Publicado em Cultura, Viagem

“Não Me Toque”

“Não Me Toque”

Você já ouviu a expressão “não me toque”? Normalmente, quando você diz: aquela menina é cheia de “não me toques”, queremos nos referir a uma pessoa que se ofende facilmente, e você tem que pensar mil vezes antes de falar alguma coisa para pessoas assim.

Nas minhas andanças pelo mundo, tenho ouvido muitos brasileiros dizendo que os europeus são rudes, mas ouço os europeus dizendo que o brasileiro é basicamente cheio de rodeios. Resumindo, nós não seríamos diretos, ou seja, seríamos “cheios de dedos”.

Cheio de dedos

Ah, hoje é o dia das expressões! E essa atitude de tentar não magoar o outro e não dizer que “o gato morreu, mas subiu no telhado e foi fatal” pode soar como escorregadio e até mesmo falso para pessoas acostumadas a serem diretas. Já os europeus seriam rudes, insensíveis e não sabem falar “com jeito”.

O Que é Frontalidade?

Frontalidade é a palavra para designar a forma de se falar diretamente. Característica conhecida dos europeus, que não fazem rodeios, nem nada de delongas e que muitos brasileiros veem como rude e indelicado.

Esta é mais uma questão cultural de que quem tem que viver longe de casa, tem que enfrentar. Para nós brasileiros essa frontalidade assusta, mas eu, particularmente, acho que é bem positivo.

Às vezes pode parecer uma voadora no estômago, mas com o tempo as coisas vão se ajeitando e você passa a se acostumar melhor com a ideia. Outras vezes o golpe é fatal.

Golpe Fatal

Conheço gente que jura de pés juntos que nunca mais volta para o país em que experimentou uma situação ruim e totalmente contra a nossa cultura.

Você chega cheio de sonhos e expectativas e é normal que seja surpreendido com as novidades do novo país e principalmente das pessoas que nele habitam.

Se você vai morar nesse país com a sua família, acredito que seja bem mais fácil lidar com isso, porque você sempre volta para o aconchego do lar, mesmo estando a milhares de quilômetros de casa.

A coisa pega quando você é obrigado a lidar somente com pessoas inicialmente estranhas e aí não tem para onde correr.

Na minha humilde opinião, acho que a maior dificuldade sobre a frontalidade está em relacionamentos interculturais, pois muitas vezes, essa forma direta de se falar acaba levando uma das partes, que não está acostumada com isso, a pensar que o outro não respeita e não entende essa pessoa.

Leia mais dicas em 10 Dicas Para Você Que Vai Viajar Para a Ásia.

Essa linguagem direta pode causar ruídos na comunicação e se não houver completo empenho de ambas as partes, pode culminar no fim desse relacionamento. Afinal, elas acabam tomando um banho de água fria e logo desistem.

Banho de água fria

Onde cada um tinha que ceder um pouquinho para chegarem a um denominador comum, aqui, abrir mão de muitos hábitos e comportamentos, é um ato constante.

E, veja bem, aqui estou falando de QUALQUER tipo de relacionamento intercultural. Seja em um namoro, casamento, relacionamento profissional, amizade e assim por diante.

Neste caso todos tem que ceder, sem exceções. Isso se quiserem levar adiante suas vidas com pessoas de diferentes culturas nela.

Leia esse post que eu escrevi que fala sobre Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer.

Assertividade

Para que todo esse empenho resulte em assertividade, um estudo anterior sobre a cultura em que se está inserindo é imprescindível. Lembra de tudo o que falavam sobre o lugar para o qual está indo? É tudo verdade.

Alvo assertividade

Para ser mais precisa, é uma espécie de caricatura do nativo daquele lugar. Onde você acentua certos pontos mais marcantes da cultura para demonstrar seu propósito. No fim das contas, o retrato não é fiel, mas diz bastante a respeito do caricaturado.

Ouso dizer que algumas caricaturas são mais leves do que deveriam. Conheço pessoas que são mais exageradas do que a “fofoca” sobre certas culturas.

Um dos povos que mais admiro,os japoneses são conhecidos por serem disciplinados e trabalhadores ferrenhos. Alguns são tanto, que não tem vida fora do trabalho. São completamente workaholics inveterados.

Os russos, falam alto e são conhecidos por uma certa agressividade. Não aceitam nada que não seja da cultura deles e a impõe com a mesma força com que os nipônicos trabalham.

Os suíços são bem preconceituosos ainda que achem essa palavra horrível e nunca admitam. Ainda assim, costumam se referir aos outros pela nacionalidade que é entregue pelas características étnicas e genéticas que carregam, mesmo que o passaporte desse indivíduo aponte para a mesma nacionalidade que a deles.

Leia mais sobre a Suíça em 20 Coisas Incríveis Sobre a Suíça.

Os portugueses são mais amistosos, ainda assim, possuem a frontalidade comum aos europeus, o que pode dar a eles a estigma de grosseiros e quando se trata de brasileiros, existe a fama de rivalidade e chacota constantes.

E assim sucessivamente. As caricaturas independem de onde você é. As pessoas costumam ter uma opinião formada medida pelas experiências ruins que tiveram em contato com outras culturas.

Mas não podemos esquecer que tudo tem dois lados. Sempre tente enxergar o lado bom que a outra cultura pode te oferecer, sua estadia em outro país será bem mais fácil.

Minha Dica Para Lidar Com o Problema

Não existe fórmula mágica para lidar com essas diferenças culturais. Se você escolheu morar em outro país, como eu, tem que aprender a lidar com as situações da melhor maneira possível.

Sem pânico

Como já disse antes, leia sobre tudo o que diz respeito a cultura a qual pretende se inserir. Mas tudo mesmo que achar. Às vezes, uma coisa que aos nossos olhos pode parecer tosca, para eles pode ser o fim do mundo e criar um grande atrito.

Tente se colocar no lugar do estrangeiro com quem se relaciona. Na verdade, ele não está fazendo nada a que não esteja acostumado. O problema está no receptor.

Essa frontalidade, inicialmente assustadora, não tem como objetivo magoar ou ser rude com ninguém. É simplesmente assim que eles veem a vida e não é a sua chegada no círculo social deles que vai mudar a perspectiva de sempre.

Muita conversa também pode ser um excelente motor para os relacionamentos. Diga como se sente, peça paciência e mostre o seu ponto de vista.

Se não funcionar vale repensar se vale a pena estar em uma relação em que a pessoa não se importa com o que você está sentindo.

Afinal, se a pessoa também escolheu se relacionar com uma pessoa de uma cultura diferente, ela também precisa reaprender a lidar com a situação.

Se achar que vale a pena, insista. Essa relação só tem a enriquecer os dois lados. O respeito à cultura alheia tem que ser permanente. Não importa se você é turista ou expatriado, RESPEITO é a palavra de ordem.

Se esse respeito for usado com frequência, garanto que não há nada que não seja superado e melhorado.

E, no final das contas, você vai se pegar fazendo as mesmas coisas que eles. Contando que sejam somente as coisas boas, você vai crescer muito como pessoa, como cidadão e vai passar a se conhecer muito melhor.

Sem contar que a frontalidade vai lhe ensinar com o tempo que você vai poupar muita energia e ser uma pessoa mais objetiva e focada.

Leia também Viajante ou Turista? – Dicas Para Viajar Tranquilo.

E aí? Já passou por uma situação de frontalidade em que se magoou e preferiu abrir mão do contato com a pessoa ou reagiu de outra maneira? Conta para a gente aqui nos comentários.

Até o próximo post!

KS.

 

 

 

 

 

 

 

Autor:

Jornalista curitibana, apaixonada por viagens e outras culturas, compartilhando a própria perspectiva sobre lugares, pessoas e costumes.

3 comentários em ““Não Me Toque”

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