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Os Limites do Reino da Tailândia

Os Limites do Reino da Tailândia

O Reino da Tailândia é o nome oficial do país. Sendo assim, obviamente você deve imaginar que são uma monarquia. Você está correto. Esse país localizado na Indochina é um dos mais famosos destinos turísticos do sudeste asiático.

Grande Palácio de Bangkok
O Grande Palácio de Bangkok

Por ser uma terra muito convidativa, muitos turistas acreditam que podem se comportar de qualquer forma quando chegam na região. Mas, as coisas não são bem assim e a “Terra do Sorriso” pode se tornar bem dura quando algumas regras não são respeitadas.

Leia também: Coisas Que Não Te Contam Sobre Viajar!

O povo tai é considerado bem tolerante quando se trata de turistas. Afinal, em grande parte, o turismo mantém a economia do país girando. Mas, tudo tem seus limites em todos os aspectos. Hoje vamos falar sobre alguns deles.

A Terra do Sorriso

A ciência já comprovou os benefícios do sorriso. Tanto para a mente quanto para o corpo. O povo tai já sabe disso há muito tempo.

Não é para menos que a Tailândia leva o nome de “A Terra do Sorriso”. Eles são um povo extremamente dócil. E quando digo dócil, é porque raramente eles vão demonstrar uma emoção que não seja por meio de um sorriso.

Isso se explica porque eles acreditam que pessoas com expressões carregadas estejam sob influência de espíritos ruins. Por isso, o sorriso é uma forma de demonstrar vários tipos de sentimentos.

Dá uma olhada neste artigo em inglês, ele descreve uma situação que vai fazer você entender melhor o que eu estou falando.

Pelas bandas da Tailândia nunca se grita por razão nenhuma. Os ambientes por lá, sejam hotéis, spas, casas de massagem, sempre tem um clima relaxante, capaz de acalmar todo tipo de stress. Aliás, a melhor massagem da vida que recebi foi em Chiang Mai, norte da Tailândia.

Sabe quando você tem a sensação de que alguém está te olhando? Sentia isso por lá o tempo todo e sempre quando eu encontrava os olhos que pousavam sobre mim, recebia um sorriso infinito em troca. Impossível não devolvê-lo. 🙂

O Poder do NÃO

Não, este não é um conselho para você começar a seguir à risca na sua viagem para a Tailândia. Na mesma linha do sorriso que pode esconder qualquer sentimento, independente de ser bom ou mau, você raramente ouvirá um “não” de um tai.

Duvida? Então faça um teste, com taxistas, garçons, recepcionistas, massagistas. Comece a falar com eles em inglês e termine com uma pergunta em que tenha a certeza de que a resposta será “não”.

A única palavra que ouvirá é um grande SIM, que normalmente era seguido de “please”. Na maioria das vezes, eu ouvia um “yes, please“, mesmo quando a resposta não cabia na ocasião e a única resposta correta era “não”.

Yes please

Um dia eu estava em um restaurante e pedi meu Fried Rice sem nozes, como da vez anterior que comi lá. A garçonete respondeu com um “yes” bem claro e momentos depois quando recebi minha comida, lá estava ela, coberta de nozes.

Isso aconteceu uma dezena de vezes. Pequenos contratempos causados porque mesmo que eles não entendam o que você esteja falando eles tendem a concordar para não soarem rudes.

Em resumo, os tai que não dominam o inglês, obviamente ensinados pelo Capitão, um dos pinguins de Madagascar, geralmente vão apenas “sorrir e acenar”. 🙂

Para eles dizer “não” pode soar ofensivo. Portanto, essa palavra será evitava até que tenham certeza de que não terá uma conotação ruim.

pinguis de madagascar

A Religião

No Reino da Tailândia a religião predominante, e quando digo predominante, me refiro a 95% da população, é o Budismo Theravada.

Nessa vertente do Budismo, não há entidades sobrenaturais. Buda foi um homem normal que alcançou a iluminação. Mas isto não seria um privilégio dele. Todas as pessoas que praticam seus ensinamentos e seguem seus preceitos, podem alcançar o nível de Buda.

Ser um monge é considerado pelos budistas theravadas uma grande honra e eles são as pessoas mais respeitadas no país. Por isso mesmo, espera-se que todo o budista passe por essa experiência, nem que seja apenas por alguns dias.

É muito comum vermos crianças com a cabeça raspada usando os típicos trajes cor de açafrão pelas ruas. Se um tailandês não passa por esse ritual em algum momento da vida, ele não será bem visto pela sociedade.

Monge Tai

Os monges precisam necessariamente desapegar. Durante a manhã eles estão aptos a receber doações de comida. Veja bem, comida. Um verdadeiro monge não aceita dinheiro.

As mulheres não podem tocá-los. Normalmente quando elas fazem as doações, elas não colocam diretamente nas mãos desses monges, mas em um pano ou pote que eles possuem ou então, pedem para um homem entregar a doação.

Uma vez estava em uma área próxima a um templo em Chiang Mai e por acaso eu e uns amigos iniciamos uma conversa com um homem que acabara de estacionar uma caminhonete na frente do lugar.

Para nosso espanto, no final da conversa, descobrimos se tratar de um monge. Fiquei bem curiosa já que ele falou comigo e nos contou que ele era casado. Além de trajar roupas comuns e possuir um carro visivelmente caro para a região.

Foi então que descobri que os monges podem se casar e possuir bens. Aliás, via muitos deles com smartphones por toda parte. O que eles realmente buscam é uma moral ilibada e o afastamento do apego material em excesso que em nada contribui para a elevação pessoal.

A Monarquia

Na Tailândia, a monarquia é uma instituição sagrada. Pequenos gestos, que para nós poderia parecer corriqueiro, para eles pode significar uma ofensa grave. E a partir daí, passível de punição. Dependendo do “crime” a sentença pode ser severa.

Monarquia Tailândia
O rei Maha Vajiralongkorn em sua cerimônia de coroação no momento em que ordena Suthida Vajiralongkorn sua rainha.

Por isso, sempre reforço a importância de estudar a cultura de países para os quais vai viajar. A possibilidade de que uma prisão ou mesmo uma punição mais séria aconteça é sim pequena. Mas, a ofensa contra eles será grave da mesma forma.

Saiba que apontar o dedo para figuras do Rei (ou para qualquer outra coisa), se dirigir a ele de forma desrespeitosa, fazer piadas, não prestar a reverência devida, é caracterizado como ofensa grave.

Como a religião da Tailândia é o Budismo Theravada, não existe para eles o Deus sobrenatural como para os cristãos e diversas outras religiões que devotam alguma divindade.

Mas, na minha humilde impressão, o rei é o mais próximo disso. Existe um clima de devoção por onde se olha, com fotos do rei por todos os cantos, casas e comércios.

As moedas e as cédulas estampam a figura do rei. Portanto, já tenha em mente que pisar a cédula é uma ofensa direta a ele. Até mesmo apontar os pés em direção a alguém (ou mesmo que seja uma estátua de Buda) já é muito ofensivo.

E já que os pés são considerados a parte mais suja do corpo, se uma moedinha cair no chão, nem pense em apoiá-la com eles a fim de contê-la.

Moeda Tai

Um detalhe a ser acrescentado é que ofender algum membro da família real é como ofender o próprio rei. Então a reverência prestada a Sua Majestade, se estende a toda a família real.

As Duras Leis Tai

Quem escuta falar de “Terra do Sorriso”, da dificuldade em dizer não e de esconder sentimentos negativos, nem imagina o quanto eles podem ser rigorosos com suas leis.

Duras Leis

Alguns diriam que eles pegam realmente pesado. E não é para menos, a punição para o tráfico de drogas, por exemplo, assim como em Cingapura, é a Pena Capital. Isso mesmo, a consequência pode ser a morte.

Que desrespeitar o rei e a família real é ofensa grave você agora já sabe. O que falta complementar é que essa atitude, além de ser uma falta de educação abissal, é também crime.

Você pode sim parar na cadeia por até 15 anos pelas ofensas à realeza. Lembrando que a lei cobre o rei, mas estende-se também à rainha, ao herdeiro do trono e ao regente, quando houver.

Em 1985, o cantor inglês Muray Head, que ficou famoso após o hit “One Night in Bangkok”, foi banido de entrar na Tailândia por conta da letra da música. Segundo as autoridades locais a letra “causa mal-entendido sobre a sociedade tailandesa e mostra desrespeito ao Budismo”.

Usar camisetas com a imagem de Buda, ou outros adereços são ofensa grave também. Me lembro de quando cheguei na Tailândia, uma das primeiras coisas que vi a caminho do hotel foi um painel gigante esclarecendo isso.

Ele ressaltava também que Buda não era decoração, o que me fez lembrar do consultório da minha dentista no Brasil. A primeira vez que fui até lá, perguntei se ela era budista, porque tinham vários budas por lá. Ela me disse que não era, mas que achava bonito.

Mal sabia ela que para um budista isso é um desrespeito imenso, além de ser crime na Tailândia. A punição pode ser uma multa ou mesmo, a prisão.

Exportar estátuas de budas ou até mesmo parte delas, também é crime passível de multa ou prisão.

Se você entrar em uma briga com um tai, tenha em mente que o governo tailandês nunca toma partido de um estrangeiro. Não importa o que você diga, você sempre estará errado. Então, comporte-se!

O Velho e o Novo

O velho e o Novo

De Chiang Mai e outras províncias que fazem fronteira com o Laos, Camboja e Myanmar, até a gigante Bangkok, você aprecia o velho e o novo o tempo todo. Mesmo nas cidades mais remotas, eu podia enxergar a modernidade nos restaurantes e hotéis turísticos sem deixar a tradição de lado nunca.

Em Bangkok as coisas ficam mais acentuadas ainda, pois os templos deslumbrantes que representam a tradição tai, contrastam com os arranha-céus que emergem no meio da cidade.

A Tailândia atrai tantos turistas não é por acaso. O clima misterioso e surpreendente está por onde se olha e desperta a curiosidade. Não dá para explicar a Tailândia, cada experiência por lá é única.

Por hoje é só e até a próxima viagem!

Bjokas,

KS.

 

 

 

 

 

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Coisas Que Não Te Contam Sobre Viajar!

Coisas Que Não Te Contam Sobre Viajar!

Quando você passa a ser um viajante frequente acaba descobrindo coisas que normalmente não te contaram sobre viajar e como essas pequenas coisas podem fazer toda a diferença na sua viagem.

Com a experiência você vai aprendendo a respeitar prioridades e saber exatamente onde buscar ajuda, seja em um aplicativo ou em um destino específico. Mas algumas coisas a gente só vai descobrir vivendo.

Sobre Viajar

Viaje leve

Levar mala pesada só causa dores de cabeça e você certamente não vai usar tudo o que levou na ânsia de não esquecer de nada.

Sem contar que quando você leva coisas em excesso, pode ter certeza de que vai acabar pagando excesso de bagagem. Não pelas coisas que está levando se você programou o limite de peso, mas porque sempre voltamos com mais coisas do que quando fomos.

Eu aprendi a duras penas depois de umas três viagens muito longas em que eu achava que ia precisar de tudo. Sim, TRÊS! Pensa num sofrimento. Claro que sabia desde a primeira vez, mas quem disse que eu desapegava? A partir da quarta entendi que me pouparia sofrimento.

Com o tempo você aprende o que é realmente importante e “pega a manha”. Antes, sempre tinha a mala despachada e a que eu levava comigo, além da minha bolsa e, às vezes, até uma mochila para o laptop separada.

Normalmente levava tudo o que iria realmente precisar, o que achava que ia precisar e coisas que eu sabia que não ia precisar. Sempre no “quem sabe”, “por acaso”, “vai que preciso”, não é mesmo?! Tempos bons esses, ou não.

Com a nova política das linhas aéreas de cobrar as bagagens e controlarem as malas que os passageiros levam consigo dentro dos aviões, a coisa complicou.

Agora me atenho a minha bolsa usual e a bolsa de mão que carrego o laptop, afinal não dá para despachar por segurança mesmo e ele sempre precisa ser retirado com facilidade para passar pelo raio-x no aeroporto.

Viaje leve

No fim das contas, levar menos coisas me poupa ter que pedir ajuda para estranhos para entrar depois com as malas em trens, táxis e tuk-tuks da vida. Além das minhas corridas olímpicas dentro dos maiores aeroportos do mundo para não perder o voo.

Aqui a prática do minimalismo é altamente recomendada, ainda que você não se veja sem alguns itens, vai perceber que no fundo eles nem são tão importantes assim.

Por tudo isso, checar a temperatura, o tipo de roupa que vai levar para as ocasiões adequadas e coisas que serão realmente necessárias, vão fazer toda a diferença no fim das contas (literalmente). Sempre viaje leve, você ainda vai me agradecer pela dica!

Gato por Lebre

Sabe aquelas fotos lindas dos hotéis e restaurantes que você viu na internet? Pois é, as coisas envelhecem ou pode ser pura “maquiagem” mesmo. Cuidado para não acabar comprando gato por lebre.

Gato por lebre

Por isso, fique de olho nas recomendações. Sites como o TripAdvisor salvam nessas horas. Porque você sabe exatamente quando o hóspede/cliente esteve no local e quais foram as impressões dele sobre o lugar, com direito a fotos, nomes e tudo mais.

Confira o que o hotel promete. As estrelas conferidas a eles se deve a qualidade do serviço, mas também quais serviços oferecem. Por exemplo, para ser 5 estrelas, você precisa ter serviços acessórios, como salão de beleza, farmácia, etc.

Se o hotel diz que seu quarto possui secador de cabelo, isto quer dizer que você pagou por ele. Caso não encontre, peça a recepção para providenciar imediatamente.

Uma vez estive em um hotel 5 estrelas em Bangkok, na Tailândia. Imediatamente quando entrei no meu quarto senti um cheiro forte de cigarro. Claro, que o último hóspede espertinho fumou lá dentro.

Não esperei nem um minuto e pedi para mudar de quarto. Imediatamente recebi um upgrade e mil pedidos de desculpas. Portanto, não aceite menos do que está pagando e qualquer problema deixe o gerente saber.

Sempre recomendo que a reserva do hotel seja feita por sites como Booking.com e Hotels.com. Além de você ter uma segunda opção, caso o hotel não resolva, eles sempre te dão descontos ou mesmo noites grátis quando algo sai errado.

Sem contar que quando você passa a ser cliente frequente e vai subindo de categoria, você recebe uns mimos e bons descontos.

ComunicAção

O inglês é o idioma universal, mas nem todo o mundo é capaz de se comunicar neste idioma. Normalmente aquele país que você acha que ninguém fala inglês, é muito fácil achar quem fale e naquele que você jura que todo mundo fala o idioma, você acaba ficando na mão.

No Camboja, encontrei uma quantidade surpreendente de pessoas capazes de falar um inglês impecável. Logicamente, em hotéis e restaurantes mais frequentados por turistas.

Enquanto que aqui mesmo na Suíça, que sempre se gabam de falar mil idiomas per capta, já vi gente que não conseguia falar nem mesmo o básico do inglês. E está tudo bem. Para eles.

Porque se você está viajando para um país em que o idioma não é o seu, a responsabilidade da comunicação fica por sua conta.Comunicação

Se está viajando sozinho, leve um dicionário com o idioma local, baixe, aprenda o básico do idioma local antes de se aventurar por aí ou baixe um aplicativo que traduza em tempo real.

Estive em uma cidade no norte do Myanmar chamada Mandalay, onde apesar de me surpreender com a quantidade de pessoas capazes de se comunicar em inglês, eles faziam questão de te ensinar algumas palavras no idioma local, o birmanês.

Assim como acontece em outros países, eles sempre me cumprimentavam em birmanês, independente de continuarem a conversa em inglês.

É sempre de bom tom aprender a cumprimentar no idioma local. Bom dia/boa tarde/boa noite, assim como agradecer e pedir por favor. Te garanto que isso vai motivar qualquer um a te atender melhor e não custa nada decorar algumas palavrinhas. É até bem divertido.

Em Cingapura tive uma experiência um pouco intrigante. Alguns taxistas fingiam não falar inglês. Um deles me cobrou uma taxa extra que eles costumam cobrar na hora do rush sem estarmos nesse horário e não tive como argumentar.

Apesar do inglês ser um dos idiomas oficiais de Cingapura, nem todo mundo fala e quando fala, quero ver você entender, alguns tem um sotaque bem difícil.

Para não correr esse tipo de risco, garanta que ele vai saber exatamente o que você está falando.

O Corpo Fala Sim

Para quem ainda acha que isso é conversa fiada, saiba que se não cuidar sua postura pode depor contra você.

A linguagem corporal é muito importante. Na Tailândia e no Camboja, por exemplo, é comum juntar as mãos em posição de prece para cumprimentar e isso é um sinal de respeito por lá. Se você fizer isso no Myanmar eles vão estranhar.

Quanto mais alto as mãos estiverem acima do peito, mais importante é a pessoa que está recebendo o cumprimento. Mantenha suas mãos na altura do peito, curve levemente a cabeça ou o tronco e está tudo certo.

Lembre-se que educação, quando se trata de viajar para outras culturas, não quer dizer impor seus bons modos, mas é aprender sobre o que seriam os bons modos para essas culturas e colocá-los em prática.

O que é certo para você pode ser completamente errado do outro lado do globo. Preste sempre atenção!

Leia também: 5 Erros Comuns em Viagens

E você, tem aquela dica super valiosa para compartilhar que facilitou sua viagem um dia desses? Conta para a gente aqui nos comentários.

Um super beijo e até a próxima viagem!

KS.

 

 

 

 

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A Viagem Por Detrás da Foto

A Viagem Por Detrás da Foto

Desde a época das polaroides instantâneas que se materializavam como mágica, registrando a imagem no mesmo momento do acontecimento, o ser humano passou a ter essa fixação por fotos. Agora o que está por detrás de uma foto nos dias de hoje?

Polaroid

Muito antes do aparecimento das tecnologias instantâneas, existia a necessidade de registrar o cotidiano, as pessoas, as paisagens. Tudo para deixar esse “registro para a posteridade” ou estampar um retrato na sua biblioteca.

Com a chegada dos smatphones, cada pessoa passou a ter o poder de fazer seu registro de qualquer coisa que aparecesse pela frente. Desde um prato de comida até situações inusitadas capturadas ao redor do mundo.

Leia também: A Geração Que Não Sabe Esperar

Hoje ninguém pode fazer mais nada que não corra o risco de ser devidamente gravado por qualquer um que esteja próximo ao fato.

Desde então as fotos continuam tendo o poder de recortar a realidade e mostrar somente o que o detentor da câmera ou smartphone quer, com algumas exceções, recorrentes de erros que são constatados só depois que as fotografias já foram espalhadas pelas redes.

E todo mundo sabe que uma vez na rede, é impossível resgatar o que foi compartilhado sem que os cliques já tenham sido visualizados por dezenas, milhares de expectadores vorazes pela novidade.

Isso muitas vezes acaba gerando fofoca ou frenesi, por mais insignificante que seja a questão. Se teve foto tem motivo para falar sobre a situação registrada. Claro, cada um da sua própria perspectiva.

 

Capturar o Momento

Viajar é a forma de consumo que já vem de tempos remotos, onde aquele que tivesse cruzado o oceano era quem podia mais. Para as madames viajar para a França para comprar seus vestidos era o ápice do poder econômico. Mas, ainda hoje se dar ao luxo de uma viagem internacional ainda não é para todos. 

Acredito que ainda vamos demorar para chegar nesse patamar, se é que o vamos alcançar. Mas, hoje em dia, já é muito mais democrático poder viajar para todos os cantos do mundo independente do quão gorda é sua conta bancária.

Nesse mesmo caminho, viajar se tornou a nova forma de ostentação. Pessoas se endividando horrores para pagar por viagens em que o único objetivo é tirar fotos para postar nas redes sociais.

Carpe Diem já não tem o mesmo significado de outrora. As pessoas não aproveitam o dia da forma como faziam. Agora o importante é o resultado da foto para postar e descobrir quantos likes e followers seu post vai alcançar.

Follow

LIKES E FOLLOWERS

Marc Zuckerberg deu uma declaração que pode mudar o rumo do compartilhamento de imagens. Você pode pensar que eu estou exagerando, mas vamos em frente.

Surgiu um boato, que agora já foi comprovado, de que o Instagram está testando ferramentas para esconder o número de likes que aparecem nas fotos em forma de coração abaixo de cada foto. Foi o suficiente para deixar os usuários afoitos com a notícia.

Seria isto bom para frear essa necessidade desesperada por atenção em forma de likes e followers ou faria com que a plataforma perdesse o interesse dos que diariamente vivem para alimentá-la?

Like

Houve quem aplaudisse a ideia, alegando que finalmente o Instagram se mostrou preocupado com a saúde mental dos seus usuários e que uma atitude assim já era esperada há bastante tempo.

Obviamente, pessoas com um grande engajamento, número de curtidas e de seguidores, começaram a se preocupar se todo o esforço empreendido até então não seria jogado no lixo ante a medida.

Outra questão seriam as empresas que fazem seus negócios pela plataforma e não teriam mais este modo de promover seus produtos cheio de likes, sejam eles coisas, lugares ou até mesmo pessoas. 

CANDID x PLANDID

Em uma época em que o preço de um filme usado nas antigas câmeras para revelar as fotos era contado por poses, podemos dizer que era realmente uma revelação quando você descobria como tinham ficado suas fotos. 

Isso quando todas elas não eram queimadas e você ficava sem nenhuma lembrança daquele momento que você desejava registrar.

Com a chegada das supercâmeras esse problema não existe mais. E um novo comportamento surgiu de maneira mais contundente no mundo virtual.

Dezenas, centenas de fotos de uma mesma coisa podem ser tiradas sem esperar para ver o resultado que sai na hora na tela. E elas podem ser deletadas e refeitas a todo o momento.

Hoje, as reuniões com os amigos na sala de casa para mostrar as fotos de infância, praticamente acabaram. Raras são as vezes que as pessoas apreciam mostrar fotos tão reais como poderiam ser.

Não é preciso mais economizar nas poses e existe uma quantidade infinita de opções de filtros para deixar sua foto ainda mais perfeita. Tudo pode estar a mostra para todos.

Dois termos estão cunhados para definir o tipo de foto que está sendo apresentada nos feeds da vida:

Candid é um termo em inglês utilizado para definir fotografias que não foram planejadas, não foram “posadas” e não houve nenhuma preparação para obtenção do resultado final. Essas fotos são espontâneas.

Candid Cat

Normalmente, para capturar um clique espontâneo, uma tentativa é mais do que suficiente. E está no instante a capacidade de registrar a realidade da maneira mais fidedigna possível.

Plandid, em contrapartida, é a definição onde o que aparece na foto não é o retrato fiel do acontecimento em si, mas apenas uma possibilidade artificial de algo que se deseja mostrar. Ou seja, algo posado, pensado para parecer ser o que se demonstra.

Plandid seria a união de Planned e Candid, e apesar de ter um planejamento, a intenção é parecer autêntico, natural, cândido mesmo. Às vezes funciona, às vezes não.

Plandid

Com isso, não é incomum que hajam na maioria das vezes diversas tentativas na busca do clique perfeito. E não incomum, treinos e ensaios para a realização dessa foto. 

FOMO

Diante de tantas neologias que acompanham o desenvolvimento da tecnologia, “Fear of missing out” é o termo da vez. As pessoas tem abstinência de redes sociais. É o tal medo de não pertencer, de não estar por dentro de tudo.

Existe uma dedicação extrema para o “bafão” do momento, esquecendo que tudo isso é efêmero, amanhã ninguém mais se lembra de nada. Mas, se amanhã pode ser tarde, ninguém quer perder nenhuma oportunidade.

Likes e Followers

Vivemos a era das experiências únicas. Todos querem ser os primeiros a publicar algo, experimentar algo, ou criar algo.

Todo mundo também sabe do que está falando com a propriedade de um estudioso que passou meses, anos enclausurado em um laboratório implementando uma metodologia a fim de constituir um resultado honesto e embasado em fundamentos notórios.

As pessoas não querem abrir mão de expressarem sua opinião já que agora podem se transvestir de uma tela de computador e evitar a retaliação direta, ainda que mais recentemente já existam consequências e nem sempre ficam imputáveis ante suas manifestações.

Não estou dizendo que o excesso de informações que nos é disponibilizado hoje é prejudicial. Pelo contrário, é riquíssimo, mas se não soubermos filtrar e ordenar essas informações seremos mais um “alguém” que só está cheio de vazio.

Cheio de Vazio

Consequências

Que muitas pessoas já morreram – isso mesmo, MORRERAM – em busca de uma foto perfeita e continuam morrendo já é sabido de todos. A questão é porque elas continuam se arriscando para manter uma audiência.

Isso tudo é muito novo, os efeitos mais profundos dessas atitudes só serão sentidos daqui a algum tempo. Mas, as consequências de uma geração que decide fazer o que for preciso para ser aceito já está às portas.

Algumas vezes as pessoas colocam suas próprias vidas em risco, na busca da foto mais interessante, mais ousada, capaz de chamar a atenção daquele que está correndo o feed à procura de novidades e conseguir o cobiçado like.

Topos de prédios, trilhos de trem, carros em movimento. Vale tudo para se sobressair no mundo dos influencers, que como o nome já diz, influenciam as pessoas a seguirem seus passos.

Perigo no trilho do trem.jpg

Seria uma busca para encontrar seu lugar ao sol, no mundo das celebridades instantâneas que desfrutam de glamour e fama, sem muito esforço. Mas o custo pode ser alto e causar arrependimentos.

Essa necessidade de estar sempre um passo à frente está gerando pessoas ansiosas e por demais angustiadas, que vivem a vida pessoal como se fosse mais um dia de trabalho para se apresentar impecável diante do mundo.

Não obstante, pessoas que quebram esses paradigmas e são corajosas e ousadas o suficiente para “dar a cara a tapa” e mostrar a vida como ela é, também alcançam seu público.

Aquele que está cansado das máscaras e anseia por uma vida simples e sem maquiagem, no sentido mais amplo possível da palavra.

Resumo da Ópera

No fim das contas está tudo bem não gostar do lugar para o qual você guardou tanto dinheiro para viajar. Esquecer de tirar aquela foto de um lugar incrível também não é pecado. O que vale é desfrutar do momento e prezar pela sua própria felicidade.

Não podemos esquecer a viagem que existe por detrás da foto. Ela pode ser muito mais interessante que um simples clique ou absolutamente sem graça. Mas, esta é a realidade: a vida nem sempre é tão incrível ou miserável quanto uma captura pode mostrar. 

E você, o que tem determinado seus cliques? Já parou para pensar nisso?

Bom, por hoje é isso!

Até o próximo post!

KS.

 

 

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O que é Turismo Sustentável?

O que é Turismo Sustentável?

Existem tantas palavras novas que quando usadas juntas tem um significado completamente diferente. Mas, o que as palavras Turismo Sustentável combinadas, tem a ver? É o que eu vou te contar nesse post.

Turismo Sustentável

Deve surgir em sua mente nesse momento que Turismo Sustentável, pode ter alguma coisa a ver com sustentabilidade, portanto tem a ver com preservação do meio ambiente. Mas não é simplesmente isso, ele vai muito mais além.

Tanto o ambiente, a economia e a cultura local devem ser preservados em todos os sentidos o máximo que pudermos. Assim, além de preservar a estrutura física e incentivar a economia, garantimos que a posteridade tenha o que desfrutar.

Sendo assim, uma dica é parar de pensar individualmente e investirmos enquanto coletivo, para garantir que haja um futuro tão bom quanto para os que ainda virão depois da gente.  

Uma regra que deve absolutamente ser estabelecida e cumprida por todos nós é: devemos parar imediatamente de deteriorar os lugares que visitamos. É tão ruim quando ouço um guia dizendo que uma coisa era assim e não é mais porque alguém destruiu.

E eu ousaria ir mais longe ainda. Que tal pararmos de invadir a cultura alheia impondo nossas ficções? Isso mesmo, ficções. Por exemplo, a quantidade de pontes ao redor do mundo infestadas de cadeados não dá para mensurar.

Aqui mesmo no lago do meu bairro que é artificial e foi construído recentemente para dar mais qualidade de vida para os moradores tem algumas pontes que cortam as margens. E já tenho vislumbrado uma porção desses cadeados por lá.

O que essas pessoas não sabem é que fazendo isso elas iniciam um processo que só acaba quando o estado de alguma forma precisa intervir porque a ponte está preste a ruir. Isso mesmo, desabar.

Uma parte da Pont Des Arts, em Paris, desmoronou Rio Sena abaixo em 2014. Acredite, mas, 40 mil toneladas de “cadeados do amor” foram retirados das grades. Tiveram que colocar grades de vidro para impedir que novos cadeados fossem colocados.

pont-des-arts-paris

Isso tudo porque as pessoas, apesar do ocorrido, insistem em acreditar que o amor só durará para sempre caso algum cadeado preso em alguma ponte da vida dê a elas essa garantia.

É tudo muito romântico e bonitinho na teoria e eu não estou aqui para julgar nem desacreditar de ninguém. Mas faz isso no seu portão meu amigo. Se cada um fizer no seu está tudo certo.

Porque, além de deteriorar o patrimônio público, esse gesto, aparentemente romântico e simbólico, pode colocar em risco a vida das pessoas que circulam por essas pontes.

Apoiar o Desenvolvimento Local

Sabe aquela pousada super aconchegante que você encontrou na internet ou um amigo seu que já esteve no mesmo destino recomendou? Então, não acha que seria uma boa ideia?

Reservar essas pequenas pousadas, deixando de favorecer somente as blockbusters internacionais, até comprar coisas da “vendinha do seu João” e apoiar o artesanato local comprando o souvenir direto das mãos dos artesãos, são formas de contribuir para o Turismo Sustentável.

Isso não quer dizer que agora você vai boicotar as grandes redes, de forma alguma. Mas, não custa nada encontrar sua própria forma de exercer mais sustentabilidade enquanto viaja. E que legal deixar sua contribuição para o lugar que visitou.

Não deixa de ser uma troca, uma forma de agradecimento por ter passado momentos tão agradáveis que o lugar te proporcionou. Sempre saímos mais ricos quando conhecemos uma nova cultura, novos hábitos, por que não retribuir?

Pequenos Gestos

Sabe aquele recadinho nos banheiros dos hotéis pedindo que se deseja reutilizar a toalha você deve pendurá-la e se não deseja, deve deixar no chão ou em lugar indicado pelo hotel?

Então, já ouvi gente dizendo que porque está pagando o hotel quer toalhas frescas todo dia. E está tudo certo, isso vai de cada um mesmo. Eu tinha esse hábito de querer toalhas novas todo dia.

reutilizar Toalhas

Mas, com o tempo a gente percebe que ser tão exigente pode impedir que a gente contribua de alguma forma para o nosso planeta.

Estudos mostram que as toalhas devem ser trocadas entre 3 e 7 dias de uso dependendo do clima. Mais frequentemente quando está quente e úmido e menos quando estiver frio e seco.

Se cada um tiver sua própria toalha não há problemas, lembrando sempre de deixar longe do vaso sanitário. Aliás, amo aqueles banheiros que tem o vaso separado, mas sei que não é muito comum em alguns lugares.

Portanto, usar sua toalha de banho uma segunda ou terceira vez, pode de grande ajuda. E não digo para o hotel, mas pela água que vai ser economizada no reúso de sua toalha.

Ainda neste quesito, evite descartáveis! Quando sair para caminhar e desbravar os lugares, sempre leve uma garrafinha reutilizável com você. Além de preservar o meio ambiente, você economiza. Porque vou te falar, como água é cara!

Garrafa reutilizável

Verificar a descarga que deve ser puxada também ajuda a economizar água. Nos banheiros mais novos as descargas normalmente possuem mais de um dispositivo que determina a quantidade de água que será liberada. Isso economiza também.

Nem preciso falar que jogar lixo fora do lixo é inaceitável. Como boa curitibana, me dá calafrios quando vejo pessoas jogando lixo até aqui na Suíça mesmo. Em casos mais sérios já cheguei a chamar a atenção do cidadão.

Outra coisa que você pode fazer para contribuir é trocar o ônibus, metrô ou carro por bicicleta ou uma caminhada. Eu sou um desastre de bicicleta, mas gosto de caminhar. E no fim, não tem nada melhor para realmente conhecer o lugar visitado.

Andar a pé ou de bicicleta

Não dá para esquecer dos animais nesse caso. Gente, esquece aquilo de tirar foto com tigre dopado, andar nas costas dos elefantes que são maltratados e alimentar animais que você nem sabe sobre a dieta.

Já falei sobre isso no post da minha viagem para o Camboja, mas sempre tem que lembrar, porque as pessoas normalmente só se importam com o próprio nariz, mas passou da hora de começarmos a nos importar mais com o outro, inclusive os animais.

O que torna o Turismo Sustentável tão inovador, é que ele precisa da ação direta do turista para acontecer. O resultado disso depende de como você, que está visitando o local age e reage às circunstâncias.

Se o turista não chamar a responsabilidade para si e ser um agente efetivo dessa transformação esse tipo de turismo não vai acontecer, o que é ruim para todo mundo.

Portanto, está mais do que na hora te respeitarmos a comunidade em que vamos nos inserir no período de nossa viagem e trazer isso para a nossa vida no dia a dia. Afinal, nunca é demais cuidar da nossa sociedade.

Até o próximo post!

KS.

 

 

 

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A Geração Que Não Sabe Esperar

A Geração Que Não Sabe Esperar

Telefone nas mãos em qualquer cidade ou país que já estive. Essa é a imagem que me vem a mente agora. Até mesmo nos lugares mais rústicos e nas mais bucólicas paisagens, em algum canto que se olhasse o smartphone despontaria em algum momento, supremo. Mas, afinal, o que isso tem a ver com ser, de fato, a geração que não sabe esperar?

Quando eu me refiro a geração, incluo todos os que vivem nesta Era da Tecnologia. Pois, essa “síndrome” não afeta só os mais jovens não. Há aficionados pela tecnologia de todas as idades.

A questão é tentar entender o porquê de todo mundo precisar ter um aparelho nas mãos. Por que as pessoas escolhem ver o mundo por meio de um telefone celular, ao invés de olhar direto para a paisagem em sua frente e desfrutar sua beleza real e pura?

O mundo visto pela lente do celular

O tempo hoje passa que a gente nem vê. Por que antes a sensação era de que ele não passava nunca? Será porque tínhamos que inventar coisas para passar o tempo e hoje já não sobra tempo para tudo o que temos para fazer?

Aposto que você já foi ao banheiro com o celular na mão, ou já ficou usando o celular durante um jantar com os amigos. Ou ainda quase tropeçou por não tirar os olhos da tela.

Hoje temos a necessidade de sermos onipresentes. Estamos em todos os cantos do mundo sem sair do lugar. Mas isso também cansa.

Para isso vamos tentar fazer uma breve linha do tempo de como nossos ancestrais não tão distantes faziam para se divertir ou fazer de seu tempo algo produtivo. Assim vamos tentar entender o porquê as pessoas de hoje não sabem esperar.

Passatempo

Quando você lê livros mais antigos sobre romances da época de nossos avós e bisavós você consegue ter uma noção clara de como as pessoas de outrora usavam o seu tempo e o que costumavam ter como passatempo.

Uma palavra que se você notar bem caiu em desuso. Hoje em dia não precisamos mais de algo para passar o tempo, mas sim para desacelerar. Nunca se ouviu falar tanto em meditação, mindfulness e minimalismo como hoje em dia.

Mas antes era basicamente assim: as mulheres tricotavam, tomavam chá com as amigas, saíam às compras quando sua situação financeira permitia.

Outras iam dar uma volta para ver o movimento da rua, de repente paravam em uma confeitaria pelo caminho. Outras mais ousadas, se voluntariavam para ajudar a cuidar dos enfermos e crianças nos hospitais pelo mundo.

Já os homens, se reuniam em suas casas ou clubes para fumar seus charutos, jogar cartas ou outros jogos, andar a cavalo, fazer apostas ou coisas do tipo.

Para viajar para algum lugar, os animais eram os meios de transporte, portanto dependia do passo do animal para saber quando chegaria ao seu destino, até a chegada dos primeiros veículos automotores.

Não era possível saber das notícias que aconteciam nem na cidade vizinha em tempo real, quanto mais em outro país ou continente. Quando os primeiros jornais apareceram, falavam sobre coisas irrelevantes em termos de comunicação global.

Quando essa comunicação de fato começou a se estabelecer, o jornal demorava meses para atravessar o oceano e chegar em cantos mais remotos. Afinal, não tinha como postar online, ou mandar via e-mail. Já que a internet ainda era algo que não era palpável, por assim dizer.

Televisão

Com a chegada dos anos 60, ela se tornou a babá, a melhor amiga, a companheira, pois possuía todos os atributos que os passatempos anteriores tinham e muito mais. Por isso ela passou a fazer parte integral da vida das pessoas. Era a nova protagonista da casa. Sim, estou falando da televisão.

Essa foi a primeira grande tecnologia depois do rádio que teve realmente impacto na questão do entretenimento na vida das pessoas. As vozes gravadas nos rádios, se transformavam em telenovelas e depois em outros programas. Assim a audiência foi crescendo conforme o aparelho foi se popularizando.

Por vezes, ela era compartilhada por amigos, vizinhos e desconhecidos, a fim de desfrutarem do entretenimento no seu mais elevado grau de fixação e de ficção até o momento. A sala virava um cinema.

Afinal, as primeiras televisões eram privilégio somente dos mais abastados, como aconteceu depois com os primeiros celulares, até a sua vigente democratização.

Hoje aquela antiga TV foi descartada. As que sobraram viraram peça de decoração ou foram substituídas pelas SMARTV’s, capazes de desempenhar as funções mais impressionantes possíveis.

Televisão antiga

Mais do que as potentes e modernas televisões, hoje em dia, reinam absolutos os aparelhos individuais de smartphones. Foi-se a época de brigar pelo controle da TV. Ou dividir a sala com o restante da família.

Cada um agora vai para seu quarto e não precisa dividir mais nada. Cada um faz o que quer no seu próprio telefone que é só dele e de mais ninguém. A senha, que é a primeira coisa a ser inserida no celular após a compra, não me deixa mentir.

Com a multiplicação da tecnologia, as opções de entretenimento se tornaram inúmeras e tudo ficou ao alcance de um clique. Quase como se o telefone fosse a continuação do braço, como bem previu Marshall McLuhan, quando escreveu “Os meios de comumicação como extensão do homem”.

Celular ou Acompanhante?

As paisagens são delimitadas pela lente da câmera. Ninguém aproveita mais o momento sem a necessidade de registrá-lo, para o quanto antes compartilhar com o mundo virtual. O que importa naquele momento é o recorte feito pela tela do celular que dá a sua versão da realidade.

Recorte Momento Foto

Aqui aquela máxima de que a tecnologia aproxima quem tá longe, mas afasta quem está perto se torna realidade constante.

O ciclo se torna sem fim. Você posta e analisa o que foi postado pelos outros. E então, o medo da solidão ou talvez de perder a última foto ou “bafo” do momento, faz com que as pessoas deslizem seu feed à exaustão em busca da próxima foto.

Temos até nome para isso agora: FOMO, “fear of missing out”, que significa ter medo de perder algo, de ficar de fora, sabe como?! Claro que você sabe.

O imediatismo, a ânsia de alcançar o objeto de desejo, seja ele algo ou alguém, nos torna a geração dos apressados. Esse alto nível de stress e ansiedade não poderia ter um resultado diferente.

Crianças inseguras, diante de expectativas inatingíveis e sem domínio próprio, tornam-se serem humanos distraídos e incapazes de viverem, ou quem dirá, apreciarem o momento.

O medo da solidão é tão constante que pensar em ir ao banheiro sem o celular causa a sensação de que está faltando alguma coisa. o tal de FOMO novamente.

Sem contar que esse aparelho tão pequeno, tem todas as respostas do mundo em uma rápida pequisa nos mecanismos de buscas, mas elas são muito mais do que um indivíduo é capaz de processar.

Por volta de 3 anos atrás, mandei meu celular para o conserto e decidi aproveitar para ficar desconectada por um período maior, algo em torno de uns 20 dias. Sendo assim, excluí o acesso às redes sociais pelo computador também.

Foi uma experiência curiosa. Nos primeiros dias, tive o que posso chamar de abstinência. Ficava inquieta, incomodada. Tinha a todo o momento que procurar algo para me distrair e a televisão voltou a ser minha companheira no fim do dia e em momentos mais solitários.

Era como se eu estivesse por fora do que estava acontecendo. A ausência nas redes sociais fez com que eu deixasse de pertencer ao círculo de amizades distantes ao qual as redes sociais me garantiam a adesão.

Midia Social

Fiquei me perguntando se houvesse uma pane mundial, como essas que deixam as pessoas alvoraçadas, enfurecidas e revoltadas com um possível bloqueio do WhatsApp ou uma instabilidade no Facebook ou Instagram.

Acredito que as pessoas enlouqueceriam, o que me faz pensar que a tecnologia é um caminho sem volta.

Bom, depois desse tempo voltei a usar o telefone e as redes sociais, acredito que de maneira mais consciente. Não pude evitar de me sentir novamente “parte do jogo”, mas também não posso negar o quanto me fez bem escolher estar ou não nele.

Saber que posso viver sem essa extensão do meu corpo me fez ter um maior auto conhecimento. É inevitável não me lembrar de Zygmunt Bauman. Um sociólogo que brilhantemente nos anos 90 descreveu com impressionante lucidez o mundo moderno – ou pós-moderno, se assim o desejar:

em uma vida moderna líquida não há laços permanentes, e qualquer coisa que seguramos por um tempo deve ser amarrada vagamente para que os laços possam ser desatados novamente, tão rápido e tão facilmente quanto possível, quando as circunstâncias mudarem”

Se Não Teve Foto Não Aconteceu

Quantas pessoas atravessam as ruas sem tirar os olhos da tela dos telefones, correndo o risco de serem literalmente atropeladas. Outras estão diante de uma paisagem de tirar o fôlego, mas o que importa é mostrar para outra pessoa, porque se eles não virem não vão acreditar que é verdade.

Quem nunca ouviu algum espertinho dizendo que “se não teve foto não aconteceu”? Afinal, vivemos uma época em que tudo que fazemos deve ser corroborado com uma foto nas redes sociais. Nem namorado você pode afirmar que tem se não tiver uma foto estampada do “mozão” no Instagram.

Um dia eu estava falando sobre um lugar em que estive que era realmente maravilhoso, mas não tive oportunidade de tirar nenhuma foto e ouvi que era muito estranho eu ter estado naquele lugar e não ter feito fotos.

Se isso tivesse ocorrido anos atrás, provavelmente eu não seria inquirida quanto às fotos que não tirei ou tirei e não eram exatamente como vi. Simplesmente porque antes não havia a facilidade de obter um click como há hoje.

A minha vontade ou capacidade de registrar não é mais levada em conta. É quase que mandatório que você o faça.

Outro dia tirei uma foto de um céu absurdamente rosa, pensa na minha decepção quando me dei conta que meu celular não era fiel ao que eu realmente estava vendo. Como eu poderia ser crível se a foto em si não era?

Céu rosa

Sem contar que em algum ponto vou estar tão absorta ao momento e ao cenário que posso me esquecer de registrar ou não ter meios de fazê-lo e preciso estar bem quanto a isso. Gosto muito de compartilhar as minhas experiências, mas jamais terei isso como obrigação.

O grande problema é que vivemos em uma sociedade que tem que provar tudo o tempo todo para todos e a si mesmo. Talvez seja a hora de tentar levar a vida mais leve, curtir aquela viagem dos sonhos sem ter a obrigação de mostrar que você chegou lá.

Fazer uma paralelo da sua vida com as redes sociais incessantemente não pode ser saudável. Ainda que nosso trabalho seja “online” precisamos nos desconectar dessa realidade virtual em algum momento e desfrutarmos do que a vida tem para nos oferecer de forma real.

Autoconfiança é uma coisa escassa atualmente e quando você se vale dela, você passa a desfrutar de coisas surpreendentes, pois agora você é testemunha ocular de sua própria vida. Com isso, você passa a ter o controle dela, mas isso talvez demande mais esforço. E mais uma vez citando Bauman:

Não parece haver esforço na parte virtual de nossos vidas. Para mudar o mundo, os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.”

Às vezes é mais cômodo o atalho, não é mesmo?

E você, o que pensa dessa ânsia em que vivemos o tempo todo, esperando por algo que nem sabemos o que é ou se vai acontecer?

Deixe seu comentário e conte para a gente como é sua relação com a vida virtual.

Até o próximo post!

KS.

 

Publicado em Cultura, Dicas, Viagem

O Que Você Precisa Saber Antes de Viajar Para o Exterior

O Que Você Precisa Saber Antes de Viajar Para o Exterior

As coisas podem ser difíceis se você decide mudar em diversos aspectos e cada um tem que saber lidar com isso à sua maneira. Mas, algumas coisas que você precisa saber antes de viajar para o exterior ou mudar definitivamente para outro país.

Dicas Práticas Para Viajar Para o Exterior
Quando você viaja um mundo novo se abre para você

Seja uma viagem de férias ou uma mudança “definitiva”, existem fatores que devem ser levados em consideração quando você decide deixar o país. Desde situações práticas, até medidas que vão lhe ajudar a ter uma viagem tranquila ou lidar com a mudança e se adaptar à nova cultura.

Leia também Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

Um clichê de que vou me valer nesse post  é “o seguro morreu de velho”. Afinal, usando mais um, “é melhor pecar pelo excesso”! Então preste atenção nos detalhes para não se deparar com armadilhas que você poderá perceber somente quando já for tarde demais.

Investindo No Lado Emocional

Nem só de razão vive o ser humano. O lado emocional pode ser um fator decisivo na hora de decidir passar um tempo a mais sob os ares de outra cultura e ele não deve ser deixado para escanteio de forma alguma.

Lado Emocional
Não dar atenção ao lado emocional pode ter consequências inesperadas

Procurar se adaptar à sua nova situação pode ser crucial, até para que você decida se vai ficar ou não no lugar escolhido. Criar expectativas muito fantasiosas pode causar um tombo do qual talvez você não consiga se recuperar tão rápido.

Neste momento você já tem uma cultura diferente inteirinha para se adaptar, essa NÃO é a hora de inventar moda e piorar as coisas para o seu lado. Por isso, é importante tomar cuidado com isso.

Mas, o que você quer dizer com isso Kacau? Eu quero dizer o seguinte: se você mora sozinho durante muito tempo no Brasil, venha morar sozinha (difícil à beça também).

Ainda que você tenha um (a) namorado (a) sensacional, e queiram viver juntos eternamente, ou aquela amiga que é quase uma irmã, nem pense em dividir o mesmo teto que eles sob novos ares.

Isso mesmo que você leu! Ah, mais com alguém é sempre mais fácil. Se for seu marido ou alguém com quem você já more junto no Brasil, está tudo certo. Mas, essa não é a hora de testar se o amor e a amizade de vocês são fortes e verdadeiros o suficiente.

Ainda que seja, não há amor que resista a tanta mudança e adaptação. Gente, morar fora não é brincadeira não. Pergunta para pessoas que tiveram que mudar suas vidas completamente de uma hora para a outra a quantidade de perrengue e sentimentos pelos quais passaram.

Imagine viver 24 HORAS por dia ao lado de alguém que você não convivia antes, portanto não sabe nada sobre seus costumes, hábitos e principalmente DEFEITOS, que neste caso vão pesar muito mais.

Debaixo de uma pressão que já não é pequena, esses defeitos podem tomar uma proporção astronômica. E o que era conto de fadas pode virar um thriller bem pesado.

Morando junto Briga

Na minha época de faculdade, após tentar por uns longos dois meses morar com uma moça, decidi que nunca mais dividiria apartamento com um estranho. Nada contra ela, que tinha seu próprio modo de viver.

O problema é que já no Brasil o choque cultural que existe entre as regiões foi, para mim, pior do que quando mudei de país. E também, não tem nada melhor do que seu canto, suas coisas, sua maneira de agir ou lidar elas.

Ser obrigado a se adaptar e ainda mudar seus hábitos, pode significar muito stress e desencadear problemas mais sérios sem que você perceba. Portanto, minha dica nesse caso é para que você tenha cautela e tente mudar o menos possível a forma como vivia antes.

Eu aconselho você a NÃO SE ISOLAR. Criar conexões vai te ajudar a manter uma rede de apoio que pode significar a indicação para um emprego, tirar dúvidas, te ajudar a se acomodar e a entender melhor o estilo de vida local.

Se achar que está sobrecarregado talvez seja a hora de falar com um terapeuta. A terapia pode te ajudar a lidar melhor com suas emoções e canalizá-la para outras coisas mais produtivas. Praticar esportes e ter uma rotina ativa, vai fazer toda a diferença na sua qualidade de vida.

Faça caminhadas ou corridas diárias. Isso vai te ajudar a se familiarizar com a região que você mora e de quebra, deixar as doenças e o stress bem longe. Yoga e meditação são técnicas sensacionais se você prefere ficar em casa, sem deixar de cuidar do seu corpo.

Aprenda o idioma local. Eu mesma, já perdi oportunidades ótimas assim que cheguei na Suíça, porque moro no cantão alemão. Tive uma imensa dificuldade de aprender o idioma porque apesar de eu aprender alemão na escola, nas ruas você pratica o suíço-alemão.

Mas, ainda assim acho válido aprender o alemão aqui, já que nas escolas, empresas, o alemão é mais usado, ainda mais porque vai ter gente de todos os cantos do globo. O inglês me salvou e me salva todos os dias quando não entendo o que está sendo falado, mas, é sem dúvida muito importante não se limitar a ele, caso não seja o idioma do país escolhido.

Enfim, não é tão fácil assim mudar de cidade, quanto mais de país. Mas, te garanto que tem sim seu lado positivo. Nesse post Morar Fora é Bom?, eu falo mais sobre como é mudar de país, corre lá e aproveite para saber mais sobre esse novo mundo que se abre para você.

Usando a Tecnologia a Seu Favor

Lembra daquela máxima “a tecnologia separa quem está perto e une quem está longe”? Pois é, essa é a hora de se valer dela. Com tantas ferramentas disponíveis para entrar em contato com aqueles a quem amamos, neste momento ela será de extrema valia.

Usando a tecnologia a seu favor

Portanto, se joga! Skype, WhatsApp, Telegram, FaceTime, Facebook, Instagram, não importa o nome da ferramenta que você vai usar para falar com familiares e amigos, apenas fale!

Lembro quando eu e minhas duas irmãs éramos pequenas e meu pai morava do outro lado do globo. As ligações tinham que ser muito rápidas, porque eram de um valor absurdo.

Para podermos falarmos mais, nos comunicávamos por meio de cartas. Sim, CARTAS! Como sinto saudade delas. Além de escrever, desenhávamos nas cartas, ou investíamos em saudosos papeis de carta, a fim de demonstrar todo o nosso amor ao papis.

O mais engraçado, é que naquela época, o preço do envio era determinado por peso, mas não como hoje que o peso é medido por níveis. Antes era o peso específico daquela carta e o valor era calculado baseado nisso.

Sendo assim, a carta tinha que ser o mais leve possível para ficar mais barata e para isso escrevíamos à lápis. Exatamente! A tinta da caneta pesa mais… 🙂

Carta escrita a lápis.jpg

E também tinha o lance da espera. Não existia Sedex 10 ou Sedex Hoje. Eram dias e mais dias de espera até receber ou ter sua carta recebida no destino. Às vezes, a gente até esquecia que tinha mandado e só lembrava porque chegava a carta-resposta.

Hoje em dia, se você dispõe de ferramentas modernas e, principalmente, com custo baixíssimo ou até zero, não economize. Escolher pelo isolamento, nesse primeiro momento, pode ser muito doloroso e isso pode fazer toda a diferença em como você vai seguir em frente (ou não).

Se Sua Viagem é de Férias ou a Trabalho Não Esqueça de:

1. A esta altura o visto já deve estar pronto. Mas, se você por acaso ainda está planejando a viagem, leia este post sobre os Países Que Precisamos ou Não de Visto de turismo. Essa é sem dúvidas a primeira medida a ser tomada quando você decide o destino que quer viajar.

2. Desbloquear o cartão de crédito para uso fora do território brasileiro é indispensável se você pretende usar seu cartão no exterior. Você pode fazer isso direto na sua agência ou pelo aplicativo. É super simples e, acredite, pode salvar sua vida. No post Aplicativos Úteis Na Sua Viagem, eu dou dicas de outros aplicativos que podem te ajudar muito.

3. Trocar dinheiro pela moeda local. Em toda a viagem você precisará levar uma quantia de dinheiro local. As ATM’s (Automated Teller Machine), o mesmo que os nossos caixas eletrônicos para saques, geralmente tem uma taxa ruim, então o ideal é levar dólar para trocar pela moeda que vai precisar em casas de câmbio que você pode pesquisar previamente. Normalmente as do aeroporto não tem boas taxas . O Real é muito difícil de trocar e geralmente quando você encontra um lugar que o faça, a taxa de câmbio nunca é favorável.

4. Levar remédios para o período todo que ficará fora. Por conta das leis de cada país, um remédio que no Brasil é comprado sem receita pode ser de uso controlado fora do território nacional. Portanto, leve com você a prescrição do seu médico caso seu remédio exija e leve a quantidade para o período inteiro. Acredito que ninguém quer ficar sem um remédio que precise durante uma viagem. E vai ser bem difícil conseguir em uma farmácia mesmo os remédios que no Brasil são vendidos sem receita.

Primeiros socorros para viagem

5. Vacinas. Alguns países solicitam dos brasileiros vacina contra a Febre Amarela. Mas, não adianta aquele comprovante de vacinação do postinho. Você precisa ter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP). Confira como tirar o seu neste postVacinas – Vai Viajar? Veja o Passo a Passo a Seguir. A antecedência aqui deve ser de no mínimo 10 dias, mas eu recomendo uns 15 para garantir que você esteja bem caso tenha reação à vacina.

6. Sabia que no Brasil é possível solicitar o desligamento de serviços básicos UMA VEZ AO ANO, sem taxas extras por isso? Por isso, recomendo progamar o tempo de desligamento destes serviços com antecedencia, pelo período que ficará fora. Assim, você não paga por um serviço que não vai usar. Isso vale para a TV a cabo, internet e telefone também. Caso opte por não desligar, não esqueça de remover os plugs das tomadas. Além de economizar energia, evita danos em caso de pane elétrica e raios.

7. Esvaziar a geladeira e as lixeiras. Viajar é uma delícia, mas voltar para casa é sempre bom. A não ser que você tenha esquecido desta dica. Imagine chegar em casa com um cheiro horrível de lixo e ainda se surpreender com a comida que estragou na geladeira em caso de queda de energia ou coisa parecida? Melhor garantir, esvaziar tudo e deixar tudo desligado.

8. Pagamento das contas. Nunca é demais lembrar que as contas devem ser pagas com antecedência ou programadas em débito automático a fim de evitar surpresas  desagradáveis na volta, assim como pagamento de juros por atraso. Caso não possa deixar a conta em débito automático, não esqueça de pedir para alguém de confiança fazer os pagamentos.

9. Cópia dos documentos solicitados na imigração, como reserva do hotel, passagem aérea e seguro saúde. Isso vai garatir que seu passaporte e outros documentos originais estejam seguros no cofre do hotel. Com exceção da carteira de motorista, caso queira dirigir no exterior, que deverá ser a original.

10. Não esqueça de pedir àquele vizinho maneiro colocar água nas suas plantas e alimentar aves, peixinhos ou outros animaizinhos que você tiver. À essa altura eu espero que você já tenha providenciado um lugar para seu pet que não pode ser deixado sozinho.

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Se Sua Viagem é Para Morar Fora

1. A primeira coisa que eu aconselho se você vai morar fora é deixar uma procuração pública delegando amplos poderes para alguém em quem você realmente confie. Isso vai te ajudar a resolver problemas no Brasil por meio de um representante e não precisará voltar ao Brasil sempre que tiver algum assunto urgente para resolver.

2. Defina o lugar que vai morar com antecedência. Você economiza muito mais alugando um apartamento e pagando por mês, do que ficando no pior hostel da cidade pagando por dia. Sendo assim, minha recomendação é pesquisar o lugar, se informar sobre o bairro e a vizinhança e já fechar o contrato antes da viagem, tomando as medidas e garantias necessárias neste caso, é claro. Golpe existe em todo o globo, acredite em mim.

Home Sweet Home

3. Diferente de viagem de turismo, acredito que todos os países do globo exigem visto de residência. E como já falei lá em cima, a essa altura o visto já deverá estar estampado no seu passaporte. Portanto, se é visto de trabalho, de estudante, de investidor ou seja lá qual a modalidade que você está optando, recomendo tirar no Brasil diretamente na embaixada do país de destino. As coisas se complicam bastante quando você diz no momento da imigração que vai passear quando na verdade está indo para morar. Tenha em mente que os agentes fazem isso todo dia o tempo todo e sabem exatamente como te fazer cair em contradição. Leia mais sobre isso no post Missão Aeroporto – Como Não Ser Barrado na Imigração.

4. Depois de você decidir que realmente vai ficar no país escolhido, tenha em mente de que a sua ambientação no país não será tão fácil como parece e qualquer situação pequena que aconteça vai fazer você pensar imediatamente em voltar para casa. Muita calma nessa hora. Se você chegou até esse ponto é porque já passou por muita coisa. Então siga em frente e não se desespere. Em algum momento as coisas vão melhorar. Leia esse post “Não Me Toque” que você vai entender melhor o que se passa na cabeça dos estrangeiros e assim conseguir lidar melhor com essa situação.

5. Pesquise sobre o destino. Leia tudo que puder e o que não puder sobre ele. Os hábitos, costumes, maneiras de agir. Tudo deve ser analisado para evitar situações embaraçosas ou até problemas maiores. As leis do país devem estar na ponta da língua. Afinal, você não vai querer quebrar nenhuma, certo?!

viajar faz bem

Eu sei que é muita coisa para pensar, mas com planejamento feito com certa antecedência as coisas fluem e acaba nem sendo tão difícil assim. Na minha primeira viagem longa em que passei 3 meses na Ásia, quase desisti.

Mas quando você foca, as coisas desenrolam e você percebe que todas estas questões são práticas e relativamente simples de serem executadas.

Sendo assim, desejo uma excelente viagem e muito sucesso em seu futuro, caso a mudança seja definitiva.

Vejo você no próximo post!

Bjokas.

KS.

Publicado em Cultura, Curiosidades, Viagem

Você Sabe o que é Cidadania?

Você Sabe o que é Cidadania?

Capacidade crítica sempre será uma coisa boa. Mas, talvez o senso do seu vizinho seja mais apurado que o seu, ou esteja cem anos luz atrasado. Quem está certo e quem está errado? Ninguém. Todos tem os mesmos direitos e deveres, portanto merecem ser respeitados. O nome disso é CIDADANIA.

Cidadania

Não existe possibilidade de escolher a quem respeitar, ainda que você não concorde. Você também não tem obrigação em relação à decisões alheias. No entanto, o respeito é devido em qualquer área da vida.

Seja na área profissional, respeitando os seus chefes e os seus subordinados. Seja na religião, respeitando os líderes, os fiéis ou a fé alheia. Ou mesmo na falta de uma religião, respeitando o fato de que não acreditar em nada já é uma crença por si só.

Seja nos restaurantes, tratando a pessoa que vai te servir com a maior cortesia possível. Afinal, ela está em posse da sua refeição e pode fazer o que quiser com ela. Mas, ainda se não pudesse, o respeito é devido de qualquer forma. Entende?

Gente, vocês devem estar se perguntando porque estou falando isso. Não tenho a intenção de dar lição de moral em ninguém. Até porque eu mesma cometo erros diariamente. Ainda mais vivendo em um país completamente diferente do Brasil.

Aqui na Europa, você descobre finalmente a cidadania. Segundo o site Wikipédia, cidadania é a prática dos DIREITOS e DEVERES de um(a) indivíduo (pessoa) em um ESTADO. Os direitos e deveres de um cidadão devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica necessariamente numa obrigação de outro cidadão.

O mesmo para todos

Portanto, fica fácil entender porque nós brasileiros temos a dificuldade de exercer a cidadania em nosso próprio país, já que não temos os direitos garantidos na prática e ficamos com uma carga enorme de deveres.

Apesar de esbarrar na política, meu objetivo com esse post não é esse. Mas sim, mostrar como seguir as normas e cumprir com seus deveres como cidadão, pode trazer benefícios visíveis em sociedades onde a EDUCAÇÃO é um dos principais pilares.

Desligar o telefone no cinema, por exemplo: gente não é só o barulho do telefone que incomoda, ler mensagens e acender aquela luz na cara dos coleguinhas toda hora, também não é nada legal.

Atravessar na faixa e sempre esperar o sinal abrir para você seguir seu caminho lindo, leve, solto e VIVO. Sempre fico impressionada quando visito países que levam isso a sério.

Aqui na Suíça e em Cingapura vi isso claramente. Ainda que não venha nenhum carro lá no horizonte, todos esperam até o homenzinho verde acender para cruzar a faixa. Isso quando tem semáforo.

Normalmente o pedestre se dirige a faixa e atravessa sem se preocupar já que tem certeza de que o carro vai parar e esperar ele passar.

O contrário acontece muito no Brasil e em outros países mais pobres da Ásia, onde o trânsito é uma loucura e atravessar a rua, uma aventura.

Tudo bem que na Inglaterra também tive esse “probleminha”, já que com os sentidos invertidos, tinha que prestar muita atenção para que lado olhar e só depois atravessar em segurança. 🙂

Sempre aprendendo

Esses deveres e uma porção de outras coisas que uma boa dose de bom senso é capaz de dar conta, trazem enormes benefícios para a sociedade e o cidadão tem retorno de forma imediata.

Como é bom ver as coisas funcionando em seu favor. Um exemplo disso na Suíça são as estradas. Os impostos aqui são definitivamente carérrimos, mas eu nunca vi um buraco nas estradas por aqui. São verdadeiros tapetes e se aparecer um buraco e causar dano ao seu carro, o Estado te indeniza.

As multas para quem cruza a faixa contínua na Suíça, podem custar caro e até a sua licença para dirigir por um longo tempo. E, apesar de SIM, terem pessoas que quebram as normas, a comparação seria absurda em relação ao Brasil e outros países chamados de “terceiro mundo”.

No bairro aonde moro em Zurique, você paga até para descartar o lixo que acumula. Você tem a opção de não pagar, mas tem que ir bem mais longe e algumas vezes fica inviável.

Da última vez meu descarte custou CHF 0,28 centavos. Você pode pagar com o cartão de crédito e depois de aceitar seu pagamento a lixeira abre, acredita nisso?

Os supermercados são obrigados a recolher garrafas PET e copos plásticos em geral. Vidro na Suíça se separa por cores: verdes, marrons e transparentes. Papel e papelão são descartados em dias e locais diferentes. Percebe aonde entra o dever do cidadão?

Tudo parece muito complicado e dispendioso. Mas, com todo o retorno que temos aqui, você liga a cidadania no automático e tudo fica mais fácil. Tanto para o outro quanto para mim.

Justiça Social

Justiça

Quando você vê a cidadania acontecendo, as diferenças entre as pessoas ficam muito menores. E não estou falando da extinção do preconceito ou afins, porque isso existe e muito aqui na Europa em geral.

Estou falando da desigualdade social, mas em seu sentido mais amplo. Não me refiro ao lugar em que nos encontramos na pirâmide social no sentido financeiro. Mas, enquanto membro de uma sociedade e o quanto o Estado colabora para dar o mesmo tratamento a todos os cidadãos.

Digo que o tratamento justo é ofertado a todos de forma homogênea. As condições são pensadas justamente com base nas diferenças. E digo isso maravilhada mesmo, quando vejo a quantidade de pessoas com deficiências que circulam pelas ruas o tempo todo sem nenhuma dificuldade.

Mulheres com carrinhos de bebê por todo canto. Idosos indo ao supermercado e pegando ônibus, metrô. E quando digo idosos, me refiro a pessoas de 80, 90 anos. Até os cachorros aqui tem acesso livre aos metrôs e ônibus. E se bobear se comportam melhor que muitos humanos por aí.

Mas, para isso você paga imposto para ter um animal e deverá ir a um curso para ensinar seu cão a se comportar. O resultado é que você não vê cães abandonados nas ruas. Ter animal de estimação aqui é coisa séria.

Leia mais curiosidades no post 20 Coisas Incríveis Sobre a Suíça.

Salão de beleza aqui é para quem pode. E na verdade a maioria esmagadora pode, só que alguns têm prioridades diferentes. É muito caro fazer as unhas aqui, por exemplo. Porque a manicure é bem paga pelo trabalho que oferece. E a diferença salarial entre homens e mulheres é inexistente.

Homem igual a mulher

As diferenças salariais aqui são muito menores que no Brasil e não existe “supersalários” para políticos. Tanto a manicure, quanto o vendedor da loja, o jornalista e o médico, tiveram que fazer escola para exercer sua profissão.

Em um país em que a maioria pode comprar uma BMW, mas preferem usar a bicicleta, a palavra cidadania ganha significados mais amplos. A consciência da sua obrigação, você aprende desde o jardim de infância e fica mais fácil entender seu papel na sociedade.

Percebo aqui que a pressão sobre qual profissão seguir é menor, já que isso não definirá se você será muito rico ou muito pobre.

Isso significa que acho horrível morar no Brasil? Sinceramente? A resposta é NÃO. Eu amo meu país, especialmente minha cidade natal, Curitiba. Mas, pelo menos por enquanto, estou meio mimada com a palavra CIDADANIA. Quem não estaria?

E você? O que acha de praticarmos a cidadania desde as pequenas coisas. Nós somos fator determinante na transformação do espaço em que vivemos.

Luta e liberdade

 

Se cada um fizer um pouquinho, no final das contas temos um montão. É aquela velha máxima de que “uma andorinha só não faz verão”!

Até o próximo post!

Bjokas

KS.

 

 

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Morar Fora é Bom?

Morar Fora é Bom?

Muita gente tem o sonho de morar fora, acha que tudo vai ser a maravilha que viu nos filmes e que a vida será de cinema. Não digo que não é bom, mas o mar de rosas pode se tornar um lago bem gelado.

Eu planejava morar em outro país quando fosse um pouco mais velha, mas aconteceu antes do esperado. Acho que isso te muda como pessoa, te torna melhor, mas toda mudança exige um certo empenho.

Você vai precisar abrir mão de muitas coisas que aprendeu e praticou a vida inteira. Em alguns momentos o estranhamento será tão intenso, que a vontade de voltar para casa vai ficar te rodeando durante longos períodos.

Morar fora preconceito

Quando o assunto é se adaptar a outro país existem choques que você tem que enfrentar. Alguns você vai tirar de letra, outros nem tanto. Se você tem alguém para te guiar com paciência tudo será mais fácil, mas se não tem, acredito que será bem mais sofrido.

Em primeiro lugar quero lembrar que essa é a MINHA experiência morando fora. E que pode ser completamente diferente com você. Quero lembrar também que passar uma temporada fora do país nada tem a ver com se estabelecer de fato em outras terras.

Já morei em outro estado quando cursava a faculdade de Jornalismo, e apesar de sofrer com vários problemas de choque cultural na região onde me estabeleci por quatro anos e meio.

Ainda assim, lá não tive que abrir mão do meu idioma, da minha maneira de agir, apesar de também ser julgada por isso e muitas outras coisas. No fim das contas, as férias eram meus melhores dias.

Quando você realmente mora fora, as férias continuam sendo maravilhosas, mas aí vem outros problemas como vou contar mais adiante: o não pertencimento.

Como você pode ser afetado

Morar fora comportamento

  • Descobrir como separar o lixo e como descartá-lo no lugar certo pode ser um desafio e tanto. Papel, papelão vidro (separado por cores), e orgânico podem ter dias e lugares diferentes de descarte. E, muitas vezes, você passa por isso.
  • Saber como lidar com as pessoas é um dilema. Às vezes você acha que está fazendo tudo certo, mas na verdade está tudo errado.
  • Limpar a casa na Europa e EUA é completamente diferente da forma que fazemos no Brasil. Nesses lugares água é a última coisa que você vai precisar.
  • Você não vai encontrar facilmente nos supermercados as mesmas coisas que estamos acostumados a ter no Brasil. Desde comidas, até produtos de limpeza e higiene pessoal.
  • O mesmo acontece nos restaurantes. Pode ser que você ame o que eles servem, pode ser que você odeie.
  • Apesar de eventualmente você se acostumar com a paisagem, com a arquitetura e com o modo de vida, sempre algo vai te saltar os olhos e te surpreender.
  • Coisas que você achava que ia amar, você vai descobrir que não é tão bom assim. Afinal, nem tudo são só flores.
  • A solidão vai bater pesado, mesmo que esteja rodeado de pessoas. E vai ser difícil descobrir em quem confiar ou quem só quer te taxar de “gringo” ou “estrangeiro”. Experimenta não dançar como a banda toca para você ver.
  • Você provavelmente vai ter dificuldades de se sentir em casa, mesmo que volte para o seu país. Você vai ter sempre a sensação de que algo está faltando, do não pertencimento.
  • Os brasileiros que moram fora, também vão estar mudados, então se você não tiver a sorte que eu tive de encontrar “bons brasileiros”, você vai acabar se isolando deles por completo. E tem outra, se você decidir se relacionar somente com a comunidade brasileira do país em que vive, você não vai evoluir e provavelmente retornará para o Brasil mais cedo do que imagina.
  • Você vai sofrer preconceito mesmo que não perceba. Até provar o seu valor, você é só mais um estrangeiro tentando tirar o lugar de um nativo. Isto é, um estranho no ninho. O jeito é entender que você é o “patinho feio” agora, mas em breve você será Cisne, pense nisso.

Esses foram somente alguns pontos que me recordei, mas no dia a dia muita coisa pode aparecer.

Morar fora Cisne

Eu tenho batido muito nesse ponto, porque, especialmente nós brasileiros, temos o hábito de romantizar tudo. E, muitas vezes, isso pode fazer a gente cair em uma cilada violenta.

Então se você sonha em morar fora, planeje tudo com muito cuidado, leia muito a respeito, se prepare financeiramente e psicologicamente, pesquise sobre o lugar, as curiosidades, as particularidades da cultura.

Se você fizer isso, as chances de dar errado serão muito menores e você poderá sim descobrir a felicidade em outro país. Longe de mim desencorajar alguém a correr atrás dos seus sonhos. Mas, cautela nunca é demais.

Leia mais sobre Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer.

Muitas pessoas perguntam se tenho vontade de voltar ao Brasil. Eu te digo que tenho pelo menos três vezes ao dia. Mas quando você se descobre cidadão, ainda que não tenha de fato a cidadania definitiva, fica mais difícil voltar e você acaba aprendendo a valorizar seu novo lar e conquistar seu espaço.

Morar Fora Conquitando seu espaço

O Perigo da Falta de Planejamento

Outro dia li em um post qualquer, que uma cidade italiana estava pagando vários Euros para as pessoas se mudarem para lá. Nos comentários uma porção de gente escrevendo que quer saber como faz, que já está fazendo as malas.

Essa ânsia de morar fora pode sim ser  prejudicial. Tem maluco que larga tudo sem pesquisar nada antes e “bora lá”! Se fosse fácil assim e ainda sendo pago para isso eu seria a primeira da fila.

Só esquecem de dizer que você precisa ter passaporte italiano ou europeu em geral e trazer algum benefício para a cidade. Seja fazendo algum investimento ou coisa parecida.

Mas, enfim, existem muitas formas de imigrar, se você quiser fazer da forma certa, vai com calma. É sim possível, mas pé no chão e muita pesquisa. Nesses termos, ainda mais se você tiver família por perto, vai ser uma experiência e tanto.

E você, tá pensando em imigrar? Qual país está nos planos? Conta para a gente!

Até o próximo post!

Bjos

KS.

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“Não Me Toque”

“Não Me Toque”

Você já ouviu a expressão “não me toque”? Normalmente, quando você diz: aquela menina é cheia de “não me toques”, queremos nos referir a uma pessoa que se ofende facilmente, e você tem que pensar mil vezes antes de falar alguma coisa para pessoas assim.

Nas minhas andanças pelo mundo, tenho ouvido muitos brasileiros dizendo que os europeus são rudes, mas ouço os europeus dizendo que o brasileiro é basicamente cheio de rodeios. Resumindo, nós não seríamos diretos, ou seja, seríamos “cheios de dedos”.

Cheio de dedos

Ah, hoje é o dia das expressões! E essa atitude de tentar não magoar o outro e não dizer que “o gato morreu, mas subiu no telhado e foi fatal” pode soar como escorregadio e até mesmo falso para pessoas acostumadas a serem diretas. Já os europeus seriam rudes, insensíveis e não sabem falar “com jeito”.

O Que é Frontalidade?

Frontalidade é a palavra para designar a forma de se falar diretamente. Característica conhecida dos europeus, que não fazem rodeios, nem nada de delongas e que muitos brasileiros veem como rude e indelicado.

Esta é mais uma questão cultural de que quem tem que viver longe de casa, tem que enfrentar. Para nós brasileiros essa frontalidade assusta, mas eu, particularmente, acho que é bem positivo.

Às vezes pode parecer uma voadora no estômago, mas com o tempo as coisas vão se ajeitando e você passa a se acostumar melhor com a ideia. Outras vezes o golpe é fatal.

Golpe Fatal

Conheço gente que jura de pés juntos que nunca mais volta para o país em que experimentou uma situação ruim e totalmente contra a nossa cultura.

Você chega cheio de sonhos e expectativas e é normal que seja surpreendido com as novidades do novo país e principalmente das pessoas que nele habitam.

Se você vai morar nesse país com a sua família, acredito que seja bem mais fácil lidar com isso, porque você sempre volta para o aconchego do lar, mesmo estando a milhares de quilômetros de casa.

A coisa pega quando você é obrigado a lidar somente com pessoas inicialmente estranhas e aí não tem para onde correr.

Na minha humilde opinião, acho que a maior dificuldade sobre a frontalidade está em relacionamentos interculturais, pois muitas vezes, essa forma direta de se falar acaba levando uma das partes, que não está acostumada com isso, a pensar que o outro não respeita e não entende essa pessoa.

Leia mais dicas em 10 Dicas Para Você Que Vai Viajar Para a Ásia.

Essa linguagem direta pode causar ruídos na comunicação e se não houver completo empenho de ambas as partes, pode culminar no fim desse relacionamento. Afinal, elas acabam tomando um banho de água fria e logo desistem.

Banho de água fria

Onde cada um tinha que ceder um pouquinho para chegarem a um denominador comum, aqui, abrir mão de muitos hábitos e comportamentos, é um ato constante.

E, veja bem, aqui estou falando de QUALQUER tipo de relacionamento intercultural. Seja em um namoro, casamento, relacionamento profissional, amizade e assim por diante.

Neste caso todos tem que ceder, sem exceções. Isso se quiserem levar adiante suas vidas com pessoas de diferentes culturas nela.

Leia esse post que eu escrevi que fala sobre Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer.

Assertividade

Para que todo esse empenho resulte em assertividade, um estudo anterior sobre a cultura em que se está inserindo é imprescindível. Lembra de tudo o que falavam sobre o lugar para o qual está indo? É tudo verdade.

Alvo assertividade

Para ser mais precisa, é uma espécie de caricatura do nativo daquele lugar. Onde você acentua certos pontos mais marcantes da cultura para demonstrar seu propósito. No fim das contas, o retrato não é fiel, mas diz bastante a respeito do caricaturado.

Ouso dizer que algumas caricaturas são mais leves do que deveriam. Conheço pessoas que são mais exageradas do que a “fofoca” sobre certas culturas.

Um dos povos que mais admiro,os japoneses são conhecidos por serem disciplinados e trabalhadores ferrenhos. Alguns são tanto, que não tem vida fora do trabalho. São completamente workaholics inveterados.

Os russos, falam alto e são conhecidos por uma certa agressividade. Não aceitam nada que não seja da cultura deles e a impõe com a mesma força com que os nipônicos trabalham.

Os suíços são bem preconceituosos ainda que achem essa palavra horrível e nunca admitam. Ainda assim, costumam se referir aos outros pela nacionalidade que é entregue pelas características étnicas e genéticas que carregam, mesmo que o passaporte desse indivíduo aponte para a mesma nacionalidade que a deles.

Leia mais sobre a Suíça em 20 Coisas Incríveis Sobre a Suíça.

Os portugueses são mais amistosos, ainda assim, possuem a frontalidade comum aos europeus, o que pode dar a eles a estigma de grosseiros e quando se trata de brasileiros, existe a fama de rivalidade e chacota constantes.

E assim sucessivamente. As caricaturas independem de onde você é. As pessoas costumam ter uma opinião formada medida pelas experiências ruins que tiveram em contato com outras culturas.

Mas não podemos esquecer que tudo tem dois lados. Sempre tente enxergar o lado bom que a outra cultura pode te oferecer, sua estadia em outro país será bem mais fácil.

Minha Dica Para Lidar Com o Problema

Não existe fórmula mágica para lidar com essas diferenças culturais. Se você escolheu morar em outro país, como eu, tem que aprender a lidar com as situações da melhor maneira possível.

Sem pânico

Como já disse antes, leia sobre tudo o que diz respeito a cultura a qual pretende se inserir. Mas tudo mesmo que achar. Às vezes, uma coisa que aos nossos olhos pode parecer tosca, para eles pode ser o fim do mundo e criar um grande atrito.

Tente se colocar no lugar do estrangeiro com quem se relaciona. Na verdade, ele não está fazendo nada a que não esteja acostumado. O problema está no receptor.

Essa frontalidade, inicialmente assustadora, não tem como objetivo magoar ou ser rude com ninguém. É simplesmente assim que eles veem a vida e não é a sua chegada no círculo social deles que vai mudar a perspectiva de sempre.

Muita conversa também pode ser um excelente motor para os relacionamentos. Diga como se sente, peça paciência e mostre o seu ponto de vista.

Se não funcionar vale repensar se vale a pena estar em uma relação em que a pessoa não se importa com o que você está sentindo.

Afinal, se a pessoa também escolheu se relacionar com uma pessoa de uma cultura diferente, ela também precisa reaprender a lidar com a situação.

Se achar que vale a pena, insista. Essa relação só tem a enriquecer os dois lados. O respeito à cultura alheia tem que ser permanente. Não importa se você é turista ou expatriado, RESPEITO é a palavra de ordem.

Se esse respeito for usado com frequência, garanto que não há nada que não seja superado e melhorado.

E, no final das contas, você vai se pegar fazendo as mesmas coisas que eles. Contando que sejam somente as coisas boas, você vai crescer muito como pessoa, como cidadão e vai passar a se conhecer muito melhor.

Sem contar que a frontalidade vai lhe ensinar com o tempo que você vai poupar muita energia e ser uma pessoa mais objetiva e focada.

Leia também Viajante ou Turista? – Dicas Para Viajar Tranquilo.

E aí? Já passou por uma situação de frontalidade em que se magoou e preferiu abrir mão do contato com a pessoa ou reagiu de outra maneira? Conta para a gente aqui nos comentários.

Até o próximo post!

KS.

 

 

 

 

 

 

 

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Viajante ou Turista? – Dicas Para Viajar Tranquilo

Viajante ou Turista? – Dicas Para Viajar Tranquilo

Hoje eu vou dar algumas dicas para você que vai viajar. Algumas delas servem sempre para absolutamente qualquer viagem, outras são mais específicas. Seja você um turista ou seja você um viajante, eu te garanto que se você tiver bom senso vai se sair muito bem e aproveitar ao máximo seu passeio.

Viajante

Qual a diferença entre viajante e turista?

O Turista

É o camarada ou a camarada que saiu de férias e está curtindo a viagem sem saber ao certo o rumo tomado. Ele não se informa sobre a cultura do destino e age como se estivesse no quintal de casa.

Sempre acha que a cultura alheia é inferior no que difere da dele e não está nem aí para as regras e normas dos outros.

O Viajante

O cara que é chamado de viajante é aquele cara que estuda o lugar para onde vai antes do início da viagem e quando chega ao destino sabe exatamente como se portar, se insere na cultura e não segue itinerários pré-estabelecidos.

Esse tipo de viajante respeita a cultura do outro e se adéqua as normas impostas pela sociedade local. Isto, segundo o dicionário dos super espertos, que acham lindo se colocar acima de qualquer ser humano que viaje para exatamente os mesmos lugares que ele.

Nenhum Dos Dois ou Ambos?

Não entendo o porquê os modismos necessitam de etiqueta. Colocam a tag em tudo o que veem pela frente. Entendo que na prática é mais fácil distinguir um do outro, mas sempre um tem que ser o super vilão e o outro o mocinho.

Na prática todo mundo que viaja é viajante, e também, turista. Então porque a etiqueta? Vamos deixar de frescura porque ninguém é melhor do que ninguém.

Isso não exime ninguém da obrigação de ser respeitoso com a cultura do lugar que pretende visitar.

Turista

Se você respeita as outras culturas e estuda sobre o lugar antes de ir, se você não faz coisas que não se encaixam no bom senso: parabéns, você não fez mais que a sua obrigação.

Se você não está nem aí para as os lugares para onde viaja,  escolhendo qualquer destino que esteja na moda, se não se interessa em saber sobre a cultura alheia e só quer saber de se divertir com o que o lugar tem para oferecer: bom para você.

O que não pode é haver desrespeito de nenhum tipo. Por isso, vou listar algumas coisas que você JAMAIS deve fazer quando for viajar para outro lugar. E essa dica serve até se você for viajar para uma cidade qualquer dentro do próprio Brasil.

Nosso país é uma terra de dimensões continentais e dentro dele temos as mais variadas culturas possíveis. Então, muita calma nessa hora.

O Pulo do Gato

O pulo do gato

Se você fez a tarefa de casa e estudou direitinho, vai saber exatamente como se comportar no país que está prestes a visitar. Mas alguns pontos recomendo prestar atenção.

Escrevi um post específico com 10 Dicas Para Você Que Vai Viajar Para a Ásia para você que está pensando em se aventurar por aquelas bandas.

Mas, algumas coisas você deve prestar atenção com mais afinco, pois, algumas vezes algo que para nós é óbvio, para o outro é exatamente o contrário.

Por favor, observe se existe alguma lei absurda no país que você nunca imaginaria ser crime ou coisa parecida. Alguns países punem mesmo os estrangeiros, sob alegação de que devem conhecer as leis do país já que decidiram visitá-lo, o que eu concordo absolutamente.

Se está pensando em viajar para Cingapura, por exemplo, você PRECISA ler este post que escrevi sobre as 10 leis que você não vai querer quebrar de jeito nenhum!

Uma dica que funciona sempre, é não mostrar ombros e joelhos em templos de qualquer religião. Melhor pecar pelo excesso. Você pode ser “convidado” a se retirar em alguns templos, caso não siga essa regra.

Tocar a cabeça de crianças em culturas orientais é extremamente desrespeitoso. Sabe aquela criancinha fofinha que você quer fazer um cafuné? Fique na vontade, nunca à vontade. Na verdade muita gente pelas bandas do Brasil não gosta também.

A questão é que alguns países (normalmente de maioria budista) consideram a cabeça a parte mais sagrada do corpo. Por isso, nunca toque a cabeça de ninguém. Se a cabeça é sagrada, os pés são a parte mais imunda. Daí a obrigatoriedade de retirar os sapatos na entrada de lugares sagrados, das casas e até de alguns comércios.

Na Europa isso é mais questão de higiene, assim como no Brasil em que algumas casas também tem esse hábito. Mas, geralmente, nós permitimos que visitantes entrem de sapatos. Em países orientais é ofensivo. No Japão até na escola você troca de sapato.

Então fique de olho na entrada se houver lugar para colocar os sapatos, ou se os anfitriões estão descalços. Não espere pedirem para tirar seus “sujinhos” sob pena de ter seus lindos sapatos arremessados para o além. 🙂

Claro que não farão isso (não sei). Mas, alguns são bem enfáticos e você não quer criar uma indisposição já na entrada.

Sapatos

Olhar diretamente nos olhos é ofensivo em alguns lugares, pode demostrar que você está desafiando a pessoa, assim como não olhar em outros lugares, pode significar falta de respeito ou que você não é confiável.

Outra coisa fundamentalmente importante para qualquer pessoa que esteja viajando. Principalmente se você está em um lugar histórico, um museu. Jamais toque em nada, ainda que não haja proteção.

No Museu do Louvre em Paris, a Monalisa fica dentro de uma caixa de vidro e com um cordão de isolamento por esse exato motivo. Gente que não controla a mãozinha nervosa e acha que tem que ver com a mão.

Monalisa

É permitido tocar em algumas obras para uma experiência mais sensorial. Mas, esses casos são devidamente informados. A mesma coisa acontece quando a obra permite que cegos toquem as artes.

Também não suba em estátuas para tirar fotos, por isso não é só falta de educação, mas você pode danificar uma obra que não está lá para seu uso particular. A posteridade agradeceria se pudesse ver a mesma coisa que você viu.

Algo óbvio que parece ser tão difícil para alguns mortais: jogar lixo em qualquer lugar que não seja o lugar exato em que ele deve ser descartado não é aceitável em nenhum cantinho do globo. Belezinha?!

Gente, foto dentro de museus, galerias tem que verificar a “disponibilidade”. Se for com flash está fora de questão. Em alguns lugares, como no “Vale dos Reis” no Egito, você pode ser forçado a pagar uma propina, porque não existe multas regulamentadas.

Mas, estamos falando de lugares sagrados. Em museus normalmente você vai ouvir algum funcionário te “lembrando” de que flashs não são permitidos.  Mas acredite, normalmente existem avisos bem visíveis informando sobre o que não pode.

Garanto que se você se atentar para esses detalhes e realmente dar uma rápida pesquisada na internet, você vai ter uma viagem bem mais agradável para você e para o anfitrião.

Em tempos onde os mecanismos de pesquisas acham de tudo, não tem desculpa, ok?!

Dicas Práticas Para Uma Viagem Fantástica

Gorgetas Tips

  • Alguns dias antes de viajar, durma um pouco mais cedo se o seu destino está a leste, e mais tarde, se se estiver a oeste.
  • Quando a viagem é mais longa e o lugar estiver dentro de um fuso muito diferente, peça um quarto com persianas tipo blackout, assim você pode controlar a hora que quer dormir e não sofrer tanto com o jet lag.
  • Não deixe para trocar para a moeda local somente no aeroporto de destino. Tenha algum dinheiro do país para pagar táxis ou outra emergência. Estude antes os lugares que trabalham com um câmbio melhor. Às vezes a diferença é grande.
  • Fique do  lado direito da escada rolante, da calçada, de onde houver tráfego de pessoas SEMPRE. A regra é a seguinte: se alguém estiver com mais pressa que você, vai te “ultrapassar”, como se fosse de carro mesmo. Portanto, nada de malas, bolsas e afins fechando a escada ou a passagem. Elas devem estar na mesma linha que você, logo à frente ou atrás.
  • Sempre que for reservar um hotel, procure pelos quartos mais afastados das ruas, dos elevadores, das portas de serviço ou de máquinas automáticas que vendem bebidas, snacks e cigarros. Isso vai garantir mais tranquilidade e silêncio durante sua estadia. Se não quiser silêncio, é só fazer o contrário. 🙂
  • Sempre leve a cópia do seu passaporte com você. Em caso de perda ou roubo, o original estará em segurança no seu quarto de hotel.
  • No caso de gorjetas, estude antes o país. Em alguns países, como no Japão, por exemplo, o ato é considerado extremamente ofensivo e em outros países é mandatório que você dê, sob o risco de tomar um “xingão”. Alguns países reservam uma caixinha escrita “tips“, então deixe sua gorjeta discretamente sem anunciar, porque isso pode ser desconfortável para eles.
  • Não esqueça os sinais na porta. Eles estão lá por um motivo. Algumas vezes é uma placa e as vezes é uma luz na parede do lado de fora da entrada. Deixe claro se quer que o quarto seja limpo, se quer a reposição de algum produto ou se não quer ser incomodado. Eu sempre uso a plaquinha de “Don’t disturb” e ligo para a recepção quando preciso de algo. Se tiver como, tranco a porta com corrente por dentro ou na chave normal também. Porque mesmo em hotéis 4 e 5 estrelas, já tive experiências ruins, principalmente na Ásia. Eles sabem ser bem invasivos.Estava eu lá enfrentando meu amado jet lag e as camareiras entravam no meu quarto sem pudores, mesmo com o aviso para não incomodar. Já me pegaram nua, dormindo ou tomando banho. Portanto, previna-se. Um aviso a mais na recepção de que não quer ser incomodado também pode ajudar.

Se você tiver alguma dica para enriquecer nosso conhecimento em como viajar melhor, deixe aqui nos comentários que eles serão muito bem vindos!

Até o próximo post!

KS.