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Formas de Viajar

Formas de Viajar

Brasileiro é condicionado a sonhar com o estrangeiro. A máxima da grama do vizinho ser sempre mais verde entra com tudo quando a questão é outro continente. Mas por que não viajar somente na companhia de um bom livro?

Conheço pessoas que nunca tiraram os pés do Brasil, mas são os cérebros mais incríveis que conheço.

Desde criancinha, o primeiro sonho enfiado de qualquer jeito na cabeça das crianças brasileiras é de ir para a Disney, nos Estados Unidos de preferência.

Disneyland

Diz “a lenda” que se você realizar esse objetivo será um adulto feliz e pleno ao contar aos amiguinhos que conheceu o Mickey.

Depois você vai crescendo e para mostrar que é aventureiro e desprendido, o incentivo é fazer um mochilão pela América Latina. Afinal, você é ainda muito jovem e a grana ainda é curta.

Se conseguir fazer isso, sua mente será mais evoluída que a dos demais e assim, poderá chamar os outros de “sem-cultura”.

Mochilão 2

Mais para a frente, você já deve estar mais estabelecido e pensando em formar uma família.Então chegou a vez da Europa.

Sua lua de mel com certeza tem que ser em um destino europeu, como Paris ou outro país mais excêntrico, mas com todo o glamour para os casais apaixonados. Isso seria garantia de amor eterno e casamento feliz.

Se possível, depois de casar, ir morar na Europa. Isso mostra quão bem sucedido você foi depois de passar pela “Escola Fundamental da Disney”, “Escola Técnica Machu Picchu” direto rumo ao curso superior na “Universidade Torre Eiffel do Triunfo”.

Torre Eiffel Mapa

Poderia relatar aqui outros momentos da vida em que você está tentando encontrar você mesmo e seu Eu interior. Isso seria mais como um “PhD” e para este caso a receita é viajar para a “Lama Harvard School”, na Ásia. Lá você trará todas as explicações que esteve procurando a vida toda.

Garantia certa de que todos vão te respeitar e seu status de intelectual terá certamente mais de 10k seguidores só no Instagram, já no primeiro semestre após a conclusão de todos esses passos. Voilá! Eis aqui o “Doutor Sabidão das Viagens.

Busca sabedoria Asia

Doutor em Viagem

Agora você já pode dizer a porcaria que é o Brasil, pois você sabe tudo de todos os outros lugares do mundo, ainda que quando tenha ido à Paris, só tenha visitado a Torre Eiffel.

O Louvre é lindo, mas você só viu do lado de fora, afinal não é muito fã de museus e suas histórias. E se entrou, foi para tirar foto com a Vênus de Milo.

Sinto lhe informar, mas essa “linha da mediocridade” que um amigo sempre me falou, não é atingível por todas as pessoas. Linha da mediocridade porque é mais um padrão da sociedade, que impõe idade para a faculdade, casamento, filhos e netos.

Qualquer coisa fora disso prova que você não se adéqua a essa sociedade. Portanto, não pode ser considerada uma pessoa de “sucesso”.

Mas o que importa é que você foi para Paris mano! então está tudo certo.

Gente, viajar é sim maravilhoso. Foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Mas, te garanto que o Arco do Triunfo não teria tanta graça se eu não soubesse a história por detrás desse monumento tão bonito.

A Torre Eiffel também não seria tão mágica sem a história. Tem gente que vai a Paris somente com o intuito de ver essas duas atrações, mas não sabe sobre o Obelisco Egípcio e nem da Estátua da Liberdade que fica bem perto da torre.

A história que liga todas essas maravilhas construídas pelas mãos humanas é fascinante. Por que não mergulhar fundo nela?!

E a França não é só Paris não, tem muita coisa surpreendente para se ver nesse país. Ah! Mas se eu não tirar a foto com a torre como vão saber que fui a França. Bom, se é esse o seu objetivo apenas, faça o que seu coração mandar. Mas o mundo é tão maior.

De repente se você decidir viajar para algum lugar e ler sobre ele antes, você vai ficar sabendo de lugares com histórias incríveis e sua visão vai se expandir.

Na verdade ninguém é obrigado a nada, se quiser ir só para tirar foto, ok. Mas, se você começar a aventura antes ela não precisa de prazo para terminar.

Não estou dizendo para você não ir à Paris e não tirar foto com a torre. Eu mesma tenho dúzias delas. A questão aqui é ampliar sua visão de mundo e abrir as fronteiras do óbvio.

E só a leitura vai te proporcionar isso. E de cara, te dar mais opções para escolher o lugar que será mais interessante para você conhecer.

Que Livros Ler?

Qualquer um que te faça querer continuar a leitura sem ser interrompido. Ninguém quer receber uma ligação de negócios na viagem dos sonhos. O mesmo acontece com um livro que te transporte para qualquer lugar. Comece viajando com seus livros e depois vá em frente.

Ler um livro é se transportar para um mundo completamente novo e cheio de imagens personalizadas que saem direto da sua cabeça. Quer coisa melhor? No livro o mocinho é exatamente como pintou na sua cabeça: seu príncipe encantado.

Seja loiro ou moreno, ele tem a altura que você acha mais atraente, as medidas, os trejeitos, a voz. Tudo isso, tirando todos os defeitos que um homem real teria certamente. Isto é, ele é perfeito.

Isso vale também para as mulheres. Elas tem exatamente as atitudes que os homens esperam delas. Em todos os setores da vida.

O mesmo ocorre com as paisagens. Elas sempre tem a beleza mais estonteante que seus olhos poderiam ver.

Leia livros que te faça mudar as atitudes, crescer enquanto pessoa. Ninguém sabe tudo e ler é uma oportunidade para aprender sobre nós e sobre os outros.

Leia esse post sobre 10 Livros Que Vão Mudar Sua Vida Em 2019

Livros para mudar a vida 2019

Você já conversou com alguém que sabe mais sobre um lugar em que você esteve mais do que você e no fim da conversa descobre que ela nunca esteve lá? Isso não quer dizer que ela não viajou, quer dizer apenas que ela não tirou os pés do chão.

Conte para nós o livro que está lendo agora. Tem alguma sugestão de livro já lido, compartilha aqui.

Até o próximo post!

KS.

 

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Paris – Uma Cidade Além do Tempo

Paris – Uma Cidade Além do Tempo

Quando se fala em Paris na França, já vem uma enxurrada de coisas associadas a cidade. Como por exemplo: romance, boa comida, a famosa Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Museu do Louvre e mais uma infinidade de coisas que impressionam na terra dos amantes. Uma cidade além do seu tempo que continua unindo o velho e o novo por onde quer que se olhe.

Desta vez viajei de TGV (Train à Grande Vitesse), que em português é o famoso Trem de Alta Velocidade. Cheguei no fim da tarde no hotel bem cansada, tinha vindo de uma longa viagem pela Borgonha, só com tempo para tomar um banho rápido e ir ao restaurante no qual tinha reserva.

Na verdade, o restaurante era em um barco onde eu e meus colegas fizemos um tour pelo canal de Saint-Martin, passando pelos principais pontos turísticos da cidade. Recomendo demais esse passeio. Além, da comida ser deliciosa, a vista é muito interessante.

Vou falar um pouco sobre os principais pontos turísticos da cidade, do meu ponto de vista, mas, já vou adiantando que isso não é nem de perto tudo o que Paris tem a oferecer aos seus turistas.

As ruas, por si só, são um museu a céu aberto, e tudo é inspirador. Mas, confesso que essa minha ida à Paris nos últimos meses foi um desapontamento. Isso nada tem a ver com os recentes protestos porque cheguei a ir um pouco antes deles acontecerem. Mas, ainda assim a cidade já estava decepcionante.

Veja bem, Paris continua incrível, seus monumentos que são motivos de orgulho para a cidade, continuam fantásticos. Mas, descobri nessa viagem que Paris não tem condições de abrigar os refugiados que tem recebido, como tentam fazer parecer nas mídias, e que tanto precisam de um novo lar para recomeçar.

Vi uma quantidade imensa de pessoas dormindo nas ruas, nos pontos de ônibus. E graças a Deus não estava frio, porque imagino o que devem estar passando agora com as temperaturas congelantes que tem feito na Europa.

Mas, não vou falar sobre política ou economia nesse post e nem sobre o lado negro de Paris com seus conhecidos pickpockets, os batedores de carteira nos metrôs e suas estações. Vou focar na parte histórica da cidade que é o que não falta.

Como parte do “Velho Mundo”, Paris vem encrustada de história em cada parede, em cada monumento, em cada esquina. Quem nunca ouviu falar na Revolução Francesa, estudada nas escolas desde muito cedo? Pois saber que isso tudo foi cenário de um momento tão decisivo para as civilizações, é entusiasmante!

A Terra do Ratatouille

Aos arredores da Torre Eiffel, vi muitos vendedores ambulantes de outras nacionalidades, vendendo bebidas alcoólicas, refrigerantes, energéticos, comidas, apetrechos neons.

E eles vinham em sua direção de forma hostil. Apesar de não termos tido problema com nenhum deles, achamos melhor voltar para o hotel mais cedo para não correr nenhum tipo de risco.

Mas, antes resolvemos dar uma esticadinha na Notre Dame, porque fazia uma noite bem agradável. Aí, sento eu na beirada de um banco na praça com vários pinheirinhos atrás de uma cerquinha, que logo começou a fazer barulho.

No início achei que alguém estava amassando algum plástico por perto, até descobrir ratos convivendo comigo logo atrás do banco em que eu lindamente estava sentada. E não era só atrás de mim. Para onde se olhava no meio das plantas, ratos e mais ratos. Quando descobrir a razão da infestação escrevo um novo post para contar.

No caso do Ratatouille, à alusão ao filme se deve estritamente ao rato e não ao famoso prato. Mas gente, fiquei horrorizada quando cheguei à noite nessa região e tivemos que correr (literalmente) dos ratos.

Eles não fogem mais tão fácil, acho que se acostumaram com as pessoas, com os vendedores ambulantes e querem a comida que eles vendem ou que as pessoas deixam por lá.

Definitivamente não sei a causa. Lógico que sempre xistiram ratos em Paris, não sejamos inocentes, mas circulando assim por todos os cantos me assustou bastante, até porque tenho um pavor desgranhento do pobre bichano.

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Catedral Notre Dame – Paris

A Torre Eiffel

Essa torre está para Paris e eu ouso dizer, para toda a França, assim como o Cristo Redentor está para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Ela não é só linda, mas carrega o peso de atrair milhares de turistas por ano.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo, a França é o país que atrai mais turistas em todo o mundo, com quase 90 milhões de gringos visitando o país só em 2017. Dá para acreditar nesse número?  Apesar da França possuir famosos castelos, museus, belas praias, excelente culinária, Paris é sempre a porta de entrada e a Torre Eiffel o monumento pago mais visitado do mundo.

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Afinal, todos querem ver essa maravilhosa e brilhante torre e garantir sua tradicional foto ao lado dessa belezura. Quem nunca?!

Só a título de comparação, o Brasil não chega nem aos 7 milhões de turistas por ano, isso quando bate recordes. Eu digo o país todo, que tem dimensões continentais e as paisagens mais incríveis para se contemplar.

Mas, você sabe a história por detrás da torre? Já teve interesse em saber o que tem por detrás de um monte de ferro do século XIX que atrai turistas pela beleza e que não tem nem noção da história dela?

Sabia que ela foi construída com a intenção de ser o portal da Exposição Universal de 1889 que celebraria os cem anos da Revolução Francesa? Com seus incríveis 324 metros de altura, a torre pode ficar 15 centímetros mais alta no verão por conta da dilatação do ferro. Legal né?!

Mais de cem designs foram submetidos a um concurso para a construção de um monumento para a exposição. Gustave Eiffel foi o vencedor e de quebra deu o nome à torre.

Depois disso a torre foi revitalizda várias vezes e agora ela tem luzes por toda a parte, até luzes que piscam em certas horas do dia, o show é de cair o queixo. A torre tem três níveis de acesso. Você pode adquirir tickets nos dois primeiros níveis.

No primeiro andar ficam os banheiros e lojas de souvenir. De lá você contempla a cidade toda. No segundo nível tem um restaurante e no terceiro nível o acesso é feito somente por elevador. Por isso mesmo, quem tem problemas de mobilidade não pode visitar o primeiro nível que você só pode alcançar após subir uns 300 degraus.

Outra coisa que me deixou muito triste, é que agora a Torre Eiffel é toda fechada ao redor após às 22h. Então fotos após esse horário só de longe. Essa é uma das coisas que pesam quando digo que Paris não é mais a mesma.

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O Museu do Louvre

O Museu do Louvre é um lugar fora do comum em tantos sentidos que é difícil até de explicar. Para vocês terem uma ideia, tropeçar é a palavra de ordem. Você tropeça no grupo de turistas guiados, nos turistas perdidos, nos turistas engajados, em você mesmo, e eu particularmente tropeçava porque não conseguia parar de olhar para o teto.

Sério, o teto daquele lugar é por si só uma obra prima. É tudo tão lindo, tão lúdico, que você não consegue desviar o olhar. Uma coisa é óbvia: é impossível conhecer o Louvre inteiro em apenas um dia.

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Não estamos falando só do maior museu do mundo, mas, de um monumento histórico também. O complexo total do Palácio do Louvre tem mais de 70 quilômetros quadrados. E aí? Ainda acha que dá para conhecer tudo em um dia?

Impossível, mesmo que você esteja em ótima forma e só passe rapidamente por todas as salas, pátios e jardins sem parada para o almoço, ok?

Por isso, o Louvre me fascina, você sempre vai ver uma coisa que você não viu antes. Ele é aquele tipo de lugar que você deve ir toda vez que for a Paris para se dedicar a uma parte dele. E te garanto, se você é fã de arte, você não vai se decepcionar.

A Mona Lisa

Mona Lisa? Quem quer ver a Mona Lisa? Um bando de gente. Sério pessoas. Nunca vi tanta gente querendo ver um quadro que você vê em todo o lugar. Eu sei que é a obra mais visitada do mundo e entendo perfeitamente que é a mais pura verdade e ali você está diante da original.

Mas, se fosse como antes, sem aquele vidro horroroso e a distância de segurança de 10 milhões de quilômetros que você deve manter da obra com o risco de gritarem com você (como se você quisesse roubar a obra em plena luz do dia e com uma vasta audiência), ok. Mas, pelo amor de Deus, não vejo mais sentido algum em apreciar a obra, você nem vê as pinceladas de Da Vinci.

Passei, dei uma olhada rápida, registrei as pessoas que me empurraram tanto, que nem foto delas consegui tirar direito. Essa segurança toda pode ser, quem sabe, só um palpite, pelo fato de que ela é a pintura mais famosa do mundo, ter mais de 500 anos e estar avaliada em mais de 820 milhões de dólares. Talvez, só talvez justifique todo esse cuidado. Quem sabe…

Como se não bastasse a distância que mal te permite saber de que quadro se trata, ainda você tem que brigar para achar um espaço para colocar o seu celular e conseguir alguma foto meio borrada e tremida.

Lógico que ela tem seu valor histórico inestimável e todo mundo gosta de ver coisas muito famosas e que demarcam uma época, mas, convenhamos, tem tanta coisa para se ver, que não dá para dizer o que é melhor. Para mim, certamente não foi ver a Mona.

Eros e Psique

Tem muita coisa para falar sobre o Louvre, mas eu escolhi falar sobre uma das minhas obras favoritas. É impossível ter uma só. Se você achava que era a Vênus de Milo, errou feio. Ela não está nem no meu top 5. A escultura que vou falar é de um italiano chamado Antonio Canova, um dos melhores de sua época na minha humilde opinião.

A obra se chama “Eros e Psique” e uma de suas versões mais belas se encontra exatamente no Louvre.

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L’Amour et Psyché

As obras de Canova foram espalhadas pelos museus mundo afora, um de seus maiores temores. Pois, ele gostaria que fossem mantidas na Itália, sua pátria.

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Por lá o nome da escultura é L’Amour et Psyché e está na minha lista de favoritas, pelo mito e pela perfeição da obra em si, é claro. A história é longa, mas sugiro a leitura.

Eu, particularmente gosto bastantes das histórias gregas, romanas e egípcias. E essa é uma das que ouvi ainda criança e guardei para mim.

Ver a escultura pessoalmente me traz muitas coisas à memória. Então, além da beleza, tem todo um encantamento por detrás dela.

O Arco do Triunfo

O Arco do Triunfo fica na Praça Charles de Gaulle, no encontro da bela e famosa avenida da Champs-Élysées cercada de cafés e lojas luxuosas. Ela é conhecida na França como “La Plus belle avenue du monde” ( A mais bela avenida do mundo). Não acho que seja, mas é muito bonita certamente.

Quando você vai descendo a Champs-Élysées você já avista o arco ao fundo e é muito legal a aproximação. Devo lembrar que Campos Elísios em bom português é uma referência mitológica dos gregos que remete ao paraíso dos mortos. Dos “bons mortos” digamos assim.

Segundo o mito, lá eles festejam, rodeados de paisagens verdejantes, se divertindo por toda a eternidade. Um verdadeiro paraíso. Lá só entram as almas dos deuses, santos, sacerdotes, heróis e poetas. Sendo restrito a estes transitar no mundo dos vivos.

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Avenida Champs-Élysées – Paris

O arco possui 50 metros de altura, 45 de largura e 22 de profundidade. O arco é tão grande que três semanas após o desfile da vitória que marcou o fim da Primeira Guerra Mundial (1919), Charles Godfrey, aviador, fez passar seu biplano no meio do arco. Massa, não é?!

Mas, ele não é o arco mais alto do mundo. Em 1938 foi erguido o “Monumento a La Revolución” localizado em “La Plaza de la República” na capital mexicana, que tem 67 metros de altura.

Na base do Arco do Triunfo está o “Túmulo do Soldado Desconhecido”. Sua construção foi determinada por nada menos que Napoleão Bonaparte. Inaugurado em 1836 o arco tem o nome de 128 batalhas e de 558 generais gravados nele.

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Arco do Triunfo – Paris

Bom, esses são os pontos “batidos” de Paris que muitas vezes as pessoas nem sabem porque estão visitando. Um pouco de história faz o lugar ficar mais interessante e mágico na minha opinião.

Terminei meu dia em um café próximo ao Arco do Triunfo mesmo, ao sabor de um crepe francês de Nutella estragado por coca-cola. Fazer o quê? Nem tudo são rosas e romance em Paris.

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E você, já esteve em Paris? Tem vontade de conhecer? Qual monumento te encanta mais? Eu me encanto com tudo, pareço uma tonta olhando para todos os lados.

Alguma experiência interessante por lá? Conta aqui para a gente e até a próxima viagem!

Au revoir mon cher!

KS.

 

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Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

Choque Cultural – As 4 Fases Que Você Deve Vencer

Você já escutou essa expressão “Choque Cultural”? Então, vou tentar te explicar de uma forma bem didática e depois vou me aprofundar para você entender melhor o termo e, o mais importante, o sentimento em si.

Quando você ouve essa palavra você pensa em algo muito chocante e extremamente diferente de tudo o que você já viu. Mas não é só isso não.

choque cultural

O Choque Cultural, na verdade, nada mais é do que a estranheza, o desconforto, causados por qualquer situação à qual você se vê obrigado a enfrentar, quando viaja para um local com uma cultura diferente da qual você foi criado e está acostumado e confortável com ela.

Eu senti choque cultural em todos os países pelos quais viajei, mas pasmem, em alguns países, senti menos o choque do que em outros estados do próprio Brasil.

Calma, eu te explico. Por exemplo, quando você vai para outro país, ainda que o idioma seja o português, você vai sentir esse desconforto quando não entender alguma palavra ou, por vezes, a sentença inteira em uma conversa qualquer. Pior ainda se não souber falar o idioma local.

É certo que, ainda que o país fale português, como é o caso de Portugal, muitas coisas se perdem em uma conversa ou precisam ser bem explicadas, causando às vezes até desavenças entre interlocutores menos tolerantes.

Vai chamar alguém de “rapariga” aqui no Brasil ao se dirigir à alguém mais velho para você ver. Com exceção de algumas poucas regiões onde ainda se usa o termo, a palavra pode soar bem pesada e até ofensiva. O próprio dicionário é obrigado a trazer significados completamente opostos à palavra por causa do choque cultural entre as regiões do Brasil.

Já em Portugal, a palavra se refere a menina, moça do campo, etc. Da mesma forma em Curitiba, minha terra natal, a gente chama todas as “raparigas” de “guria” e os meninos de “piá”, o que não é muito bem visto em alguns outros locais do Brasil. Mas, para nós é super comum. Essas questões regionais, também são consideradas choque cultural.

É Macaxeira, Mandioca ou Aipim?

O Brasil tem como o idioma oficial o Português-Brasileiro. Sempre quando eu me identificava como falante do idioma português em outras culturas, algumas pessoas me perguntavam se era Português-Europeu ou Português-Brasileiro.

Quando eu me apresentava como brasileira eles sempre pediam para eu falar algo em português. O português-brasileiro é considerado um idioma bem agradável aos ouvidos estrangeiros.

Mas, o que a maioria das pessoas não sabem, é que  dentro do próprio Brasil, temos dezenas de outras línguas.

Quem dentro do próprio Brasil não ouviu alguma palavra diferente que se referia à mesma coisa, mas que você não tinha ideia do que queria dizer? Afinal, é macaxeira, mandioca ou aipim? A resposta é: todas estão corretas. É tudo a mesma coisa com nome diferente. Tipo, mimosa, mexerica, tangerina, tanto faz. Como dizia Louis Armstrong: “Potato, potahto. Tomato, tomahto

Lembro de uma querida amiga potiguar com o sotaque bem característico da cidade de Natal no Rio Grande do Norte, que sempre despertava muitas risadas por seu acento assim que chegou em Curitiba e que dizia que estávamos “mangando” dela.

Demorei algumas semanas para ter coragem de perguntar o que aquilo queria dizer até descobrir que queria dizer que estávamos “tirando sarro” dela.

Os Quatro Estágios do Choque Cultural

Parece bobeira, mas o negócio é tão sério que é há muito tempo estudado a fundo por cientistas da área. Mary Ann Santoro Bellini, Ph.D. no assunto, é especialista em aconselhar pessoas que deixam seus países para viver, trabalhar ou morar fora.

Em suas publicações, Mary Ann fala sobre os Quatro Estágios do Choque Cultural. Você pode ler o artigo original em inglês “The Four Stages of Culture Shock“, mas eu vou colocar aqui os pontos que eu acho bem relevantes para quem vai somente viajar por períodos mais curtos.

Período de Lua de Mel

Esse período é aquele inicial quando você chega no país e é tudo novidade. Para Mary Ann isso pode durar semanas. Você tem fascínio por tudo. As casas, as roupas, as ruas, são impressionantes (para o bem ou para o mal), tudo é estranhamente encantador, e você precisa se beliscar para não deixar se seduzir pela música como uma cobra se encantado pelo som da flauta.

Afinal, o que está por trás desse conto de fadas pode ser perigoso. Para mim, tudo durava algumas horas e eu já caía na real sobre o que me esperava. Era hora de enfrentar a segunda fase.

Rejeição

A segunda fase da Síndrome do Choque Cultural, é a de rejeição, que Mary descreve como cheia de crítica, ressentimento e raiva. Para mim durava alguns minutos. Vejam que me refiro a quando viajava a lazer, turismo. Quando fui morar fora, as fases vieram na íntegra, como ela descreve originalmente.

Nesta fase todas as dificuldades geram a frustração. A idiossincrasia do local visitado te deixa confuso e muitas vezes, você se pergunta como deve agir e não obtém uma resposta coerente de nenhum lado. O que te leva a terceira fase.

Regressão e Isolamento

Depois de tantas sensações, essa fase é a que eu manjo melhor, mesmo na minha vida cotidiana. Algo que ainda preciso trabalhar muito. Tudo que me desaponta e frustra, faz com que eu me feche como uma concha.

Nessa fase, é impossível não comparar tudo com a terra natal. É quando você passa a entender e a valorizar seu próprio lugar de origem. Acho que é daí que vem a expressão: “Não há nada melhor do que a casa da gente”. Você passa a odiar tudo e todos.

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Na fase original de Mary Ann, ela dura entre 6 e 8 semanas. Comigo, alguns minutos, e aí chacoalho a cabeça, dou uma respirada fundo e sigo em frente. Lembrando que isso aconteceu depois de muito treino. 🙂 Finalmente a última chega, cedo ou tarde.

Ajuste e Adaptação

Para quem viaja muito essa fase tem que acontecer logo, ou você vai sofrer muito. Em menos de um ano, viajei para países que nunca imaginaria conhecer antes, e isso me fez entrar no modo ajuste rápido. Apesar de já ser mestre em choque cultural, tive que me forçar a absorver tudo mais rápido.

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Quando o choque acontece com mais frequência isso se torna mais natural. Isto é, quanto mais diferente e estranha à você é a cultura, mais rápido você se adapta à próxima. Sabe aquela Lei do tal de Murphy, que diz que nada é tão ruim que não possa piorar? Vai piorar, acredite! Mas, você estando preparado, fica bem mais fácil, concorda?

Oriente – Meu Mundo Particular

Quando fui para a Ásia, tinha sempre que descalçar ao entrar em templos, casas, às vezes até em lojas, o que eu achava bem nojento. Pois, com exceção das casas, os lugares públicos por vezes não estavam muito limpos e eu tinha que pisar naquele lugar.

10 DICAS PARA VOCÊ QUE VAI VIAJAR PARA A ÁSIA!

Mas, para eles seria absurdamente ofensivo alguém entrar de sapatos nesses lugares. Eu, particularmente, não gosto que entrem de sapatos na minha casa, mas não forço visitas à descalçarem antes de entrar. Ainda assim, senti o choque.

Eu tive muita sorte de sentir esses efeitos de forma mais amena, mesmo quando resolvi me mudar para a Suíça. Dizem que nós curitibanos somos bem parecidos e ao me mudar, concordei em muitos aspectos.

Ambos somos reservados, demoramos para fazer amizade, mas quando fazemos é para a vida. Mas, isso é só um traço de uma cultura toda, e uma hora, o choque inevitavelmente bate forte. Mas, isso eu conto outra hora.

viajar faz bem

Nada mesmo te prepara para o choque de conhecer uma cultura fora do circuito Eurotrip, que muitos brasileiros acabam optando pela maior facilidade, já que a cultura é mais próxima, os preços são mais em conta (depende), a distância é menor e normalmente em todo lugar você se vira só com o inglês.

Bem que me disseram que ir para alguns países seria realmente uma aventura, e foi, e sempre será. Depois que você começa a viajar tanto, duvido que consiga parar. É quase uma fome louca pelo próximo país, pela próxima descoberta, pelo próximo choque.

Eu nunca me foquei na quantidade de países para contar para os outros o quanto sou viajada, vejo tanto gente preocupada em postar sua foto no Instagram em um lugar novo, afinal, ostentar é a palavra de ordem.

Mas, para mim é sobre abrir a cabeça e aprender tanta coisa nova em cada cultura. É legal dividir isso com os outros, mas pense em como é legal você sair desse circuito turístico e mergulhar no que a cultura local tem para te oferecer.

Eu gosto de bons hotéis sim, às vezes tenho preguiça de andar demais, especialmente se estiver quente, fico com nojo de algumas coisas. Mas, isso não me impede de tentar, de observar e de querer entender a outra cultura, de apreciar as sensações que ela causa em mim, mesmo que às vezes, sejam ruins.

É só inverter o papel. Tem tanta coisa que as pessoas dessa cultura acham esquisito e até repugnante na nossa cultura. Já parou para pensar nisso?

A única coisa à qual me considero absolutamente intolerante, é à falta de respeito. Se esse cenário aparece, me recolho e não consigo mais me abrir. Mas, preciso me lembrar o tempo todo, do que significa respeito para mim e para o outro. Existem as coisas óbvias, mas outras são paradoxais.

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Por exemplo, tocar a cabeça de uma criança na maioria dos países asiáticos é uma ofensa enorme. Aqui no Brasil, isso é super normal. Mas por lá, a maioria é budista ou de religiões com uma crença similar.

Para essas pessoas a cabeça é a parte mais sagrada do corpo, então porque um estranho poderia tocá-la, ainda que com boas intenções!? Assim como tirar os sapatos é importante, sei que é desrespeitoso tocar a cabeça do outro.

Cabe a mim respeitar a cultura do outro e não à ele me ensinar, afinal eu sou a estranha, a, invasora, de certa forma. Por isso, sempre antes de visitar algum país me informo sobre coisas que devo saber o máximo possível, para não enfrentar nenhum tipo de constrangimento e diminuir ao máximo o choque cultural.

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Os artigos que escrevo aqui no blog são exatamente com o intuito de ajudar você a não passar pelo que eu passei, ou pelo que eu deixei de passar por estudar sobre o lugar antes.

Cada vez que deixo minha hometown, vou preparada para voltar uma nova pessoa. E, confesso, sempre voltei diferente. E é tão incrível quando você enxerga o mundo de uma forma diferente, tão única, só você vê ele daquele jeito, porque só você sabe o que tem na sua bagagem. E isso faz com que você crie seu próprio mundo particular.

E você? Já passou por alguma situação inesperada e que causou um enorme choque? Conta aqui para a gente! É sempre bom aprender com a experiência dos outros e evitar transtornos, não é?!

Até o próximo post!

KS.