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Do Outro Lado da Tailândia – Chiang Mai e Chiang Rai

Do Outro Lado da Tailândia – Chiang Mai e Chiang Rai

A “Rosa do Norte” é a tradução de Chiang Mai, a segunda maior cidade da Tailândia. Como seu nome indica, ela fica localizada do outrola do outro lado da Tailândi, no norte do país e é considerada a capital cultural do norte do país. Chiang Rai fica um pouco mais longe, mas também na direção norte.

Para nós, dizer que é do outro lado do país é porque normalmente os brasileiros escolhem o sul da Tailândia como destino, já que é lá que se encontram as ilhas paradisíacas do país.

Leia mais sobre algumas ilhas que visitei por lá! Koh Samui, Koh Phangan e Koh Tao – O Trio Ilha Maravilha!

Nessa cidade, grandes mercados noturnos compõem o cenário. A primeira impressão que tive quando cheguei em Chiang Mai, foi de que a cidade é bem limpa perto de outras cidades da Ásia em que estive. Um clima de cidade grande, e que apesar de estar lá na baixa temporada, muitos turistas circulavam em Chiang Mai.

Impossível não comparar Chiang Mai com Bangkok, a capital da Tailândia, que é frenética e completamente diferente. Bangkok atrai muito mais turistas do que Chiang Mai, logicamente. Mas, Chiang Mai tem seus encantos.

Chiang Mai
Frente de uma Casa em Chiang Mai

Bangkok é uma cidade gigante e com o ritmo de São Paulo eu diria. Já Chang Mai, é bem mais tranquila e a vida segue mais leve, mais relax. A maioria dos turistas que encontrei na capital do norte foram chineses, coreanos, japoneses e etc. Isto é, basicamente, asiáticos. Apesar de ter encontrado turistas ocidentais também, mas, bem mais raros.

Cidade de templos e casas de massagens por onde se olha, Chiang Mai é uma cidade para desligar do mundo e aproveitar as belezas naturais que a rodeia. Mas, se acha que é só isso, está enganado. A vida noturna por lá é bem intensa. Até Hard Rock Café tem por lá.

Quando pensei em Chiang Mai, imaginava uma cidade de camponeses, lavradores e comerciantes de artesanatos e trabalhos manuais em geral. Mas, o que vi foi uma cidade em plena atividade, cheia de bares, restaurantes e spas luxuosos.

Você será sempre recebido ao modo Thai de viver. Com chá, geralmente delicioso, um biscoitinho ou uma fruta e sorrisos largos e acolhedores. Uma observação para a massagem com óleo no corpo todo: a melhor da vida!

Spa
Recepção do Spa de massagem

Com exceção do aroporto, porque nem tudo é perfeito (rs). Lá, os taxistas se atropelam e, se preciso, te atropelam para te levar ao seu destino. Mas, comigo inesperadamente não foi o que aconteceu.

Pegamos um taxista super falante e despojado. Disse que duas semanas era tempo demais para ficar na cidade (era o tempo que eu ficaria), que dava para ver tudo em três ou quatro dias. Expliquei que a intenção era relaxar e imergir na cultura local.

Foi quando ele me mostrou um caderno de referências. Sim, um caderno cheio de recados de pessoas do mundo todo que tiveram ele como motorista fixo, inclusive referências em espanhol (muitas) e em português, pode?

Quando chegamos no hotel não tínhamos Bahts, a moeda thai para pagar a corrida e iríamos pedir na recepção para trocar alguns dólares. O motorista então disse que pegava outra hora. Quando insistimos para ele esperar e fomos pegar o dinheiro, ele simplesmente desapareceu. E nunca mais voltou.

Isto é, em uma cidade em que todos falavam para tomar cuidado com os taxistas que cobravam preços injustos e se matavam por um cliente. Essa foi a exceção à regra. Espero que no ciclo de bondade ele já tenha recebido seu retorno. 🙂

Pratique seu inglês para viajar para qualquer lugar!

Em Chiang Mai tem um templo em cada esquina, nenhum deles muito famoso e nehum deles muito luxuoso. Os monges estão por toda parte e muitas vezes com trajes comuns. Conheci um monge que chegou na área de um dos templos de caminhonete, jeans e camiseta.

Perguntou de onde éramos e disse que era monge. Foi uma conversa rápida porque estávamos com pressa. Mas, foi bem interessante saber que eles são pessoas como a gente.

Mas, normalmente existem sessões de conversas com monges em inglês. Isso serve para eles praticarem o idioma, mas no fim é importante deixar  uma oferta. Os monges não podem pedir dinheiro. Tudo o que eles têm é doado por alguém, até os celulares que eles possuem são de doações.

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Monges em Chiang Mai

Silver Temple – Templo Prata

Seu nome real é Wat Sri Suphan. Silver Temple é um nome mais comercial. Esse templo em Chiang Mai é mesmo prateado. Além de belíssimo, é realmente o único todo coberto de prata.

Com detalhes feitos todos à mão, o que torna o lugar ainda mais fantástico. A entrada das mulheres é proibida nesse templo. Por lá é assim, em alguns templos as mulheres são admitidas em outros não.

Esse foi construído por volta de 1500 , mas, o processo de o torná-lo completamente em prata só começou em 2008. e valeu a pena hein?! Pensa num lugar bonito.

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Chiang Rai

Não dá para falar de Chiang Mai sem falar de Chiang Rai. De nome quase idêntico, Chiang Rai não tem muito a ver com Chiang Mai. A distância até ela é de 180km na direção norte fazendo com que esta cidade fique já na região fronteiriça chamada “Golden Triangle” – Triângulo Dourado, que está entre a Tailândia, o Laos e o Myanmar, países esses que fazem fronteira entre si.

Long Neck Woman – As Mulheres Girafa

É em Chiang Rai que você vai conhecer as últimas tribos de mulheres girafa do mundo. Aquelas que usam várias argolas no pescoço.

Tivemos a oportunidade de vir com duas delas no nosso vôo de Bagkok para Chiag Mai e depois estivemos na região tribal dessas figuras interessantíssimas. Mas, não visitamos as tribos, ficamos na região dos templos, pois, sabemos da exploração que há por trás da tradição das argolas que essas mulheres são obrigadas a manter, já que se as retiraren deixam de obter ajuda do Governo da Tailândia.

Elas são originárias no Myanmar, país que faz fronteira com a Tailândia, e Chiang Rai é a primeira cidade fronteiriça. Fomos visitar a região com um grupo turístico, então tivemos que aguardar próximos à van em que fomos, enquanto os demais foram conhecer as mulheres girafa e os elefantes.

Eu totalmente desaconselho este passeio, pela exploração que elas sofrem e porque sou contra animais presos para fins recreativos. Sei que alguns animais vivem em santuários e outros necessitam ser cuidados em situações específicas, por isso são mantidos em cativeiro.

Mas, zoológicos e esse tipo de exploração animal não é uma questão ativista para mim. É uma realidade óbviamente cruel da qual não quero jamais me associar.

Eu entendo a curiosidade por detrás das lendas existentes sobre as mulheres girafa e a vontade de conhecê-las. Eu mesma não consegui esconder minha euforia no avião onde duas delas sentavam nas primeiras fileiras.

Mas, ir até as aldeias aonde vivem é o mesmo que dar respaldo ao governo para continuar mantendo-as quase que prisioneiras em suas alfeias. Elas podem somente sair de lá com autorização ou talvez escondidas.

Afinal, se forem vistas na rua sempre, para que pagar para vê-las, não é mesmo? E se tirarem as argolas, também perdem o apoio financeiro, pois também se tornam comuns e não uma atração.

E, pelos constantes conflitos étinicos na região, elas não tem muita alternativa em conseguir asilo e auxílio em outros lugares. Portanto, se atenha as fotos delas e guarde sua curiosidade para o dia em que elas tiverem respeito e liberdade.

White Temple – Templo Branco

No norte da Tailândia a maioria dos templos mais importantes são identificados por uma cor por questões turísticas. Afinal é quase impossível para nós acertarmos o nome real desses templos.

Quando eu digo importância, me refiro ao turismo mesmo. Pois, os templos mais sagrados muitos vezes não atraem tanto os turistas quanto templos mais elaborados e recentes. Como é o caso do “White Temple” – O Templo Branco.

O nome desse templo é na verdade Wat Rong Khun. Esse templo foi reformulado e construído em 1997 por um arquiteto que virou celebridade por lá. Ele criou um espaço que define o inferno e o céu e literamente esculpiu esses dois espaços para simular a saída do inferno para a entrada no paraíso.

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É tudo muito sinistro na minha opinião, mas me senti na Disney ou no Beto Carreiro, naqueles brinquedos que fazem você se assustar. Bem nada a ver, e percebi um certo constrangimento por parte do guia ao falar sobre o lugar.

Como se fosse importante por gerar renda para a região, no entanto, sempre enfatizando que para eles, budistas, o templo não tinha muita relevância. Já as pessoas que vem de fora, escrevem seus desejos e gratitudes em um papel que você compra e vem com um pingente. Eles penduram esses pedidos e quando as pessoas vão fazer suas preces, incluem aqueles desejos nas suas preces.

Blue Temple – Templo Azul

Bem perto do White Temple, já fomos ao Blue Temple. Senti maior desprezo ainda por parte do guia por este templo, porque era um templo que foi pintado de azul depois, não tinha história ou tradição por detrás da cor azul.

O nome do templo é Wat Rong Suea Ten. Suea Ten também é o nome da vila onde ele está localizado. O nome quer dizer tigres dançantes, porque algumas lendas urbanas afirmam que os tigres saltavam os rios e aparentavam dançar. Em 2005 começaram a reconstrução, que terminou dois anos depois em 2008.

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Eu resolvi listar abaixo, para você que ainda tem dúvidas, algumas regras que devem ser seguidas ao visitar templos por lá.

  • Se vista adequadamente. Esconda ombros e joelhos sempre.
  • Retire os sapatos ao adentrar às áreas dos templos.
  • Fique em silêncio. Muitas pessoas estão indo lá para fazer suas preces.
  • Não abrace e nem beije seu parceiro em hipótese alguma, seja hétero ou não. Isso é extremamente ofensivo nessa cultura, quem dirá dentro de algum templo.
  • Nunca aponte seus pés para nenhuma imagem de Buda. Isso é a pior ofensa que você pode fazer. Em último caso sente sobre seus pés ou finja que é uma sereia e coloque suas pernas de lado e pés para trás.
  • Não fume! Sei que parece óbvio, mas acredite, não é.

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Seguindo essas regrinhas básicas tenho certeza que a sua passagem por lá será só alegria! Conte para nós a sua experiência por lá.

Até a próxima viagem!

Ciao.

KS.

 

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Yangon – A Nova Iorque do Myanmar!

Yangon – A Nova Iorque do Myanmar!

Muçulmanos, indianos, turistas com as mais diferentes faces e facetas. Mal sabia eu que estava indo para a “Nova Iorque do Myanmar”. É assim que Yangon me foi apresentada.

Chego no aeroporto em cima da hora para pegar o ônibus no portão onze que nos levaria até o avião. Mas, ainda tinha alguns lugares bem atrás que me permitia ter uma visão panorâmica dos passageiros que entravam nele.

Já dentro do ônibus, um rapaz avistou um banco perto de mim e veio logo. No impulso de sentar, não percebeu que era mais alto do que calculou e quase caiu no chão tamanha a força do impacto de bater a cabeça no que outrora seria um maleiro.

O ônibus era velho e sem ar-condicionado nem ventilação. A pancada foi feia mesmo, o rapaz se reclinou segurando a cabeça em um gesto de muita dor por alguns momentos. Todos ao redor ficaram estáticos aguardando para saber se ele estava bem ou se tinha sido algo mais sério.

Finalmente ele se desculpa às pessoas ao redor (como se tivesse motivo) e se senta no banco ao meu lado. Reforço perguntando se está tudo bem, ele responde que sim e começamos uma conversa.

Ele me disse que é de Myanmar, mas ficou muitos anos estudando em Londres onde se formou em Engenharia de Softwares. O que fazia todo sentido já que seu inglês era impecável e com pouco acento, o que é bem difícil de encontrar no Myanmar.

Ele perguntou se era a minha primeira vez no país. Eu afirmei que sim, mas já conhecia Mandalay, uma das principais cidades por lá.

Ele me disse que Yangon era completamente diferente. Que era tipo a “Nova Iorque do Myanmar”. Logo eu entenderia o que ele quis dizer. Mas, não tem nada a ver com Nova Iorque, é claro.

Yangon, que antigamente se chamava Rangoon, era a capital do Myanmar. Mas, a referência dele sobre sua cidade natal é de que ela era a mais importante do país, mesmo não sendo a capital. Daí a sua comparação a Nova Iorque. Tipo Brasília e São Paulo sabe?

Todo mundo lá fora acha que a capital do Brasil é São Paulo, por ser a maior e principal cidade do Brasil ou o Rio de Janeiro, por ter o Cristo Redentor, símbolo máximo do nosso país, reconhecido aonde quer que se vá. Isso quando não apelam e arriscam Buenos Aires. Deixa para lá! :/

Quando digo que não é nenhuma delas, sempre ficam surpresos e contrariados, como se tivessem descoberto um segredo obsceno. Isso, quando não ficam chocados por descobrir que falamos português e não o espanhol.

Mas, voltando ao Myanmar, na verdade sua capital é Naypyidaw ou Nay Pyi Taw, uma cidade que não costuma estar no roteiro da maioria dos turistas. E só para quem ainda não tem certeza, a capital do Brasil é Brasília! 🙂

Tudo o que eu sempre imaginava sobre como seria a Índia é como eu via agora Yangon. O que passou despercebido é que a Índia é logo ali na fronteira. Exatamente por isso a semelhança, é claro.

O Myanmar abriu só recentemente as portas para o turismo. Tudo ainda é novidade para esse povo extremamente sofrido, mas que sempre tem um sorriso no rosto para te oferecer.

Mas, é novidade para nós que visitamos o país também. Completamente diferente de outras cidades do Myanmar, Yangon é uma cidade de “muvuca” se me permitem usar a expressão. Muvuca para atravessar a rua, muvuca nas calçadas, nos mercados ao ar livre, nas esquinas, muvuca para onde se olha.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a sujeira. Yangon, na parte central e seus srredores é extremamente suja. Desde as construções sem pintura e velhas, até o chão com muito lixo, inclusive orgânico.

Por conta disso o cheiro é bem particular e invade até mesmo o interior de restaurantes mais sofisticados. Mas, como o ser humano é maleável, você acaba se acostumando ou não.

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“Tons de Céu”

Yangon, como a maioria das cidades do sudeste asiático é uma cidade de maioria budista. Quase 90% da população é adepta da filosofia, o que reflete na quantidade de templos dedicados à religião no país.

O templo mais incrível (na minha humilde opinião) que eu já visitei na região da Indochina, foi na cidade de Yangon. E olha que passei metade da minha estadia de quase três meses na Ásia visitando templos.

O meu favorito, pela beleza e imponência de tanto ouro em contraste com o céu, é o “Shwedagon Pagoda”, que é também o mais famoso por lá, e eu entendo bem o porquê.

O significado de Shwedagon é “Ouro de Yangon”. Nome que faz todo o sentido quando você vê a quantidade absurda de ouro para onde se olha, você realmente se choca com a opulência dentro dos templos que contrastam com o lado de fora. Uma pobreza sem fim e uma realidade dolorosa.

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Parte externa frontal do “Shwedagon Pagoda”

A cúpula central do templo de quase 100 metros de altura é feita de ouro maciço e quase todo o complexo é banhado pelo metal. É sensacional contemplar a beleza desse lugar em muitos “tons de céu”. E a cada clique e tonalidade eu fico ainda mais impressionada.

Nada de câmeras super-powers ou de uma infinita espera pela melhor luz. Simplesmente, cliques espontâneos feitos pelo celular a qualquer hora do dia, com as nuances de todo aquele ouro contrastando com esses tons de céu de fundo é tudo que a atmosfera pede. É realmente surreal!

Como a cidade/país é muito quente, preferi ir neste templo no final da tarde. Foi uma escolha acertada, já que me permitiu fotografar a variedade de cores do lugar conforme o dia ia caindo e caminhar mais tranquilamente sem o sol na testa me fazendo derreter.

Tive a sensação de que as pessoas além de irem para fazer suas preces, iam também para desfrutar do lugar. Quase uma área de lazer. Parece que fazem até festas de aniversário por lá.

Se eu morasse lá iria sempre também. Eu creio que nunca estive em um lugar tão inesperado antes. Se você tiver a oportunidade de visitar o Myanmar, esse templo é parada obrigatória. Quando você estiver lá dentro, te garanto que vai se lembrar de mim e me agradecer pela dica.

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O Segredo da Thanaka

Uma coisa que achei muito legal no Myanmar é uma pintura que eles usam no rosto que, a princípio, eu pensei que fosse algum tipo de argila. Mas, um belo dia, resolvi fazer uma foot massage para relaxar e as meninas do spa estavam usando a tal pintura.

Enquanto eu recebia a massagem, vi um flyer na mesa ao lado explicando o que era. Logo pedi para me mostrarem na prática para eu entender melhor. Resultado: saí de lá pintada. Detalhe, fui para o shopping center e ainda jantar em um restaurante com a pintura dura na cara. 🙂

Depois disso, toda vez que eu via alguém com isso no rosto em outro país do sudeste asiático eu perguntava se a pessoa era do Myanmar e sempre era. Mas o que é realmente esse “preparado misterioso” que eles usam?

A primeira vez que vi uma mulher com o rosto pintado foi em Mandalay, cidade que foi capital do Myanmar até meados dos anos oitenta. Quando estava deixando a cidade em direção ao aeroporto falei sobre isso com o taxista e ele me disse que essa pasta era usada somente em Mandalay e somente pelas mulheres e crianças.

Realmente, em Mandalay só vi elas exibindo a pintura. Quando digo pintura, era porque elas desenhavam mesmo flores, folhas e outros tipos de desenho no rosto com aquela pasta.

Mas, assim que cheguei em Yangon, percebi que o taxista estava desatualizado ou mesmo equivocado. Em todos os lugares que eu olhava, lá estavam os rostos pintados, desta vez somente em forma de círculos, mas, inesperadamente notei que os homens também usavam. Raros, é verdade, mas ainda assim usavam.

Menina Birmanesa
Menina birmanesa preparando a Thanaka para passar no rosto

Segundo a mocinha da foto (que dizia ter dezoito anos, mas para mim parecia ter doze), Thanaka é o nome de uma árvore nativa da região do sudeste da Ásia. A mocinha então chegou com um pedaço da árvore e começou a girar sobre uma peça, que parecia ser de cerâmica ou alguma outra pedra, a fim de misturar aquele pó que saia da árvore com água e preparar a pasta.

O objetivo dessa tradição milenar é, principalmente, proteção solar, já que o calor do país é intenso e o sol queima facilmente a pele. Mas, além de proteger do sol, segundo ela, a pasta refresca, hidrata, retarda o envelhecimento, tira manchas e cura a acne e outras irritações de pele. Isto é, eu não podia deixar de experimentar o creme dos sonhos que só faltava fazer café! 😉

Noz de Areca com Folhas de Betel?

Se os birmaneses, depois de usar Thanaka, têm uma pele de porcelana, por outro lado os dentes tem um ar um tanto quanto vampiresco. O sorriso de muitos deles é bem vermelho.

A princípio, achei que era falta de cuidado mesmo. Mas, depois prestei mais atenção na cor e fiquei curiosa. Foi então que descobri que o que deixa os dentes nesse tom avermelhado é uma mistura de Noz de Areca com folhas de Bétel.

Misturadas, provocam no corpo o efeito do cigarro ao serem mastigadas. O pior é que encontrei até mesmo crianças com os dentes avermelhados de mascar a mistura. Esquisito demais!

10 Dicas Para Você Que Vai Viajar Para a Ásia

Diante de tantas coisas que eu nunca tinha visto antes em um país em que a população não sabe quase nada do ocidente, tenho certeza que há ainda muito também para ser descoberto por nós ocidentais. Quem sabe em uma outra oportunidade, não?!

Você também se emocionou como eu com esse lugar, se interessa pela Ásia? Deixe seu comentário e vem trocar figurinha com a gente.

Por enquanto, é isso pessoas. Até a próxima viagem!

KS.

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10 Curiosidades Sobre o Myanmar

10 Curiosidades Sobre o Myanmar

Em minha viagem pelo Myanmar certamente acabei descobrindo muitas surpresas e uma cultura muito diferente. Hoje eu conto 10 curiosidades sobre o país que está sendo desvendado pelo ocidente só nos últimos anos. Tenho certeza, você vai se encantar.

Myanmar Palacio Real
Entrada do Palácio Real em Mandalay – Myanmar

Para vocês terem noção de como é difícil falar desse país, não existe unanimidade nem mesmo no nome. O país mudou de nome algumas vezes e em 2010 se estabeleceu como República da União do Myanmar.

As Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE), por exemplo, reconhecem a mudança, porém, Reino Unido e EUA, não. Para eles Birmânia (Burma) é o nome do país.

Nem o povo Birmanês/Myanmarense é unânime. Alguns grupos e etnias, que não reconhecem o governo, também não reconhecem a mudança de nome. Para o Brasil, Myanmar mesmo.

Um lugar outrora fechado para o mundo vivendo um regime militar que manteve a população sob rígido domínio e que de certa forma, ainda mantém, já que o país ainda está vivendo uma transição para uma democracia. Por isso, só recentemente abriu as portas para o turismo.

Leia também: Yangon – A Nova Iorque do Myanmar.

Mas, agora que você já sabe coisas bem interessantes sobre o país, vamos “piorar” e contar as 10 curiosidades que vão fazer você se surpreender ainda mais com esse lugar incrível.

1. Religião é Fator Determinante Para a Cidadania

Curiosidades Myanmar Religião
Bíblia Sagrada em inglês ao lado do Livro dos Ensinamentos de Buda (em inglês e birmanês)

Se você pretende viver no país, é bom que seja budista, viu?! Em um país onde por volta de 90% da população é budista imagine como é fazer parte dos 10% que não são. Isso quer dizer que 10% da população divide-se em todas as outras religiões.

Apesar de ter sinagoga, igreja católica e protestante, e do país garantir liberdade religiosa, na prática não é bem assim que funciona. Por exemplo, o islã é extremamente rechaçado no país e se você é muçulmano você é considerado imigrante ilegal.

Alguns myanmarenses me disseram “extraoficialmente” que se você não é budista não pode votar e também não pode prestar concurso público, pois jamais assumirá o cargo.

2. Moto Não é Para Pessoas Egoístas

Quem tem uma moto por lá, dessas tipo scooter, é considerado classe média. O que para mim não fazia o menor sentido, mas ter um carro significa que você está bem no topo da pirâmide social.

Então, o jeito é levar a família toda na moto. Capacete para no máximo um dos passageiros.

Moto pessoas Myanmar
As motos são normalmente compartolhdas por bem mais que uma pessoa

Essa foto para ser honesta é no Camboja, mas a cena se repete no Myanmar e em outros países asiáticos.

Além de ter frequentemente mais de quatro pessoas na moto, existe a possibilidade de você encontrar um cãozinho espremido no meio deles ou em algum suporte improvisado com um lenço. Se couber, sobe sempre mais um!

3. A Semana do Myanmar Tem Oito Dias

No Myanmar a semana tem oito dias. Na verdade não são exatamente oito dias inteiros, porque a quarta-feira é dividida em duas: na parte da manhã e da tarde é um dia e na parte da noite inicia-se outro dia. Os demais dias são iguais.

Para esse povo o número oito é muito importante. São oito animais no Zodíaco, oito pontos cardeias, oito dias da semana, que estão todos associados entre si. Nas pagodas as bases são dispostas a fim de permitir oito direções.

Cada uma contempla um dia da semana com seu respectivo altar e assim as pessoas podem lavar o seu respectivo Buda (uma forma de prestar reverência) correspondente ao dia da semana em que nasceu e ao animal desse dia. Fiz um diagrama para demonstrar a correspondência:

Curiosidades Myanmar Semana
Diagrama do dia da Semana de Nascimento, animal do Zodíaco e Ponto Cardeal

Para os budistas da Escola Teravada o dia da semana é muito importante para uma pessoa. Dependendo do dia em que nascer, será determinado como você vai se chamar e até com quem irá se casar. Mas, hoje em dia isso é menos rigoroso por lá.

Já para fins práticos para nós visitantes, isso não interfere em nada. Oficialmente conta o calendário normal. Mas, para eles cada um dos doze meses têm 28 dias, o ano é 1.377 e começa em abril.

4. Os Homens Usam Saias

Myanmar Curiosidades Homens de saia
No Myanmar os Homens usam uma saia chamada de “Longyi”

Não é saia o nome do que os homens usam no Myanmar, o nome correto é longhi ou longyi, mas não é porque tem outro nome que deixa de ser saia.

As mulheres também usam, a diferença é que os homens usam um longhi mais sóbrio, de cores escuras e com suaves quadriculados, enquanto as mulheres usam de várias cores e estampas.

5. A Nota de Dólar Precisa Estar Impecável

Nunca entendi muito bem a necessidade disso, mas se seu dólar estiver minimanente amassado, sujo ou riscado, é bom manter guardado na carteira.

Os comerciantes locais só aceitam notas que estejam impecáveis e até os ambulantes na rua preferem não vender do que aceitar uma cédula danificada. E, não adianta insistir, se o dólar não estiver novinho em folha, o valor das notas é reduzido a zero.

Myanmar Curiosidades Dollar

Então, se pretende ir as compras no Myanmar e pagar em cash, mantenha seus “dinheiros” intactos ou vai voltar para casa com os bolsos cheios, já que não vai conseguir gastar. Até que não é má ideia, não acha!?

6. Da Árvore Thanaka Vem a Pasta da Beleza

As pinturas que os myanmarenses usam no rosto não são meramente decorativas. Elas estão lá por um motivo muito mais importante.

A pasta resultante da mistura do pó de Thanaka com água tem propriedades benéficas para a pele, além de ser um excelente protetor solar.

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A Thanaka é usada por grande parte da população do Myanmar, especialmete mulheres e crianças.

Eu confesso que me rendi à Thanaka e usei a pasta no meu rosto durante algumas horas. O resultado foi uma pele mais fresca, o que foi uma das garantias que me fizeram quando aplicaram no meu rosto.

Pena que não tinha uma mudinha da árvore para levar comigo e assim poder plantar meu próprio “pé de beleza”.

7. O Paraíso das Pedras Preciosas

O Myanmar é detentor de 70% de toda a produção mundial de Jade, chamadas pelos chineses (seu maior importador) de “Pedras do Paraíso”, com uma coloração esverdeada muito bonita. Mas, outras pedras, como a safira e o rubi, são famosas nesse país.

É de lá que vem 90% dos rubis fornecidos para o resto do mundo. A cor mais desejada e que determina o valor final da pedra, é exatamente a cor desses rubis do Myanmar, chamada de “sangue de pombo”.

Perto de Mandalay, segunda maior cidade do Myanmar é possível visitar a “Ruby Land” em Mogok. Lá, além de comprar as pedras você pode aprender mais sobre elas.

8. Não Tem Condicionador e Nem Protetor Solar Para Comprar

Com a consagração absoluta da Thanaka como protetor solar eu até entendo a dificuldade de achar protetor solar para comprar, agora condicionador eu não entendo. Eu não encontrei em lugar nenhum,  nem mesmo nas grandes cidades. Em alguns hotéis locais também, nada.

Ainda bem que o condicionador sempre acaba depois do shampoo, pelo menos no meu caso. Caso contrário, não quero nem imaginar as condições que ficariam minhas madeixas, já que a longa estadia pela Ásia não fez muito bem para elas.

Não sei se é a água ou a diferença de clima, mas meus cabelos ficaram bem ressecados por lá. Imagina sem condicionador?!

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O engraçado é que eu encontrei marcas famosas de shampoo com outros produtos da linha, como creme para pentear (que não uso) e outros tratamentos. Mas, condicionador? Nem pensar.

Eles nem sabiam o que era o tal pós-shampoo. Depois descobri que eu não fui a única a ter esse problema, outras pessoas que viajaram para lá também se depararam com a falta desses produtos.

9. Você Não Pode Andar Sozinho à Noite

Não é por causa de assalto ou esse tipo de coisa. A recomendação estrita do meu guia era de que eu evitasse a qualquer custo andar sozinha à noite pelas ruas de Mandalay, principalmente Yangon.

Ele disse, em tom natural, que era por causa do cães. Meio perdida, perguntei qual era o problema com eles? Foi então que ele disse que os cães por lá costumam atacar pessoas quando estão muito famintos, o que não é raro. Então, se você estiver sozinho será uma presa mais fácil.

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Confesso que essa declaração me deixou bastante chocada, mas não foi a única vez que ouvi, tanto por lá, quanto em outros países mais pobres do sudeste asiático.

10. O Myanmar Levou um Nobel

Aung San Suu Kyi. Esse o nome da ativista política que recebeu o Nobel da Paz em 1991. Seu nome já era conhecido porque seu pai Aung San é considerado o pai do Myanmar que conhecemos hoje.

Ela venceu as eleições de 1990, mas não pôde assumir o cargo. Um pouco antes da disputa ela foi detida e forçada a permanecer em prisão domiciliar por 15 anos. No final de 2010, por conta de uma forte pressão internacional ela foi finalmente libertada.

Myanmar Curiosidades Nobel

Em 2015 após vencer novas eleições Suu Kyi foi impedida novamente de assumir o cargo. Existe uma lei no Myanmar que determina que os Chefes de Estado não podem ser casados com estrangeiros e seu marido era inglês.

Já em 2016 o Parlamento Nacional elegeu Htin Kyaw para o cargo de Presidente. Ele foi o primeiro não-militar a ocupar a presidência do país desde 1962. Com o objetivo de reparar essa questão com Suu Kyi, no governo de Htin Kyaw foi criado o cargo de Conselheiro de Estado, que agora é ocupado por ela. Esse cargo tem funções similares a de um primeiro-ministro.

Essa mulher impressionante continua inspirando livros, filmes e a todos que conhecem a sua história. Uma mulher assim só poderia vir de um lugar tão surpreendente como o Myanmar.

Achou curioso? Conhece alguma curiosidade sobre o Myanmar que não está aqui? Deixe seu comentário e divida sua experiência sobre esse país singular.

Até o próximo post!

KS.

 

 

 

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Um Sentimento Chamado Camboja

Um Sentimento Chamado Camboja

Esse é um daqueles lugares que você fica meio sem palavras ao descrever. Impossível não despertar em você um sentimento por esse país e a única palavra que encontrei para descrevê-lo, é seu próprio nome: Camboja,

Se você nunca ouviu falar sobre o Camboja, é importante saber que eles viveram um recente genocídio que dizimou quase 25% da população do país.

Com o intuito de garantir o domínio sobre esse povo, o líder do Khmer Vermelho, Pol Pot, matava todos os que tinham estudo e algum dinheiro. O resultado foi a morte de aproximadamente dois milhões de pessoas.

Tudo isso entre os anos de 75 e 79. Sim, 1975 e 1979. De pensar que isso aconteceu “ontem” você passa a olhar as coisas por lá com outros olhos. Um lugar de muitos extremos, mas, nem de longe o que se tem é só lembranças ruins.

Para ser sincera a viagem para o Camboja foi meio que por acaso e de última hora, como o sangue brasileiro insiste em impor. O visto de entrada no país, conhecido dos viajantes, é o “visa on arrival“.

Traduzindo em miúdos, é aquele visto que você tira no momento em que desembarca no aeroporto de destino, paga a taxa (se houver) e pronto, você está admitido (ou não…rs). Sendo assim, era só comprar os tickets e terminar de fazer as malas que ultimamente andam sempre semi-prontas.

Minha primeira viagem para o sudeste asiático, conhecido como Indochina e destino comum entre brasileiros que decidem se aventurar em busca de paraísos desconhecidos, começou pelo Camboja, mais precisamente, a cidade de Siem Reap, que apesar de não ser a capital, é a mais importante cidade turística do país.

É em Siem Reap que fica o “Angkor Wat”. Em khmer (idioma local), “wat” significa “templo”, e Angkor siginifica “Cidade”. Portanto, “Cidade do Templo”.

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Angkor Wat – o mais importante monumento do Camboja

Datado do século XII, o Angkor Wat é considerado o monumento religioso mais importante já construído e, em termos arqueológicos, a estrutura toda é um dos mais importantes tesouros existentes.

O complexo foi tombado como patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1992. Para você ter uma noção da importância desse templo para os khmer, ele não só estampa as cédulas do “Reil” (esse é o nome do dinheiro cambojano), como também estampa a bandeira do Camboja, fazendo com que ela seja a única bandeira no mundo a possuir um monumento como símbolo.

Bandeira do Camboja
Bandeira do Camboja – com o monumento Angkor Wat exibido nela

Quando você se depara com esse templo já de longe, percebe o motivo de sua importância. O lugar é gigante e realmente impressiona, além de ser também o mais importante templo dentre todos para os cambojanos, que em sua esmagadora maioria, é de budistas.

Com uma estrutura em forma de quadrado, o templo possui um lago artificial que contorna todo o complexo. Mas tudo isso você só descobre quando chega lá mesmo.  Porque todo o protagonismo inicial, é claro, fica com o Ta Prohm Wat, já que foi lá um dos cenários mais famosos do filme Tomb Raider, estrelado pela lindíssima Angelina Jolie.

O templo é um chamariz de turistas. Confesso que achei realmente surreal estar em um cenário de uma produção em que você não sabe o que é verdade e o que é computação gráfica. Tudo é tão imponente e com aquelas árvores intrincadas nas construções, que parecem de mentira, tudo fica mais magnífico ainda.

E o mais legal é que as árvores ainda estão vivas e seguram toda a estrutura do templo. Se as árvores fossem tiradas dali o templo não aguentaria e certamente ruiria.

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O País das Minas

Mas, apesar de toda essa opulência, o Reino do Camboja, nome oficial, é um país de um povo sofrido. Especialmente por suas recentes guerras, que ainda perduram e insistem em fazer parte do seu cotidiano como um fantasma voltando para assombrar a população.

A prova viva disso são as mais de quatro milhões de minas terrestres espalhadas pelo seu território, que amputam milhares de pessoas todos os anos e ceifam outras tantas. O Camboja encabeça a lista dos países com mais minas terrestres no mundo todo. Além das incessantes disputas territoriais com seus vizinhos Tailândia e Vietnã.

Apesar de tudo isso, seu povo sempre tem um sorriso para oferecer aos seus visitantes. Humildade, respeito e cordialidade podem ser a tradução do que vi na maioria do povo cambojano. Eu não sou supersticiosa, mas achei muita ironia que o mesmo solo que esconde as minas, faz brotar um mar de trevos de quatro folhas.

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Trevos de quatro folhas no caminho de um dos templos

Por isso, já nos primeiros dias tudo se tornou um paradoxo para mim. Um misto de magia e de impotência. Esse sentimento que tenho pelo Camboja é inominável, porque, pelo menos para mim, é muito diferente de tudo que já vi e vivi.

De um lado, porque a pobreza extrema alcançou um novo patamar. Depois, porque é impossível não se apegar as pessoas com as quais você convive diariamente e que são tão amáveis com você.

Ao mesmo tempo, os vendedores, que vão de criancinhas até aos amputados pelas minas terrestres, por vezes, beiram a hostilidade na ânsia de vender seus produtos e prover seu sustento.

O que os faz proferir quase um mantra de insistência para que você compre alguma coisa deles, como se estivessem em transe e só despertassem dele quando ouvissem como resposta um “sim”. Isso exige que você seja enfático e contundente se não tiver a intenção de comprar nada.

Uma vez, estava eu no mercado noturno pensando em algo para levar de presente para as minhas irmãs quando avistei lenços lindíssimos e comecei a passear meus olhos sobre eles. Foi então que a vendedora veio e começou a tirar vários lenços dos pacotes e me vestir com eles.

Após decidir que estávamos famintos e que retornaríamos às compras mais tarde a vendedora imediatamente começou a gritar em um inglês meio que ininteligível dizendo que se abrimos os lenços teríamos que comprar. Assustada, fui me afastando com os gritos dela: “Turistas que não compram não são bem-vindos em nossa cidade”.

Após visitarmos outros mercados e lojas, acabei conseguindo comprar meus lenços e souvenirs. Percebi que a insistência e, por vezes, até o constrangimento para que compremos, é uma prática comum até mesmo nas ruas do Camboja. No entanto, não revivi aquele episódio pavoroso em nenhum outro lugar. Ainda bem!

Em contrapartida, o hotel e os restaurantes que frequentei, sem a obrigação de vender algo para os turistas, tinham a cortesia e a gentileza típicas desse povo. A humildade faz parte do dia a dia convivendo com eles.

Ninguém grita, ninguém é rude, tudo é feito para que a estadia dos turistas no país seja a mais tranquila e agradável possível.

“Peixe Pedicure”

Em uma de minhas andanças pelas ruas de Siem Reap, avistei um lugar onde tinha aqueles peixinhos que fazem “faxina” no seu pé comendo cutícula e carne morta, ecaaa!

Para dizer a verdade, nem pensei naquelas conversas que dizem que você pode pegar alguma doença transmitida pela água contaminada por outras pessoas que tivessem usado o tanque anteriormente e que não não teve a água trocada.

Achei aquilo tudo tão divertido e só me lembrava de ter assistido um episódio do “The Simpsons” anos atrás que me deixou com muita vontade de experimentar.

Não pensei duas vezes, sentei e comecei a puxar a barra da calça, já que estava usando jeans. Na mesma hora umas três pessoas vieram me ajudar. Seria cômico se não fosse trágico, mas finalmente consegui erguer a barra o suficiente para imergir meus pés junto dos peixinhos.

Fish Pedicure
“Fish Pedicure”

Depois disso foi só vexame. Não conseguia ficar mais do que dois segundos com os pés dentro da água. Não sei explicar, mas a sensação deles comendo sua pele morta é, além de meio nojenta, esquisita demais. No que eles se aproximavam dos meus pés eu já tirava e quando não tirava, gritava.

Não preciso nem dizer que à essa altura eu era o espetáculo do lugar. E olha que costumo ser bem discreta na minha vida em geral. Mas aquilo realmente me pegou de surpresa. Foi um mico “gorilesco”!

Enfim, após ter algum sucesso e alimentar os peixinhos por alguns minutos, retirei os pés definitivamente da água. Nisso, um rapaz veio com uma toalha para secar.

Quando fui pegar a toalha ele se abaixou e começou a secar os meus pés muito cuidadosamente. Fiquei um tanto constrangida, mas deixei ele continuar para não tornar aquela situação ainda mais vexaminosa.

Naquele mesmo dia fui a um restaurante comer “fried rice”. E preciso dizer que foi lá que eu experimentei no melhor que eu já provei na minha vida. Já havia comido muitos antes e comi muitos depois. Mas, aquele que eu comi por lá vai ficar na memória e no paladar para sempre.

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Outra coisa que eu adorei no Camboja foi andar de tuk-tuk. Havia solicitado o traslado até o hotel antecipadamente. Após 15 horas de voo (Londres/Bangkok/Siem Reap), eu estava muito cansada e tudo que eu queria, além de um bom banho, era dormir por pelo menos duas horas antes de começar a explorar a cidade.

Mas o motorista do hotel atrasou, e eu já ia atrás de outro táxi, até que eu vi um moço com o meu nome na placa. Engraçado é que ele parecia saber que eu era a turista que ele ia levar até o hotel porque ele veio direto em mim antes de eu me manifestar. Quando fomos até o carro, vi que não era bem um carro, mas o tuk-tuk.

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Eu sabia que eventualmente eu iria andar neles, mas não estava preparada para andar na chegada, tão cansada e ainda com as malas. No começo, quase saí correndo para procurar um táxi, mas o motorista era tão querido que eu resolvi arriscar.

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A viagem até o hotel demorou uns vinte minutinhos e foi legal ver o trajeto sem janelas interferindo a paisagem. Depois disso, o tuk-tuk era meu meio de transporte favorito e usei carros somente para caminhos mais longos ou quando estava com os guias turísticos que nos buscavam de carro, de van ou de ônibus. Mas essa história eu conto uma outra hora.

O Camboja foi uma grata surpresa. Digo surpresa porque eu já tinha grandes expectativas ao visitar o país. Mas, sem dúvida, elas foram superadas.

Quando chega a hora de partir, me despeço da equipe do hotel em que fiquei hospedada e em especial da recepcionista. Peço a ela para tirar uma foto para lembrar dos bons momentos que vivi lá. Seu nome é Kimsong, o nome que descreve essa suave melodia que me acompanhará por muito tempo.

Kimsong – recepcionista do hotel

Deixo o Camboja com aquele sentimento inominável e uma vontade feroz de reescrever uma história que nem é minha e que não sou capaz de compreender. Espero voltar um dia nesse país tão pobre, mas que foi capaz de me enriquecer tanto.

Já foi para o Camboja? Pensa em ir um dia? Comente e compartilhe aqui o que mais gostou ou o que deseja conhecer no país.

Eu fico agora por aqui e até a próxima viagem!

KS.