferentes – Lá tem alguns mercados noturnos com barracas de comida e bares. Eu não sou muito fã de multidão, ainda mais quando é de gente bêbada. Mas, alguns mercados noturnos também tem umas áreas mais reservadas e fica bem mais tranquilo ir nesse locais.
  • Rooftop bars – Bangkok tem muitos arranha-céus. Vale a pena ir em um restaurante ou bar lá no topo. A vista compensa, te garanto. Fui no Red Sky Bar na noite antes de ir embora, que na verdade é um bistrô muito aconchegante. O atendimento e a comida estavam excelentes.
  • Grand Palace – É ponto de parada certa para qualquer turista, são várias contruções diferentes lá dentro. Lembre-se que se quiser entrar no Wat Phra Kaew as regras para cobrir ombros e joelhos e válida. Caso contrário, simplesmente não entra.
  • Wat Pho – É um dos templos mais famosos de Bangkok, que possui nada menos do que quatrocentos deles. Esse é aquele templo que possui o famoso Lying Buddha (Buda deitado).
  • Mercados flutuantes – Mais afastados da cidade, ainda assim são uma “muvuca”. Funcionam aos finais de semana às margens dos canais. E levam esse nome, porque ao invés de barracas, você verá barcos. Apesar de bem mais afastados, são feitos para turistas, mas ainda assim são bem interessantes.
  • Massagem Tailandesa- Depois de rodar tanto, porque não a massagem tailandesa?! Não saia de lá sem experimentar. Você acha casas de massagem em qualquer esquina e como é muito barato você pode fazer sempre que puder. Eu acho meio violenta, mas vale a pena. 🙂

Dica: Não compre coisa que tem que testar antes. Você nunca sabe se o vendedor é sério ou não. Quando voltar lá, caso consiga e dê tempo, pode ser que o vendedor seja outra pessoa. Então, teste tudo na loja ou barraca no momento da compra.

Bangkok é tão cheia em todos os sentidos. Cheia de cultura, cheia de gente, cheia de carro, cheia de surpresas. Uma daquelas cidades que você sempre quer voltar porque fica com aquela sensação de que tem mais alguma coisa para descobrir e que ficou para trás.

Espero poder voltar muitas e muitas vezes. Nem que seja para dar um alô.

E você?! Tem alguma coisa de interessante para contar sobre Bangkok? Conte aqui nos comentários.

Até a próxima viagem!

KS.

 

 

Autor:

Jornalista curitibana, apaixonada por viagens e outras culturas, compartilhando a própria perspectiva sobre lugares, pessoas e costumes.

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