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Vista Shwedagon Pagoda

Yangon – A Nova Iorque do Myanmar!

Yangon – A Nova Iorque do Myanmar!

Muçulmanos, indianos, turistas com as mais diferentes faces e facetas. Mal sabia eu que Yangon era a Nova Iorque do Myanmar. Pelo menos, foi assim que a cidade me foi apresentada.

Chego no aeroporto em cima da hora para pegar o ônibus no portão onze que nos levaria até o avião. Mas, ainda tinha alguns lugares bem atrás que me permitia ter uma visão panorâmica dos passageiros que entravam nele.

Já dentro do ônibus, um rapaz avistou um banco perto de mim e veio logo. No impulso de sentar, não percebeu que era mais alto do que calculou e quase caiu no chão tamanha a força do impacto de bater a cabeça no que outrora seria um maleiro.

O ônibus era velho e sem ar-condicionado nem ventilação. A pancada foi feia mesmo, o rapaz se reclinou segurando a cabeça em um gesto de muita dor por alguns momentos. Todos ao redor ficaram estáticos aguardando para saber se ele estava bem ou se tinha sido algo mais sério.

Finalmente ele se desculpa às pessoas ao redor (como se tivesse motivo) e se senta no banco ao meu lado. Reforço perguntando se está tudo bem, ele responde que sim e começamos uma conversa.

Ele me contou que era do Myanmar, mas ficou muitos anos estudando em Londres onde se formou em Engenharia de Softwares. O que fazia todo sentido já que seu inglês era impecável e com pouco acento, o que é bem difícil de encontrar no Myanmar.

Quando disse que ja conhecia Mandalay, uma das principais cidades por lá, ele me disse que Yangon era completamente diferente, era a “Nova Iorque do Myanmar”. Logo eu entenderia o que ele quis dizer. Mas, não tem nada a ver com Nova Iorque, é claro.

A Eterna Capital

Yangon, que antigamente se chamava Rangoon, era a capital do Myanmar. Mas, a referência dele sobre sua cidade natal é de que ela era a mais importante do país, mesmo não sendo a capital. Daí a sua comparação a Nova Iorque. Tipo Brasília e São Paulo sabe?

Pagoda Sule Yangon Myanmar
Pagoda Sule no centro de Yangon

Todo mundo lá fora acha que a capital do Brasil é São Paulo, por ser a maior e principal cidade do Brasil ou o Rio de Janeiro, por ter o Cristo Redentor, símbolo máximo do nosso país, reconhecido aonde quer que se vá. Isso quando não apelam e arriscam Buenos Aires. Deixa para lá! :/

Quando digo que não é nenhuma delas, sempre ficam surpresos e contrariados, como se tivessem descoberto um segredo obsceno. Isso, quando não ficam chocados por descobrir que falamos português e não o espanhol.

Mas, voltando ao Myanmar, na verdade sua capital é Naypyidaw ou Nay Pyi Taw, uma cidade que não costuma estar no roteiro da maioria dos turistas. E só para quem ainda não tem certeza, a capital do Brasil é Brasília! 🙂

A Muvuca Cotidiana

Tudo o que eu sempre imaginava sobre como seria a Índia é como eu via agora Yangon. O que passou despercebido é que a Índia é logo ali na fronteira. Exatamente por isso a semelhança, é claro.

O Myanmar abriu só recentemente as portas para o turismo. Tudo ainda é novidade para esse povo extremamente sofrido, mas que sempre tem um sorriso no rosto para te oferecer.

Mas, é novidade para nós que visitamos o país também. Completamente diferente de outras cidades do Myanmar, Yangon é uma cidade de “muvuca” se me permitem usar a expressão. Muvuca para atravessar a rua, muvuca nas calçadas, nos mercados ao ar livre, nas esquinas, muvuca para onde se olha.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a sujeira. Yangon, na parte central e seus srredores é extremamente suja. Desde as construções sem pintura e velhas, até o chão com muito lixo, inclusive orgânico.

Por conta disso o cheiro é bem particular e invade até mesmo o interior de restaurantes mais sofisticados. Mas, como o ser humano é maleável, você acaba se acostumando ou não.

Yangon Myanmar
A “praça de alimentação” do mercado noturno de Yangon

“Tons de Céu”

Yangon, como a maioria das cidades do sudeste asiático é uma cidade de maioria budista. Quase 90% da população é adepta da filosofia, o que reflete na quantidade de templos dedicados à religião no país.

O templo mais incrível (na minha humilde opinião) que eu já visitei na região da Indochina, foi na cidade de Yangon. E olha que passei metade da minha estadia de quase três meses na Ásia visitando templos.

O meu favorito, pela beleza e imponência de tanto ouro em contraste com o céu, é o Shwedagon Pagoda, que é também o mais famoso por lá, e eu entendo bem o porquê.

O significado de Shwedagon é “Ouro de Yangon”. Nome que faz todo o sentido quando você vê a quantidade absurda de ouro para onde se olha, você realmente se choca com a opulência dentro dos templos que contrastam com o lado de fora.

Shwedagon Pagoda Yangon Myanmar
Shwedagon Pagoda

A cúpula central do templo de quase 100 metros de altura é feita de ouro maciço e quase todo o complexo é banhado pelo metal. É sensacional contemplar a beleza desse lugar em muitos “tons de céu”. E a cada clique e tonalidade eu fico ainda mais impressionada.

Nada de câmeras super-powers ou de uma infinita espera pela melhor luz. Simplesmente, cliques espontâneos feitos pelo celular a qualquer hora do dia, com as nuances de todo aquele ouro contrastando com esses tons de céu de fundo é tudo que a atmosfera pede. É realmente surreal!

Templo ou Casa?

Como a cidade/país é muito quente, preferi ir neste templo no final da tarde. Foi uma escolha acertada, já que me permitiu fotografar a variedade de cores do lugar conforme o dia ia caindo e caminhar mais tranquilamente sem o sol na testa me fazendo derreter.

Percebi que as pessoas além de irem para fazer suas preces, iam também para desfrutar do lugar. Quase uma área de lazer. Parece que fazem até festas de aniversário por lá.

Se eu morasse lá iria sempre também. Eu creio que nunca estive em um lugar tão inesperado antes. Se você tiver a oportunidade de visitar o Myanmar, esse templo é parada obrigatória. Quando você estiver lá dentro, te garanto que vai se lembrar de mim e me agradecer pela dica.

A sensação que tive é que para os birmaneses, os templos são quase um quintal de casa. Sagrado é claro. Porque, para eles a religião não é sobre liturgia tão somente, mas sobre o modo como levam a vida.

Nesse sentido, acredito que Yangon ia se afastando cada vez mais de ser a Nova Iorque do Myanmar.

Caras Pintadas

Uma coisa que achei muito legal no Myanmar é uma pintura que eles usam no rosto que, a princípio, eu pensei que fosse algum tipo de argila. Mas, um belo dia, resolvi fazer uma foot massage para relaxar e as meninas do spa estavam usando a tal pintura.

Enquanto eu recebia a massagem, vi um flyer na mesa ao lado explicando o que era. Logo pedi para me mostrarem na prática para eu entender melhor. Resultado: saí de lá pintada. Detalhe, fui para o shopping center e ainda jantar em um restaurante com a pintura dura na cara. 🙂

Yangon Myanmar
Menina com a Thanaka no rosto

Depois disso, toda vez que eu via alguém com isso no rosto em outro país do sudeste asiático eu perguntava se a pessoa era do Myanmar e sempre era. Mas o que é realmente esse “preparado misterioso” que eles usam?

A primeira vez que vi uma mulher com o rosto pintado foi no norte do Myanmar em Mandalay, cidade que foi capital do país até meados dos anos oitenta.

Quando estava deixando a cidade em direção ao aeroporto falei sobre isso com o taxista e ele me disse que essa pasta era usada somente em Mandalay e somente pelas mulheres e crianças.

Realmente, em Mandalay só vi elas exibindo a pintura. Quando digo pintura, era porque elas desenhavam mesmo flores, folhas e outros tipos de desenho no rosto com aquela pasta.

Mas, assim que cheguei em Yangon, percebi que o taxista estava desatualizado ou mesmo equivocado.

Em todos os lugares que eu olhava, lá estavam os rostos pintados, desta vez somente em forma de círculos, mas, inesperadamente notei que os homens também usavam. Raros, é verdade, mas ainda assim usavam.

O Segredo da Thanaka

Yangon a Nova Iorque do Myanmar
Menina birmanesa preparando a Thanaka

Thanaka é o nome de uma árvore nativa da região do sudeste da Ásia. Segundo a mocinha da foto (que dizia ter dezoito anos, mas para mim parecia ter doze), a mistura era milagrosa.

Depois de tratar meus pés e perceber minha curiosidade olhando para o folheto, ela voltou com um pedaço da dita árvore e começou a girar sobre uma peça, que parecia ser de cerâmica ou algo parecido.

Com um movimento hipnotizante, ela misturava aquele pó que saia da árvore com água e preparava a pasta.

O objetivo dessa tradição milenar é, principalmente, proteção solar, já que o calor do país é intenso e o sol queima facilmente a pele.

Yangon a Nova Iorque do Myanmar
Folheto explicativo sobre a Thanaka

Mas, além de proteger do sol, segundo ela, a pasta refresca, hidrata, retarda o envelhecimento, tira manchas e cura a acne e outras irritações de pele. Isto é, eu não podia deixar de experimentar o creme dos sonhos que só faltava fazer café! 😉

Noz de Areca com Folhas de Bétel?

Se os birmaneses, depois de usar Thanaka, têm uma pele de porcelana, por outro lado os dentes tem um ar um tanto quanto vampiresco. O sorriso de muitos deles é bem vermelho.

A princípio, achei que era falta de cuidado mesmo. Mas, depois prestei mais atenção na cor e fiquei curiosa. Foi então que descobri que o que deixa os dentes nesse tom avermelhado é uma mistura de Noz de Areca com folhas de Bétel.

Folhas de Bétel Myanmar
Folha de Bétel que provoca o tom avermelhado nos dentes

Misturadas, provocam no corpo o efeito do cigarro ao serem mastigadas. O pior é que encontrei até mesmo crianças com os dentes avermelhados de mascar a mistura. Esquisito demais!

+Leia também: 10 DICAS PARA VOCÊ QUE VAI VIAJAR PARA A ÁSIA

Diante de tantas coisas que eu nunca tinha visto antes em um país em que a população não sabe quase nada do ocidente, tenho certeza que há ainda muito também para ser descoberto por nós ocidentais.

Quem sabe em uma outra oportunidade, não?! Sempre que possível quero voltar para matar a saudade de Yangon, a Nova Iorque do Myanmar. Será?!

Você também se emocionou como eu com esse lugar, se interessa pela Ásia? Deixe seu comentário e vem trocar figurinha com a gente.

Por enquanto é isso pessoas.

Até a próxima viagem!

KS.

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